Parte de uma nova geração, rodas como Samba do Tutu e Conversa Fiada vêm resgatando uma cena musical que surgiu na Barra Funda com compositores negros no fim do século 19. Um dos nascedouros da batucada paulista, o bairro abrigou nomes como Dionísio Barbosa (1891-1977), fundador do cordão que deu origem à escola Camisa Verde e Branco.
Às quartas se dá o auge do movimento, quando se apresenta o Encontro de Bambas, roda de veteranos que serve de inspiração para outras rodas que vêm se formando por ali. O show é fixo às 19h no Bar do Sinval, onde o samba toca desde 1987.
Entre garrafas de cerveja e porções de torresmo, clientes se enfileiram na calçada e curtem um repertório que retoma enredos da agremiação Camisa Verde e Branco, fundada em 1953, além de sambas autorais de compositores da Barra Funda.
Quando a música termina, por volta das 21h30, o público migra em bando para o Fofoca’s Bar, a menos de cinco minutos dali, onde começa o Samba do Tutu, grupo de amigos que há um ano se tornou formalmente uma roda de samba.
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“Fazemos batucada cadenciada, respeitando as características da Camisa Verde e Branco, procurando também valorizar melodia e coro de vozes e fazer com que compositores participem cantando seus sambas autorais, para incentivar o movimento a se renovar”, explica Artur César Colares Ribeiro, o Tutu, músico e produtor.
Um desses nomes da nova geração é Sabrina de Almeida Guimarães, cantora, percussionista e antropóloga que pesquisa relações raciais. Em seu repertório, aparecem clássicos cariocas e paulistas, e também canções que celebram tradições de raízes negras como “Samba de Eleguá”, do compositor, escritor e pesquisador Nei Lopes.
Ao lado do Samba do Tutu, o Samba e Conversa Fiada é outra das atrações da região. O grupo se apresenta às quintas-feiras no Bar do Chagas, na rua João de Barros.
“Tocamos músicas que às vezes não são tão conhecidas, que fazem parte da história da Camisa [Verde e Branco], sobre a Barra Funda e os poetas da região. Mas também abrimos espaço para a participação de compositores e artistas que vêm nos visitar”, conta Victor Augusto Pereira, o Victor 7, à frente do Conversa Fiada.
Na beirada das rodas, vez ou outra se encontra a veterana Adriana Moreira, madrinha dos dois coletivos, que em setembro se apresentou com João Bosco na Sala São Paulo. A cantora também pesquisa a produção e a resistência de samba negro na cidade. Em seu repertório, aparecem músicas como “Fuzuê”, de Romildo Bastos e Toninho Nascimento, gravada por Clara Nunes em 1976, que celebra o samba negro criado em quilombo.
Mas quem não consegue sair no meio da semana também tem a chance de conhecer outras rodas durante o fim de semana. Um exemplo é o Tirambaço, que toca aos sábados e domingos na Cervejaria Central Barra Funda e que tem entre os criadores Arthur Tirone. Músico e cientista social conhecido como Favela, integra a terceira geração de uma família que vive na Barra Funda. “O bairro está num momento vigoroso. Nosso samba representa a Barra Funda, mas também traz gente de fora”, diz.
Encontro de Bambas – Bar do Sinval
R. Dr. Ribeiro de Almeida, 151, Barra Funda. Qua. a partir das 19h
Samba do Tutu – Fofoca’s Bar
R. Norma Pieruccini Giannotti, 366, Barra Funda. Qua., a partir das 21h
Samba e Conversa Fiada – Bar do Chagas
R. João de Barros, 23, Barra Funda. Qui., a partir das 19h
Rodas na Cervejaria Central Barra Funda
R. Sousa Lima, 5, Barra Funda. Sáb. às 16h e dom. às 15h


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