Sem opções coletivas para a mobilidade, população brasileira recorre ao improviso arriscado sobre duas rodas em uma nação travada
Publicado em 23/12/2024 às 0:00
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Quando se escolhe uma alternativa qualquer por falta de opção, o que se manifesta é a falta de escolha, e não a liberdade para optar pelo melhor caminho. Eis o caso do transporte público e coletivo no Brasil, na grande maioria das cidades e regiões metropolitanas, desprovidas de modais que ofereçam segurança, conforto e rapidez no deslocamento diário das pessoas. Em uma série de reportagens, o JC-PE está abordando o tema para expor a questão e, mais uma vez, mostrar a insatisfação da população aos gestores e planejadores públicos que não conseguem, há décadas, mudar o quadro de decadência no transporte no país inteiro – sobretudo em Pernambuco e na Região Metropolitana do Recife.
O atraso na modernização dos sistemas vem acompanhando o desinteresse ou o descaso dos governantes, que reconhecem a importância do problema nas campanhas eleitorais, mas não dão a devida importância quando assumem ou continuam no poder. Com o desmantelo instalado, os usuários de ônibus estão desaparecendo a um ritmo de 20 mil a menos por dia, há uma década, segundo dados oficiais. E o transporte metroviário não dá conta, em situações lastimáveis como a do Metrô do Recife, sucateado, encolhendo os serviços e se tornando um tormento para a população. Sem alternativas para ir e vir, as pessoas preferem correr o risco crescente das motos de aplicativos, em trajetos que podem ser tão velozes quanto trágicos.
A perda de usuários se contabiliza aos milhões – quase 20 milhões entre 2014 e 2023, de acordo com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos. Da pandemia para cá, a perda foi de 25% em nove regiões metropolitanas no país, incluindo a do Recife. A redução consistente por um período longo demonstra a dimensão de um gargalo que atrapalha a vida dos indivíduos e suas famílias, e se põe como barreira ao desenvolvimento – nos municípios, nos estados, nas regiões e no país inteiro, contribuindo para a manutenção de níveis altos de desigualdade. O tempo que se deixa de ganhar com um transporte adequado integra o Custo Brasil, afasta investimentos e pressiona para baixo o potencial de crescimento da economia.
No caso pernambucano, em relação aos ônibus, a insatisfação une passageiros, trabalhadores e empresários, sem que os gestores públicos encontrem soluções consensuais de melhoria da qualidade dos serviços prestados, a fim de atrair usuários – e não, afastar mais ainda, como vem ocorrendo nos últimos anos. E no que diz respeito ao Metrô, a expectativa é que o ano de 2025 traga boas novas, pelo menos numa decisão que signifique a responsabilidade assumida para mudar a realidade, não apenas com promessas, mas com investimentos e um planejamento de manutenção e ampliação.
O transporte coletivo continua sem ser visto como a melhor opção de mobilidade para as cidades brasileiras e suas metrópoles. A crise atual é consequência da visão pública estreita – e pode ser uma das causas para uma nação travada, que não sai do canto.

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