Veto do Brasil à inclusão da Venezuela e da Nicarágua no grupo de países levanta a questão essencial sobre os seus objetivos políticos
Publicado em 24/10/2024 às 0:00
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Parece clara a intenção de Vladimir Putin, presidente da Rússia, acusado e condenado fora de seu país por crimes de guerra, de transformar o BRICS numa trincheira política contra as potências ocidentais. A invasão da Ucrânia pelos russos e, mais recentemente, o envolvimento do Irã nos conflitos no Oriente Médio, contra Israel, configuram situações delicadas para o posicionamento coletivo de um grupo de nações criado por motivações econômicas – e políticas, de afirmação para o desenvolvimento, e não o alinhamento ideológico voltado para um contraponto bélico.
Depois de embarcar no perigoso e antidemocrático jogo de Putin e dos chineses, o presidente Lula acordou, aparentemente, para a ameaça política projetada pelos ditadores do Kremlin e de Pequim. Ao vetar, em nome do Brasil, a entrada de outros dois países liderados por governos autoritários nos BRICS – a Venezuela e a Nicarágua – Lula pode ter dado uma resposta a Nicolás Maduro, que vem descredenciando o brasileiro como parceiro. Mas também representou um freio no ímpeto de Putin. Já pegou muito mal, depois de ser eleito por uma coalizão baseada na defesa de princípios democráticos, Lula passar panos quentes em ditadores com delírios expansionistas. Seria um vexame para os brasileiros se a porteira dos BRICS fosse aberta, com sua participação, para sistemáticos inimigos da liberdade e da democracia.
Ao grupo inicialmente formado pelo Brasil, a Rússia, a China e a Índia, incorporou-se a África do Sul, em 2011. Quatro novos membros entraram no ano passado: o Irã, a Etiópia, o Egito e os Emirados Árabes. A Argentina recusou o convite e a Arábia Saudita ainda não respondeu. A negativa dos argentinos pode ter relação com o fato de que o Brasil vai se misturando com ditaduras, sabe-se lá para que propósito assustador. Outros onze países podem aderir este ano, a exemplo de Cuba e da Turquia. O Paquistão só foi vetado por ser rival da Índia. Pela evolução pretendida, não demora para se convidar a Coreia do Norte para integrar o BRICS.
Diplomatas do Brasil e da Índia estão buscando reduzir a expansão do bloco, solicitando melhor definições de critérios para a adição de novos membros. No entanto, os dirigentes da China e da Índia estão decididos a ampliar ao máximo, e rapidamente, o conjunto de aliados com potencial antiocidente – em especial, contra os Estados Unidos e a Europa. O multilateralismo talvez esteja novamente ganhando o semblante dual, sob a marca de guerras prolongadas que ajudam a provocar mágoas coletivas e isolamentos. Nesse caso, qual será a posição do Brasil para delinear critérios, e com isso, gerar limites à expansão totalitária?
Em declarações no ano passado, Lula afirmou que a expansão era desejada, porque os países do Sul global seriam tratados como de “segunda categoria”. Pelos planos da China e da Índia, vamos continuar sendo.




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