Crítica: ‘All Her Fault’ escancara as dores de ser mãe sem exagerar na afetação

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Crítica: ‘All Her Fault’ escancara as dores de ser mãe sem exagerar na afetação


“All Her Fault”, a série mais comentada do momento e baseada no romance homônimo escrito por Andrea Mara, tem todos os artifícios que atraem os fãs de suspense —personagens dúbios, boas atuações, reviravoltas que vão das mais óbvias até as mais surpreendentes e uma miscelânea de temas que conversam entre si.

Temas esses que, neste caso, envolvem a maternidade e a culpa que nasce com ela, questões matrimoniais, saúde mental e independência feminina. Postos desta forma, pode parecer uma mistura incapaz de funcionar, o que não é o caso. Ela não só funciona, como engaja rapidamente.

É justamente nessa receita que a minissérie disponível no Prime Video engana, e de forma inteligente. Vendida como um suspense psicológico clássico, “All Her Fault” usa o mistério apenas como isca para nos conduzir a um território muito mais íntimo e incômodo, o do drama feminino.

A tensão não nasce apenas do que pode ou não ter acontecido, mas das pressões silenciosas que recaem sobre os personagens, especialmente as mulheres, constantemente julgadas por suas escolhas, culpas e limites enquanto mães e parceiras.

O suspense existe, claro, mas serve menos para resolver um enigma e mais para escancarar conflitos emocionais profundos, transformando a narrativa em um retrato sensível —e por vezes cruel— da experiência feminina contemporânea. São conflitos já existentes, que estavam adormecidos diante da rotina.

Mas eles acordam logo no início da trama. Nela, Marissa Irvine —Sarah Snook, que acaba de vencer o Critics Choice pelo papel— e o marido Peter Irvine, vivido por Jake Lacy, vivem o pior pesadelo de qualquer pai quando seu filho de cinco anos desaparece no que seria um dia na casa de um colega de escola.

Ao chegar à residência para buscá-lo, a protagonista percebe que o endereço é falso e conclui que o garoto foi sequestrado. A partir de seu desespero, “All Her Fault” constrói uma narrativa tensa alternando pontos de vista e revelações.

O desaparecimento do pequeno Milo vem carregado de remorso. Marissa automaticamente se responsabiliza pelo sequestro e se envergonha por não ter checado pessoalmente os detalhes do suposto dia de brincadeira que ele teria.

Outra mãe da escola, Jenny —Dakota Fanning—, por sua vez, foi usada como bode expiatório pelo criminoso ou criminosa, e também se culpa por isso. Enquanto as mães estão no centro do circo midiático que se forma, os pais recebem tratamento muito mais leve.

Em meio a tudo isso, dramas pessoais se fundem com a trama principal. Jenny e Marissa, por exemplo, são mães em tempo integral que também escolhem se dedicar às suas carreiras. E é nesse lugar nebuloso —na coexistência de uma mãe amorosa e uma mulher com necessidades e desejos individuais— que a culpa se concentra com mais intensidade.

Conforme os episódios progridem e a atmosfera dramática vai ficando mais densa, algumas viradas no roteiro acabam sendo um tanto bruscas, mas não parecem afetadas demais. É interessante, aliás, notar que clichês como traições e rivalidade feminina são deixados de lado na narrativa.

Claro que há algumas expressivas conveniências de roteiro, especialmente as que vêm em flashback no episódio final. Mas se um suspense psicológico se propõe a jogar luz nas perspectivas de mães invisibilizadas, que se culpam mesmo dando tudo de si, é justo dizer que “All Her Fault” é uma minissérie cheia de reflexões importantes e dolorosas para o tempo em que vivemos.



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