Desarrumação da velha ordem

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Desarrumação da velha ordem



Encontro de líderes no Fórum Econômico Mundial precisa enfrentar a desorganização institucional e política que gera ameaças à economia global

Por

JC


Publicado em 21/01/2026 às 0:00

Clique aqui e escute a matéria

Depois da Segunda Guerra, antes da metade do século passado, as potências que então se impunham em campos ideológicos definidos, entraram em acordo visando manter alguma ordem na realidade emergente, após o trauma das bombas atômicas sobre o Japão – e sobre a crença no amadurecimento humanista de uma espécie guiada pela fúria contra a natureza e indivíduos da mesma espécie. Veio a Guerra Fria e suas tensões diplomáticas, a reunificação das Alemanhas e o vertiginoso crescimento econômico da China, reconfigurando o mapa geopolítico para o século 21.
Pelo andar da carruagem da civilização – que se diz global e se encerra em fronteiras nacionais – os recentes conflitos no Oriente Médio, na Ucrânia, na África, e os ensaios de invasão à Venezuela, ao Irã e à Groenlândia pelos Estados Unidos, sob a batuta e a baioneta de Donald Trump, tanto podem ser considerados efeitos do quebra-cabeças do pós-guerra, quanto sinais da recomposição de forças que esboça caracterizar uma nova desordem mundial, até que outra arrumação se apresente nas próximas décadas. Na atualidade, o que se vê é o ápice da desimportância da Organização das Nações Unidas (ONU), descredenciada pelo principal financiador, os EUA, e o aumento cada vez maior dos gastos com armamentos, sob a cândida justificativa de que, numa condição de iminente risco para todos, o investimento em defesa é incontornável – e preparar as tropas e armazenar munições, a melhor prevenção.
Em discurso no tradicional encontro de Davos, na Suíça, a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, disse com todas as letras: “a velha ordem acabou”. E na linha da consolidação da desconfiança com o caminho de potências lideradas por Trump e Vladimir Putin, acrescentou: “A Europa precisa se adaptar à nova arquitetura de segurança e às realidades que enfrentamos atualmente”. Realidades que espremem os europeus entre a Ucrânia invadida pelos russos, e a Groenlândia cobiçada pelos norte-americanos.
A “nova independência europeia” diante das “mudanças sísmicas no mundo”, nas expressões de Von der Leyen, deve se expor à maneira do Kremlin e de Washington, ou seja, dando demonstrações cabais de poder – especialmente poder de fogo? A desarrumação da ordem internacional, que vem de uma grande guerra na Europa, será que vai redundar em outra guerra no Velho Continente? A rearrumação, infelizmente, tende a depender mais do equilíbrio bélico do que de uma concertação diplomática e institucional. As instituições globais correm celeremente para o brejo, como se fossem saltar da borda de uma Terra plana.
Citando os exemplos de acordos em costura com o Mercosul, o México e nações asiáticas, a presidente da Comissão Europeia aposta num modelo que representaria a insistência no multilateralismo negado por Trump: “A Europa escolhe o mundo, e o mundo escolhe a Europa”, disse ela. Seria simples se fosse assim. Mas o papel coadjuvante dos líderes europeus no mapa geopolítico das primeiras décadas do terceiro milênio indica a permanência da instabilidade, e de incertezas que assustam a humanidade inteira.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *