Desamparo: 1 em cada 3 municípios de Pernambuco não tem órgão destinado à mulher

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Desamparo: 1 em cada 3 municípios de Pernambuco não tem órgão destinado à mulher


Levantamento do TCE-PE identificou ainda que mais de 93% das 184 cidades não contam com casa-abrigo para as vítimas de violência doméstica



Apesar do aumento das campanhas de conscientização e prevenção sobre a violência contra a mulher, muitas vítimas ainda se sentem inseguras em procurar a polícia para denunciar seus agressores. E um dos principais motivos é a falta de uma rede de proteção para acolhê-las e garantir a proteção mais adequada. 

O levantamento do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) sobre as políticas adotadas pelos municípios na área da segurança pública revelou um dado alarmante. Uma em cada três cidades pernambucanas ainda não tem um órgão voltado à defesa dos direitos da mulher. 

Na avaliação de Izabel Santos, coordenadora geral do Centro das Mulheres do Cabo, organização feminina com mais de 40 anos de luta, a pesquisa demonstra que muitos gestores públicos não dão a devida atenção às políticas de prevenção à violência contra a mulher. 

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×350-area” });
}

‘;
window.pushAds.push({ id: “banner-300×250-4” });
}

“Essa questão da falta de prioridade dos governos em relação à política da mulher é algo muito constante. As cidades da Região Metropolitana têm um bom desempenho com relação a equipamentos públicos voltados para a política da mulher. Mas quando a gente adentra nas cidades do interior, por exemplo, é muito pouco o que é investido. Quando tem um organismo, muitas vezes as políticas têm poucos investimentos e são atreladas à assistência social, sem equipe e sem recurso”, afirmou. 

Ao todo, no Estado, 62 municípios declararam ao TCE-PE não contarem com órgão ou secretaria voltada à proteção das mulheres.

Izabel também é gestora do Comitê de Monitoramento da Violência e Feminicídio no Território de Suape, que atua em 11 municípios da Mata Sul do Estado com foco na prevenção à violência de gênero. 

“A gente vem cobrando do poder público a efetivação dessas políticas. Muitas vezes, as gestoras desses órgãos ficam solitárias para tentar implementar uma política por causa da falta de investimentos. É uma questão de falta de prioridade dos municípios”, disse. 

De acordo com estatísticas da Secretaria de Defesa Social (SDS), 23.328 queixas de violência doméstica/familiar foram registradas por mulheres em delegacias de Pernambuco somente entre janeiro e maio deste ano. A média diária é de 155 casos. 


Divulgação

“Cidades da Região Metropolitana têm bom desempenho com relação a equipamentos voltados para a política da mulher. Mas quando a gente adentra no interior, é muito pouco o que é investido”, diz Izabel Santos, coordenadora do Centro das Mulheres do Cabo – Divulgação

Ex-gestora do Departamento de Polícia da Mulher em Pernambuco e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Gleide Ângelo classificou os dados do levantamento do TCE-PE como “graves”.

“Se tem no relatório que um terço dos municípios não possui nenhum organismo de mulher, nenhuma diretoria, nenhuma coordenadoria, isso demonstra que a violência contra a mulher e que a vida da mulher não têm importância. Somente em 2024, tivemos mais de 53 mil boletins de ocorrência de vítimas pedindo ajuda nas delegacias. Isso significa que o problema é real e grave”, declarou.

“A partir do momento que o gestor ou uma gestora municipal fecha os olhos para isso, a partir do momento que não coloca isso como prioridade, você está dizendo o quê? Que você simplesmente acha normal e não se importa com a vida das mulheres no teu município”, complementou. 

Gleide reforçou que é preciso cobrar dos prefeitos a implementação dos organismos voltados à proteção da mulher. 

“O que a gente vê hoje, infelizmente, e isso nos envergonha como pernambucanos e pernambucanas, é que a mulher tem somente duas opções: ou ficar numa relação abusiva, apanhando até morrer, ou sair de uma relação abusiva e ser assassinada porque o agressor não aceita. Ela precisa ter o direito de escolher, sair a hora que quiser [da relação] e o Estado e o município têm a obrigação de proteger e acolher essa mulher”, pontuou. 

