Crítica: ‘Donkey Kong Bananza’ põe fim à decadência do macaco da Nintendo

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Crítica: ‘Donkey Kong Bananza’ põe fim à decadência do macaco da Nintendo


Com o lançamento de “Donkey Kong Bananza“, na última quinta-feira (17), a Nintendo se redime de 11 anos de desprezo à franquia que deu o pontapé para o seu sucesso no mercado de games. O título, exclusivo para o Switch 2, não só revigora o macaco mais famoso dos videogames como o coloca de volta no patamar de estrela de primeira linha após um longo período vivendo de participações especiais e remasterizações.

Criado pela mesma equipe de desenvolvedores de “Super Mario Odyssey“, o título apresenta uma estrutura muito semelhante à do último jogo 3D do Mario. Em ambos, o jogador é convidado a explorar cenários intrincados e repletos de segredos em busca de centenas de itens preciosos —em “Bananza”, bananas, e em “Odyssey”, energia lunar.

A principal novidade no jogo de Donkey Kong é que os cenários podem ser quase que totalmente destruídos. A nova mecânica poderia se tornar repetitiva ao longo de uma campanha que pode durar cerca de 40 horas, mas a Nintendo fez um bom trabalho ao diversificar a aventura de várias maneiras.

A começar pelo material do qual são feitos os cenários. São dezenas de materiais diferentes, com propriedades distintas, que obrigam o jogador a pensar bem sobre onde é seguro cavar e como utilizar os recursos disponíveis da melhor forma para atingir seu objetivo

Além disso, cada fase tem um tema diferente e não é raro encontrar nelas mecânicas únicas. Em uma das primeiras fases, por exemplo, o jogador precisa mudar o nível da água para alcançar novas áreas. Em outra, o jogador pode ser atingido por raios em meio a uma tempestade. Já numa terceira, é necessário explorar uma série de ilhas em um lago tóxico, e assim por diante.

Os cenários também têm dimensões bem distintas. Enquanto alguns são amplos e compostos por vários níveis, encorajando o jogador a realizar grandes travessias, outros são acanhados e apertados, obrigando o jogador a abrir caminho quebrando tudo.

Dessa forma, por mais que apertar o botão para cavar uma infinidade de vezes possa parecer cansativo, na prática, isso nunca se torna uma tarefa mecânica, a ser realizada sem um mínimo de reflexão. Pelo contrário. O game premia aqueles que têm olhos atentos para notar pequenas dicas e os curiosos, que se propõem a desviar do caminho principal em busca de segredos.

Para facilitar a exploração, DK dispõe de uma série de novos movimentos, como a capacidade de escalar paredes, dar pulos duplos e até se transformar em outros animais com ajuda de Pauline, sua companheira de aventura.

Prisioneira de Donkey Kong no primeiro jogo do macaco da Nintendo, em “Bananza” a personagem aparece em versão mirim, como uma aspirante a cantora de 13 anos.

Na história, ela cumpre o papel de guia de DK no mundo subterrâneo, para onde os dois são mandados pelos vilões da Void Company, uma mineradora inescrupulosa liderada por Void Kong. DK e Pauline, por sua vez, querem voltar para a superfície e, paradoxalmente, precisam chegar às profundezas da Terra onde uma entidade mágica pode realizar seus desejos.

Além de Pauline, outros personagens históricos da franquia voltam a dar as caras em “Bananza”, como a dupla Diddy e Dixie Kong —protagonistas de “Donkey Kong Country 2“— e o velho Cranky Kong. Participações especiais como essas se juntam a uma porção de outras pequenas homenagens e “Easter Eggs” que remetem ao passado da franquia.

Está claro que um dos objetivos de “Bananza” é renovar a franquia Donkey Kong. Mesmo assim, a Nintendo tenta fazê-lo sem desrespeitar a tradição da série. Isso pode ser visto pelo design do próprio DK, que agora tem um visual jovial e descontraído, com um rosto mais expressivo, pelos desgrenhados e aspecto menos sisudo.

O desenho final acaba ficando em um meio termo entre o design original do lendário Shigeru Miyamoto, criador do personagem, e a versão de “Donkey Kong Country”, lançada nos anos 1990 pela Rare para a série do Super Nintendo, que permanecia predominante até bem recentemente.

A mesma estratégia aparece em missões especiais em que o jogador precisa colocar à prova suas habilidades. Em algumas delas, o jogo muda da perspectiva 3D para a 2D, rememorando alguns dos melhores momentos da franquia, como as hoje clássicas fases do carrinho de mina.

O trabalho de direção de arte da Nintendo e os gráficos do jogo também merecem elogio. Ainda que o game sofra quedas repentinas no número de quadros exibidos por segundo em momentos em que uma quantidade muito grande de estruturas são criadas ou destruídas —caso de algumas batalhas com chefões—, isso não chega a atrapalhar a aventura.

Da mesma forma, é necessário um tempo com o jogo para se acostumar com o esquema de controles e com os movimentos da câmera, que pode parecer um pouco incomum, principalmente em cavernas e corredores mais apertados. Ainda assim, algumas das soluções encontradas pelos desenvolvedores para movimentação de câmera em jogos 3D com ambientes apertados são especialmente inteligentes.

Apesar do preço salgado do game no país, os brasileiros podem comemorar a ótima localização feita pela Nintendo para o português do Brasil, incluindo o uso inteligente de algumas gírias e expressões próprias da nossa cultura popular. A dublagem de Pauline, feita por Isabella Guarnieri, também está excelente e em nada fica devendo à versão em inglês, por exemplo.

Unindo a diversão e controles precisos dos jogos de plataforma 3D do Mario com a exploração e incentivo à criatividade dos últimos títulos “The Legend of Zelda“, “Donkey Kong Bananza” representa uma necessária reformulação da franquia. Mais do que isso, pode se tornar a porta de entrada para toda uma nova geração de fãs do carismático macaco da Nintendo.

O jornalista recebeu uma cópia do jogo com acesso antecipado para teste.



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