Crítica: Livro sobre Green Day traz boas histórias de amigo próximo da banda

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Crítica: Livro sobre Green Day traz boas histórias de amigo próximo da banda


“No início dos anos 90, a ideia de virar um astro mundial tocando punk era impensável”, escreve Aaron Cometbus. Naquela época, Cometbus —nome verdadeiro: Aaron Elliot— era “roadie” e vendia as camisetas de uma banda novata da região de San Francisco, na Califórnia, chamada Green Day.

Mas o impensável aconteceu e o Green Day virou um sucesso mundial: Cometbus havia deixado de acompanhar o grupo um pouco antes e perdeu a ascensão fulminante dos chapas Billie Joe Armstrong, Mike Dirnt e Tré Cool.

Foi trabalhar com outras bandas e continuou publicando um fanzine que fazia sozinho desde 1981 chamado “Cometbus”, em que discorria sobre a cena punk californiana e contava histórias divertidas sobre a vida na estrada.

Quase 20 anos depois, o baixista do Green Day, Mike Dirnt, procurou Cometbus e o convidou para juntar-se à banda numa turnê pela Ásia, que aconteceria em janeiro de 2010. Só havia uma condição —Cometbus teria de escrever sobre a experiência em seu fanzine. O resultado ocupou uma edição inteira do fanzine, publicada em fevereiro de 2011.

Aproveitando a vinda do Green Day a São Paulo, onde se apresenta no dia 7 de setembro como atração do festival The Town, a Editora Terreno Estranho acaba de lançar “Na China com o Green Day?!!”, um livro curto, de 176 páginas, e divertido com a íntegra dos escritos de Cometbus sobre as duas semanas em que acompanhou o Green Day pela Ásia.

O título, “Na China com o Green Day?!!”, é um tanto enganoso, já que a turnê passou também por Tailândia, Cingapura, Coreia do Sul e Japão, e o único local da China visitado pela banda foi Hong Kong.

O livro é uma mistura de diário de viagem com reflexões sobre o passado. Cometbus conta bastidores interessantes da verdadeira empresa que existe por trás das turnês de megabandas como o Green Day, descrevendo os seguranças da banda —um deles, com passagens por operações militares no Iraque— e relatando os muitos momentos de tédio e solidão vividos na estrada em turnês que chegam a demorar dois anos.

A obra é também uma espécie de acerto de contas do Green Day com Cometbus, que havia criticado a banda em algumas ocasiões por ter supostamente se vendido ao comercialismo. Segundo o autor, a crítica teria chateado o amigo e cantor do Green Day, Billie Joe, e Cometbus aproveita o texto para se desculpar e explicar suas motivações.

O tema central do livro é justamente esse paradoxo entre moleques que sempre pregaram o estilo punk do faça você mesmo e frequentavam casas de shows comunitárias e sem fins lucrativos como Gilman Street, epicentro da cena punk de Berkeley, e agora ganhavam milhões de dólares e excursionavam com equipes de 200 pessoas —na turnê asiática de 2010, informa o texto, a equipe foi reduzida para 70.

“Em turnê, eles eram as pessoas com quem eu tomava café todas as manhãs”, escreve Cometbus. “Em Nova York, onde eu morava, eles eram um monstro aterrorizante que me perseguia em lojas de donuts 24 horas, em filas de supermercado e até no metrô. Era impossível escapar do hype deles. Vê-los de perto me fez esquecer o gigante cultural que eles tinham se tornado. Vê-los de longe tornava fácil esquecer que eram humanos.”

Cometbus se mostra um escritor talentoso e criativo. É bom lembrar que o texto foi originalmente escrito para um fanzine e não tinha pretensão de dissecar todos os detalhes por trás da turnê do Green Day, mas dar uma visão pessoal do autor sobre a excursão, e isso ele faz com uma boa dose de sarcasmo. Por vezes, Cometbus simplesmente larga a banda e vai explorar as cidades a pé, procurando livros raros num sebo em Bangkok ou andando a esmo por vielas escuras em Hong Kong.

Para fãs do Green Day, o livro traz boas histórias contadas por alguém que foi amigo íntimo de Billie Joe, Mike e Tré antes de eles serem ídolos mundiais. Os causos envolvem polvos sendo comidos vivos, bebedeiras homéricas e acontecimentos tensos que são comuns em grupos de homens ricos e jovens, há meses longe de casa e sendo adulados por multidões —especialmente por jovens mulheres. Tudo contado em ótima tradução de Álvaro Dutra, parceiro de letras do vocalista Rodrigo Lima, do Dead Fish.



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