A despedida de Francisco Cuoco, morto aos 91 anos, começou cedo nesta sexta-feira (20). O corpo do ator já estava na Casa Daphnis de Freitas Valle, casarão histórico onde hoje funciona uma funerária, nos arredores da avenida Paulista, às 7h, quando o velório estava marcado para começar.
Houve demora no preparo da sala, porém, e a cerimônia só teve início cerca de 30 minutos depois.
A primeira colega de profissão de Cuoco a chegar, por volta das 11h30, foi Aldine Müller, que contracenou com ele em “O Salvador da Pátria”. “Eu ficava tímida perto dele, porque ele era muito elegante, muito chique. Ele e o Tarcísio Meira eram nossos grandes galãs”, afirma ela, que o vê como uma eterna inspiração.
Para Fúlvio Stefanini, que foi padrinho de casamento de Cuoco, o ator tinha como um dos traços mais fortes o profissionalismo. “Ele era brilhante, um ator maravilhoso. Sempre bem-humorado, então ríamos muito. Ele tinha uma alegria de vida que era muito forte.”
Por volta das 12h30, Diogo Cuoco, um dos filhos do ator, falou com jornalistas na porta da funerária. Ele destacou que o pai, na intimidade familiar, se portava como na vida pública —era piadista, generoso e muito trabalhador, em suas palavras.
“Estamos tristes, consternados, mas em paz. Meu pai foi em paz, eu estava junto com ele, e agora estamos com as lembranças, as memórias de tudo o que ele fez. Da pessoa humilde e generosa que ele foi. Isso permanece em nós, filhos e netos”, afirmou.
“A importância que a vida profissional tinha para ele, isso foi algo a que a longevidade dele estava muito ligada. Ele encontrou um propósito, que era esse ofício que ele exercia com tanto amor e dedicação”, disse ainda, antes de agradecer pelo trabalho da imprensa e da equipe médica que cuidou de Cuoco no hospital.
Os primeiros fãs chegaram ao velório, aberto ao público, mais cedo, por volta das 8h10. Eles completavam o circuito montado pela funerária com rapidez e deixavam o local —alguns, em boa parte mulheres mais velhas, visivelmente emocionados.
“Eu assisti a todas as novelas dele, desde os anos 1970. Ele era tudo de bom. Lembro muito do programa Só o Amor Constrói, da novela ‘Selva de Pedra’. Essa foi demais”, diz a aposentada Alice Gonzaga de Jesus, de 69 anos.
“Eu tenho 60 anos, então acompanhei ele desde muito cedo. Estava de passagem por São Paulo e vim me despedir”, diz Solange Sato, que trabalha na área da saúde em Curitiba.
Aos 79 anos, Eunice dos Santos Tirola tomou um táxi para ver Cuoco uma última vez. “Ele era dez, eu não perdia uma novela”, diz a aposentada, fã especialmente de “O Astro”. “Lembro muito dele, do Tarcísio Meira. Hoje eu já não vejo mais novela, porque os melhores estão indo embora.”
Mauro Alencar, especialista em teledramaturgia, parou para falar com jornalistas e ressaltou a importância de Cuoco na construção da imagem do Brasil moderno, nos anos 1970, e da consolidação da novela como um produto produzido em larga escala. “Ele é pilar absoluto desse movimento, ele foi um fenômeno avassalador.”
O apresentador e piloto Otávio Mesquita, que completa 66 anos nesta sexta, cancelou compromissos relacionados a seu aniversário para se despedir. Ele chegou ao velório muito emocionado e, entre lágrimas, disse ser grato pela amizade que teve com Cuoco.
Três viaturas da GCM, a Guarda Civil Metropolitana, ficaram posicionadas em frente ao casarão da Bela Vista, na zona oeste de São Paulo, ao longo da manhã, para acompanhar a movimentação, sem uma grande aglomeração de fãs ou curiosos.
O velório chegou a fim às 15h30, com a passagem do carro funerário que levava o corpo de Cuoco, sob aplausos dos cerca de 50 fãs que permaneceram ali até o fim da cerimônia. O sepultamento foi reservado a amigos e familiares.
Um dos maiores galãs da televisão brasileira e figura indissociável das telenovelas, astro de folhetins como “Selva de Pedra” e “Pecado Capital”, Cuoco morreu depois de passar cerca de 20 dias internado no hospital Albert Einstein.
O ator paulistano sofria de diversos problemas de saúde e estava sedado depois de contrair uma infecção causada por um ferimento. A causa da morte foi uma falência múltipla dos órgãos.
Cuoco deixa três filhos, Rodrigo, Diogo e Tatiana, que mora em Londres e veio visitar o pai no hospital, mas quando ele já estava sem consciência.


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