Crítica: ‘The Pitt’ adapta ‘Plantão Médico’ para o caos do mundo pós-pandêmico

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Crítica: ‘The Pitt’ adapta ‘Plantão Médico’ para o caos do mundo pós-pandêmico


É impossível não comparar “The Pitt”, nova série da Max, com “Plantão Médico“, seriado que por 15 temporadas —de 1994 a 2009— transformou a medicina de emergência em matéria de filme de ação.

Ambas as séries se passam em prontos-socorros e tratam do dia a dia de médicos e enfermeiros. Mais notável é a presença repetida de Noah Wyle, o dr. Carter de “Plantão Médico”, que agora interpreta Michael “Robby” Robinavitch, chefe do pronto-socorro do Pittsburgh Trauma Medical Hospital, carinhosamente apelidado de “The Pitt” —um trocadilho com poço ou buraco.

A nova série, que estreia nesta quinta-feira (9) com dois episódios, não tenta ser diretamente ligada à antecessora, apesar da presença de Wyle —aqui também produtor-executivo— e dos créditos de John Wells —produtor-executivo de ambas— e R. Scott Gemmill —criador de “The Pitt” e roteirista de “Plantão Médico”.

A conexão é até objeto de uma ação na Justiça por parte da viúva de Michael Crichton, criador de “Plantão Médico”, que pede créditos na nova série; a defesa da Warner Bros TV e dos três produtores nega qualquer relação entre os dois seriados além do gênero.

A temporada inteira se passa ao longo de um único plantão do dr. Robby, com cada um dos 15 episódios retratando uma hora do dia, à la “24 Horas“. É uma data especial: marca os cinco anos da morte do mentor de Robby por Covid-19, naquele mesmo hospital.

Os reflexos da pandemia aparecem às vezes de formas sutis —médicos e enfermeiros frequentemente higienizam as mãos com álcool em gel, por exemplo— e às vezes mais descaradas, em discursos sobre a escassez de profissionais de enfermagem, ou numa discussão na sala de espera sobre máscaras e vacinas, mas curiosamente nenhum dos pacientes atendidos nos dez episódios já disponibilizados à imprensa recebe o diagnóstico de Covid.

O vírus é só um fantasma, assombrando Robby em flashbacks dos dias mais caóticos da crise sanitária global. São outros os problemas contemporâneos que afligem os muitos pacientes do Pitt: overdoses por fentanil e MDMA, acidentes com patinetes elétricas, riscos inesperados de ser influencer de beleza.

Como a história é restrita no tempo, muitos dos doentes perduram de episódio para episódio, em um equilíbrio complicado de grande peso emocional —são histórias trágicas de pessoas em situações delicadas— e pouca profundidade —só se conhece o paciente e seus familiares em seus piores momentos, sem tempo de formar vínculos.

Em “Plantão Médico”, a solução desse problema era velocidade: pacientes na maioria das vezes não duravam sequer de um ato para o outro do episódio, o importante são os médicos.

Mas “The Pitt” consegue, sim, afetar o espectador com seus doentes. O desfecho, no oitavo capítulo, de um drama que se inicia na estreia, é bastante tocante. Outro, contado durante a mesma hora, atravessa como um furacão uma família, que some no episódio seguinte.

Os atendimentos de traumas urgentes lembram bem os de “Plantão Médico”: a câmera flutua ao redor da maca, viajando de sala em sala com Robby, enquanto médicos e enfermeiros recitam jargão médico a toda velocidade, sem explicações para o espectador leigo.

Tudo também é mais explícito: livre das amarras da televisão aberta, a série se deleita em mostrar ferimentos graves e procedimentos sangrentos —e crocantes— em detalhes. A equipe do hospital traz uma combinação já batida de jovens médicos com boas doses de autoconfiança e profissionais experientes cuja função é, repetidas vezes, colocá-los na linha.

Destacam-se Isa Briones como Trinity Santos, uma residente de primeiro ano ambiciosa e carreirista, Taylor Dearden —filha-xerox de Bryan Cranston— como Mel King, candidata a coração da equipe, e a veterana Katherine LaNasa, cuja enfermeira-chefe Dana Evans comanda o PS com a mão firme de quem já passou por tudo e mais um pouco.

“The Pitt” não é “Plantão Médico”: é mais moderna e tecnológica —sabia que há um robô fazedor de massagem cardíaca?—, com um elenco e um olhar mais diverso, minutos de silêncio para pacientes perdidos, chefes que punem abuso moral em vez de promovê-lo, e o trauma de uma pandemia que a antecessora mal poderia imaginar, tão impossível quanto uma mesma pessoa sofrer dois acidentes de helicóptero no mesmo lugar.

Fãs de dramas médicos ficarão satisfeitos.



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