Costura diplomática e comercial pode ser concluída nas próximas semanas, com um acordo histórico para as relações entre os dois blocos
JC
Publicado em 23/12/2025 às 0:00
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Embora alguma frustração seja inevitável, o adiamento da assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia para janeiro deve servir para garantir a sintonia fina necessária à sua concretização, depois de anos de conversas diplomáticas e obstáculos políticos, especialmente na forma de protecionismo europeu. O encontro de cúpula em Foz do Iguaçu, no Paraná, foi mais um palco preparativo do que a apoteose que se imaginava. Mas a reiterada intenção de assinatura pelos representantes da UE anima a expectativa positiva para o início de 2026, no que pode ser um marco histórico para o posicionamento dos dois blocos no mercado global.
Lamentando o atraso, líderes europeus assinaram uma carta conjunta endereçada aos brasileiros. Presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, António Costa, afirmam no documento: “Gostaríamos de transmitir o nosso firme compromisso de proceder à assinatura do Acordo de Parceria e do Acordo Comercial Provisório no início de janeiro”. Pelo tom, e pelo prazo assumido em compromisso, imagina-se que os acordos mencionados se encontram em estágio avançado de negociação, quase prontos para oficialização e divulgação´, logo após o que chamaram de conclusão de procedimentos internos. É o que aguardam há 25 anos anos os empresários e as populações dos blocos de países que compõem o Mercosul e a União Europeia, que formarão um mercado comum de 728 milhões de consumidores, em um PIB total de 22 trilhões de dólares.
A promessa de “clareza e confiança” em um acordo assinado pelas partes ficou para o dia 12 de janeiro, no Paraguai. Os conflitos de interesses e a resistência protecionista diante da abertura dos mercados de lado a lado, com a redução de tarifas e a intensificação comercial, fazem do acordo um trabalho complexo – em especial devido às exigências dos agricultores da Itália e da França. A União Europeia jamais entrou num acordo dessa dimensão, e por isso trata-se de um avanço histórico também para os europeus. Depois de um quarto de século, as sobretaxas de Donald Trump, nos Estados Unidos, e a dependência de produtos da China, são fatores que talvez estejam contribuindo para o desfecho positivo das tratativas com o Mercosul.
As pressões nacionalistas impõem um desafio político à assinatura do acordo na data prevista. Os governos da França e da Itália insistem na necessidade por mais conversas – o que pode adiar tudo por meses, ou até anos. Enquanto isso, o Mercosul pode fechar outros acordos, de menor porte mas de indiscutível relevância, com países asiáticos, por exemplo, para os quais a conclusão está próxima. De todo modo, apesar desses acordos paralelos, a atenção está voltada para o entendimento que possibilite a assinatura entre os integrantes dos dois blocos, que podem estar prestes a construir uma ponte institucional e comercial jamais vista sobre o Atlântico.

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