Em entrevista à Rádio Jornal, no programa Passando a Limpo, a deputada diz que a mudança tem como objetivo fortalecer a reeleição do presidente Lula
Aisha Vitória
Publicado em 03/02/2026 às 16:52
| Atualizado em 03/02/2026 às 16:58
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A deputada estadual Dani Portela (PSOL) confirmou que está em negociação para se filiar ao Partido dos Trabalhadores (PT) e deve formalizar a mudança partidária na abertura da janela, em março.
Em entrevista à Rádio Jornal nesta segunda-feira (3), no programa Passando a Limpo, a parlamentar afirmou que recebeu convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Humberto Costa para integrar o partido e colaborar com um dos principais campos da esquerda no país.
Tomada da decisão
Segundo Dani Portela, a decisão de aguardar a janela partidária foi tomada por segurança jurídica. Advogada, ela explicou que a saída antecipada poderia gerar questionamentos judiciais por parte de suplentes.
A deputada destacou ainda a relação histórica com o PSOL, partido pelo qual construiu sua trajetória política, mas afirmou que o PT hoje reúne melhores condições para disputar e governar em âmbito nacional, estadual e municipal.
Clima político na Alepe
Durante a entrevista, a deputada também avaliou o clima político na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) após a abertura do ano legislativo.
Dani Portela disse que havia preocupação com o ambiente de tensão registrado no fim de 2025, mas considerou que a sessão inaugural transmitiu um sinal de maior equilíbrio entre os Poderes.
A deputada afirmou que a harmonia institucional é fundamental em um ano eleitoral, para garantir o funcionamento da Assembleia e a defesa dos interesses de Pernambuco.
“A gente precisa pensar agora num ano de eleição como a Assembleia, os poderes continuarem funcionando com a mínima harmonia possível para melhorar Pernambuco. A oposição fazendo a sua tarefa, o Executivo, Legislativo, a base da governadora fazendo o seu papel e tentando chegar numa compreensão”, afirmou.
Segurança pública
Apesar disso, Dani Portela fez críticas ao conteúdo do discurso da governadora Raquel Lyra (PSD), especialmente na área da segurança pública. Ela demonstrou preocupação com o aumento dos casos de feminicídio no estado.
De acordo com a deputada, Pernambuco registrou um crescimento de 15,7% nesse tipo de crime em 2025, com 88 mulheres assassinadas.
“No passo que alguns crimes diminuem, em comparação aos crimes contra as mulheres, a gente está vivendo uma verdadeira epidemia de feminicídio, como se essas vidas fossem descartáveis. Crimes com indícios maiores de crueldade. O feminicídio não é um crime passional. Ele não tem a ver com paixão, ele tem a ver com ódio. Tem a ver com não aceitar que aquela mulher pode seguir a vida após um término de relacionamento. E a gente espera que, num governo liderado por duas mulheres, se tenha um tratamento específico para isso. Isso é nacionalmente, mas aqui em Pernambuco a gente precisa cobrar isso.”
Política de creches
Outro ponto destacado foi a política de creches. Dani Portela afirmou que a falta desses equipamentos impacta diretamente a vida das mulheres e criticou o baixo número de entregas em relação às promessas feitas pelo governo estadual.
Segundo ela, apenas uma creche foi entregue, das 250 anunciadas, embora tenha ressaltado que torce para que as metas sejam cumpridas, por se tratar de uma demanda social urgente.
“Isso é uma luta séria, uma luta histórica, que nem deveria ser das mulheres, mas infelizmente é. Porque a ausência de creches impacta diretamente na vida das mulheres que são mães e não podem voltar a estudar, não podem voltar a trabalhar, por não ter um lugar para deixar os seus filhos.”
Manifestações na Alepe
A deputada também mencionou manifestações ocorridas durante a sessão na Alepe, envolvendo policiais civis, professores e estudantes, além de protestos no Palácio do Campo das Princesas.
Entre as pautas citadas estão a cobrança pela lei orgânica da Polícia Civil, o protesto contra o aumento das passagens de transporte público e a manutenção do auxílio alimentação para estudantes da Universidade de Pernambuco (UPE). Segundo Dani Portela, essas demandas não foram abordadas no discurso da governadora.
Ao tratar do combate à violência contra a mulher, a parlamentar defendeu a combinação entre punição, prevenção e políticas sociais, citando a Lei Maria da Penha como um marco que vai além da repressão e inclui ações educativas, geração de renda e fortalecimento da autonomia feminina. Para ela, essas medidas podem servir como ponto de diálogo entre governo e oposição.
Dani Portela concluiu afirmando que 2026 é um ano decisivo para Pernambuco e para o país, não apenas pelo processo eleitoral, mas pela necessidade de reduzir desigualdades e avançar em políticas públicas que melhorem a vida da população.

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