SÓ 12 CIDADES TÊM ABRIGO PARA MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA

Apesar de 67% dos municípios pernambucanos contarem com algum órgão voltado às mulheres, a rede de proteção em muitos deles é precária. A pesquisa do TCE-PE indicou que apenas 12 cidades têm casa-abrigo para receber as vítimas de violência doméstica, ou seja, 93% não contam com esse equipamento tão necessário. 

“A Lei Maria da Penha está completando 19 anos. E ela propõe a criação desses equipamentos, mas as cidades ainda deixam muito a desejar. Precisamos de um maior investimento, mais orçamentos para essa política no âmbito municipal, estadual e também nacional. É preciso mais apoio para que as mulheres possam denunciar e evitar o feminicídio, que a gente vem acompanhando o crescimento”, enfatizou Izabel Santos. 

Em Pernambuco, 41 casos de feminicídio foram registrados oficialmente somente entre janeiro e maio deste ano. Foram sete óbitos a mais em comparação com o mesmo período de 2024. 

Gleide Ângelo destacou a importância da casa-abrigo após o registro da denúncia de violência. 

“É aquele lugar que a mulher vai ser retirada do risco. Ela vai permanecer lá até que o agressor seja preso, até ter uma solução para ela. O que não pode é a mulher ir na delegacia, registrar o boletim de ocorrência e voltar para casa para correr risco real de morte. Tudo isso precisa ser urgentemente modificado.”


Thiago Lucas/SJCC

Estatísticas sobre a violência contra a mulher em Pernambuco – Thiago Lucas/SJCC

TCE-PE COBRA MELHORIAS EM GOIANA, NA MATA NORTE

No começo da semana, a Primeira Câmara do TCE-PE determinou que a prefeitura de Goiana, na Mata Norte, adote medidas para corrigir falhas na proteção e atendimento às mulheres vítimas de violência.

A decisão, por unanimidade, teve com base uma auditoria especial realizada entre 2023 e 2024 na Secretaria da Mulher da cidade. O processo foi relatado pelo conselheiro Carlos Neves.

A auditoria fez parte de um levantamento do TCE-PE em 2023 que avaliou a estrutura e o funcionamento das redes de atendimento às vítimas nos municípios pernambucanos.

Goiana foi escolhida por ser uma dos maiores cidades da Mata Norte, com mais de 40 mil mulheres, e a única nessa faixa populacional que não conta com serviços especializados.

O relatório do tribunal identificou que o município não possui legislação específica de proteção às mulheres, e as normas existentes são insuficientes para garantir direitos e segurança.

“A rede de atendimento e enfrentamento à violência de gênero é frágil, com falta de servidores capacitados e ausência de apoio psicológico, jurídico e social às vítimas. Também não há canais próprios de denúncia. A Patrulha Maria da Penha conta com apenas uma guarda municipal capacitada, o que é considerado insuficiente”, informou o TCE-PE. 

A prefeitura terá que realizar concurso para contratação de profissionais efetivos para policiamento feminino; implantar e capacitar uma equipe fixa da Patrulha Maria da Penha; executar o Programa Mulher Independente, com foco na geração de emprego e renda para mulheres em situação de violência.

Procurada pelo JC, a assessoria do prefeito Marcílio Régio, empossado na segunda-feira (30/06), informou que ele “adotará todas as providências para atender as recomendações do TCE e ampliar os serviços para uma efetiva política pública de proteção às mulheres e garantia de seus direitos”. 

ESTADO DIZ QUE ESTÁ AJUDANDO MUNICÍPIOS

Questionada pelo JC, a secretária da Mulher de Pernambuco, Juliana Gouveia, declarou que o Estado tem ajudado os municípios com capacitações e entrega de materiais para campanhas e melhoria das estruturas.

“Além das formações continuadas para todas as gestoras de Pernambuco, há o fortalecimento das campanhas de prevenção à violência contra a mulher, através de material gráfico entregue aos municípios. No mês de março e abril, realizamos campanhas de forma presencial em todas as cidades”, disse.

Segundo ela, recentemente 182 municípios receberam kits de mobiliário para fortalecimento dos organismos de política para a mulher.

“Mesas, cadeiras, armários e computadores foram entregues. A gente também está efetivando a compra de automóveis que vão ser entregues no segundo semestre para todos os organismos de políticas públicas para mulher no Estado”, afirmou. 




Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *