Aumento de grupos de samba, com o uso de carros de som e centenas de integrantes, gerou relatos de congestionamentos incomuns no fluxo da folia
Publicado em 11/03/2025 às 15:35
| Atualizado em 11/03/2025 às 19:04
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O samba já se firmou no Carnaval de Olinda, mas a expansão das baterias nos últimos cinco anos de folia trouxe novos desafios para o fluxo de agremiações nas ladeiras estreitas do Sítio Histórico, reconhecido como patrimônio da humanidade pela Unesco.
No domingo (02/03) e na terça-feira (04/03) de Carnaval, dias de maior concentração dessas baterias, foliões relataram apertos incomuns, congestionamentos e deslocamentos lentos em ruas centrais.
Com isso, agremiações tradicionais como a Pitombeira dos Quatro Cantos e o 37º Desfile dos Bonecos Gigantes de Olinda precisaram alterar seus percursos ou encerrar os desfiles antes do previsto.


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Antes restritas a grupos como Patusco, com 63 anos de história, e D’Breck, com 27, as baterias hoje se multiplicam. Sambadeiras, Cabulosa, Sombatuki, Tsunami, Tambores D’Saia, Sultaki e Samba Soul Delas são algumas das que passaram a ocupar as ruas.
Em parte, a complexidade do cenário se deve ao uso de carros de som, muitas vezes resguardados por cordões de isolamento, e ao número expressivo de integrantes – a Sambadeiras, por exemplo, desfilou com 270 integrantes.
A própria Prefeitura de Olinda já se mobiliza para buscar ajustes nos próximos carnavais, enquanto a Associação Carnavalesca de Samba de Olinda (ACASO) aponta outros fatores críticos: o desordenamento dos ambulantes e a presença de automóveis de serviços, que reduziram ainda mais o espaço para os desfiles.
Desfile dos Bonecos Gigantes

Silvio Botelho, mestre bonequeiro e criador do Desfile dos Bonecos Gigantes, conta que o tradicional cortejo de terça-feira fluiu bem até a Rua do Amparo, quando teve de esperar quatro baterias por mais de uma hora na Rua de São Bento.
“Nosso desfile tinha 80 bonecos gigantes e quatro orquestras, mas tivemos de esperar uma hora e meia por eles (grupos de samba). Então, decidi abrir mão, cortar caminho na primeira entrada da Rua 13 de Maio, que cruza com a São Bento, e encerrar o desfile”, conta Botelho.
Para ele, é importante que as baterias compreendam a natureza dos cortejos. “As ruas são espaços para desfiles, não são palcos. Eles têm todo o direito de desfilar, mas respeitando os demais. Estávamos desfilando há mais de três horas e eles não arredaram o pé. As duas baterias que estavam na frente pareciam estar competindo para ver quem tocava mais”, continua.
Na opinião de Botelho, a Prefeitura deveria destinar uma rua para que as baterias desfilassem à vontade. “O nosso desfile dá visibilidade à cultura de Olinda, enquanto as baterias tocam muitos sambas do Rio de Janeiro”.
Agremiações mudam percursos e horários
Diversas agremiações estão mudando os seus horários ou locais para evitar o “choque” com as baterias de samba nas ruas mais centrais do Sítio Histórico, como as do Bonfim, Prudente de Moraes e Amparo.
Um exemplo é a troça Se Eu Flopar Me Beija, que desfila há 10 anos. “No começo, nos concentramos no Carmo e pegamos ruas principais, como a Prudente de Moraes e a Ribeira. Em 2020, a troça não conseguiu continuar o trajeto após encontrar uma bateria que ficou uma hora parada na Ribeira”, diz Célio Gouveia, diretor desta troça e do Elefante de Olinda.
“Parece ser um problema recente, mas é algo de certa forma já antigo. Tivemos de nos adaptar. A partir de 2023, saímos da Rua João Lapa e pegamos a Rua João Henrique Cavalcante, que, inclusive, se tornou um corredor do frevo“, conta.

