Grande ficção é se pensar apoiado nos pés da realidade. O menino, “pai do homem,” vive do imaginário dos contos infantis, criando personagens e vidas
Publicado em 15/12/2024 às 5:00
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O cotidiano nos mostra que são muitos os encantos que a fantasia sabe criar. Esta fantasia será sempre maior do que a realidade, que não é feita pelas fadas, fiandeiras ocultas do destino feliz. Desde criança, o ser humano constrói – à sua maneira – o seu castelo, as suas utopias, os seus sonhos, seus devaneios. É na infância que as ilusões são tecidas em quimeras de quem pensa em evoluir, chegar à idade adulta, para ser e acontecer no cenário da vida.
Grande ficção é se pensar apoiado nos pés da realidade. O menino, “pai do homem,” vive do imaginário dos contos infantis, criando personagens e vidas à vida de cada qual. Esta pluralidade é o painel que se põe à frente dos que sonham a felicidade, que, à Vicente de Carvalho, está sempre apenas onde nós a pomos, / e nunca a pomos onde nós estamos.
E o homem? O homem é filho dos sonhos e das fantasias traçadas com a régua da infância. A criança é a artesã do adulto que virá a ser, numa moldagem com o barro da utopia.
Peter Pan marcou muito a minha infância. A Terra do Nunca, descrita pelo autor, o escocês James Barrie, ressalta um território admirável e fértil às mudanças. Peter Pan, para convencer Wendy a retornar à Terra do Nunca, assegura que se ele ensinar os Meninos Perdidos a contarem histórias, estes, se aprenderem, poderão crescer.
Crescer, eis o mistério, eis a magia; eis morando em nós um menino perdido, cada qual com a humana ansiedade de se imaginar maior, desejoso de chegar à felicidade. Esta, a inquietação do homem sempre nostálgico do paraíso perdido. Deus está oculto, mas Ele é o bem supremo. Entre o alfa e o ômega está o efêmero quedado diante da eternidade.
Digo com a poetisa Lucila Nogueira: “Fada de Peter Pan / tocando o sonho.” Toca o sonho, mas não toca a realidade, como se o pó de pirlimpimpim fosse capaz do Abre-te Sésamo à concretização dos desejos incontidos.
A criança, se menina, a Bela Adormecida, a Alice no País das Maravilhas; se menino, o Gato de Botas, o príncipe encantado; este e aquela rei e rainha na doce fantasia que o mundo infantil inspira. Na realidade da vida, o homem às vezes pensa que é o não-ser que supõe ser. Esta, a ânsia, a incompletude, o debate interior entre suas aspirações e a sua existência real. Na soleira dessa porta estão a soberba e o orgulho, mas há o desejo de se ver nos umbrais da felicidade.
Paz de espírito, consciência leve, religiosidade, ética e moral, equilíbrio, humildade, rumo e prumo, são valores intrínsecos ao homem que se pretenda humano. Se assim, encerro chamando Machado de Assis: “Alguma coisa escapa ao naufrágio das ilusões.”
Roberto Pereira foi secretário de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco e é membro da Academia Brasileira de Eventos e Turismo.


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