Imagem aérea do Carnaval de Olinda na Terça-feira Gorda, em 2025 – JC IMAGEM
“Diversas agremiações não pegam mais ruas tradicionais porque se cruzam com o samba, é preciso desarmar tudo. É muito esforço, como vender camisa, para na hora dissolver. Então, pegam percursos alternativos, como pela Sé, Joaquim Cavalcanti, Guadalupe ou Bonsucesso”.
O folião e morador do Sítio Histórico Lucas Labanca, 29, também reforça a mudança dos percursos.
“Em 2023, eu estava no Tira Lama, que sai no domingo de Carnaval do Mosteiro de São Bento. Quando ele chegou na Praça Laura Nigro, se chocou com uma bateria que ficou cerca de 40 minutos fazendo uma espécie de show particular para alguns globais que estavam na janela da Casa Criatura. Foi necessário desviar o caminho pela Rua Porto Seguro, onde ficam os banheiros. Foi péssimo”, diz.
Entre outras troças que se adaptaram estão Caranguejo Papa Mé, Taqui Proces, Quem Cola Entra, Umuarama e Ema.
Foliões comentam ‘aperto’
Foliões também relatam dificuldades nos cortejos. “O desfile das Sambadeiras na terça quase culminou em tragédia. A bateria evoluindo muito lentamente com a bateria Cabulosa na sequência, mais rápido. O público está se acumulando cada vez mais… Em certo cruzamento, pessoas chegaram a cair. Eu estava nessa agonia, foi traumático”, disse Gilson Romão, 21 anos, morador do Paulista, no Grande Recife.
“O Patusco já é grande. As Sambadeiras tinham o dobro/triplo do tamanho a ponto que não tinha nem espaço após o bloco até já vir o seguinte. Desproporcional, de fato”, opinou o folião Carlos Bronzeado, 32 anos, de João Pessoa e que brinca o Carnaval em Olinda há seis anos.
Desordenamento de ambulantes é problema, aponta ACASO


Henrique Guimarães, o “Deco”, presidente da bateria Patusco e da Associação Carnavalesca de Samba de Olinda (ACASO), acredita que o crescimento das baterias não tem atrapalhado a dinâmica do Carnaval, mas sim o desordenamento de ambulantes de rua e automóveis.
“Muitos ambulantes ocupam todas as calçadas e alguns ficam até na rua mesmo. Fora isso, carros de serviço operam fora do horário ideal. O que atrapalha não são os blocos – e nisso incluo também os blocos de frevo”, diz.
“Se os principais corredores da folia não tivessem ambulantes, seria muito menos sufocante. Na Ribeira, por exemplo, fica um corredor com menos de três metros para o bloco passar. Seria possível pensar em uma praça de alimentação, por exemplo, para uma melhor distribuição”, continua.
Sobre a questão dos carros de som, Deco afirma que a ACASO tem discutido uma padronização. “Independente do tamanho da bateria, o som teria o mesmo tamanho e potência, dentro das normas do Carnaval de Olinda. Esperamos chegar em um acordo”.
“Lei do Carnaval” assegura condições para desfiles

Pitombeira dos Quatro Cantos em Olinda 2025 – Gabriel Ferreira/JC Imagem
Episódios em que agremiações são impedidas de desfilar devido à falta de espaço, seja pelo excesso de sons eletrônicos ou pela presença de ambulantes, violam a Lei Nº 5306/2001 do município, a conhecida “Lei do Carnaval”.
Essa lei, sancionada no início da gestão de Luciana Santos (PCdoB) em 2001, é frequentemente lembrada por sua medida que impõe multas a sons eletrônicos em residências, mas sua abrangência vai muito além disso.
O artigo 12 do capítulo III, que trata dos “focos de animação”, destaca que as ruas do Sítio Histórico são consideradas “passarelas naturais”, e que deve ser garantido às agremiações “as condições necessárias para os desfiles nesses logradouros”, proibindo-se a instalação de qualquer tipo de sonorização ou barracas nos espaços para cortejos.
A “Lei do Carnaval” ainda ressalta que essas obrigações devem ser vigiadas por uma Comissão Permanente do Carnaval. Contudo, essa Comissão nunca foi criada, abrindo espaço para que infrações sejam naturalizadas – como foram no Carnaval de 2025.
O que diz a Prefeitura de Olinda
Em nota, a Prefeitura de Olinda confirmou que o tema tem sido “uma preocupação”.
“Foram realizadas, antes do carnaval, duas reuniões com esses segmentos, discutindo possibilidades para o futuro próximo, e novos diálogos vão acontecer após o Carnaval, para que ajustes possam ser feitos para o próximo ano”, diz.
“A Prefeitura de Olinda quer valorizar todos os segmentos, com equilíbrio. Da democracia cultural, mas também prezando pela questão da boa convivência dentro do carnaval”.





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