Como Banda Eva, com Felipe Pezzoni, busca espaço para além da nostalgia noventista

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Como Banda Eva, com Felipe Pezzoni, busca espaço para além da nostalgia noventista


A história da Banda Eva se confunde com a do próprio axé music, que completou quatro décadas no ano passado. Surgido em Salvador, o gênero viveu seu auge nos anos 1990, quando o Eva se consolidou como um dos principais nomes do Carnaval brasileiro, projetando vocalistas que se tornariam ícones da música nacional. Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Ricardo Chaves e Saulo Fernandes ajudaram a construir um repertório que atravessou gerações e levou o axé para todo o país.

Com mais de quatro décadas de existência, o grupo ajudou a transformar o axé em produto pop, com músicas que extrapolaram o circuito carnavalesco e passaram a tocar o ano inteiro em rádios e programas de TV em seus tempos áureos.

Canções como “Eva”, “Beleza Rara”, “Levada Louca”, “Arerê”, “Me Abraça” e “Alô Paixão” até hoje sustentam a relação afetiva do público com a banda e seguem sendo pilares de seus shows.

Hoje, sob o comando de Felipe Pezzoni, à frente da banda desde 2013, o Eva vive outro momento, o de sustentar essa história em um mercado mais fragmentado e competitivo. “A gente lida com um legado enorme e extremamente relevante para a música brasileira. É uma responsabilidade grande, mas também um desafio muito gostoso”, afirma o cantor.

A agenda de pré-Carnaval reflete esse esforço de ampliar a relevância da Eva para além da nostalgia noventista. O grupo passou por Fortaleza, Natal e São Paulo, no último domingo (8), onde comandou o bloco Beleza Rara. “É uma honra rodar o Brasil levando música, alegria e os sucessos do Eva. Isso já é um esquenta oficial para a folia”, diz Pezzoni.

Mesmo com a expansão, a capital baiana segue como eixo central da Eva. “O Carnaval de Salvador tem uma importância gigantesca pra gente. É onde tudo se orienta”, resume. Ainda assim, ele reconhece que o Carnaval cresceu em outras cidades e que existe uma demanda real por essa experiência. Por isso, além do tradicional Bloco Eva, a banda amplia sua presença em outras capitais como Florianópolis, Belo Horizonte e Recife, na tentativa de levar um gosto do que é a festa baiana para o resto do país.

No palco, nada é rígido. “Tem um esqueleto de repertório, mas o show de trio vai muito no flow. A gente sente o momento e vai ajustando”, afirma. Em Salvador, entram músicas mais locais e referências do cotidiano da cidade. Já fora da Bahia, o setlist privilegia clássicos que dialogam com a memória afetiva nacional. “O público quer cantar o que marcou a vida dele, e a gente entende isso.”

A perda de centralidade do axé ao longo dos anos como um gênero nacional é tratada por Pezzoni com naturalidade. “O mercado é cíclico. O axé não está naquela labareda dos tempos áureos, mas eu percebo esse retorno, essa chama voltando a crescer.” Para ele, o gênero nunca deixou de existir —apenas passou a dialogar mais com outros ritmos, como o pagode baiano, que está em plena expansão nos últimos anos puxado por nomes como Léo Santana. “Está tudo em casa. É tudo Bahia.”

As novidades musicais fazem parte dessa estratégia. “Eva Sinfonia”, aposta do grupo para o Carnaval, traduz esse momento. “Ela nasceu sem a intenção de ser uma música de Carnaval, mas virou uma música feita pra celebrar, pra ser feliz”, diz Pezzoni. A faixa é uma mistura improvável de axé e frevo com a 13ª serenata de Mozart.

Entre clássicos e inéditas, tradição e experimentação, a Banda Eva segue tentando responder à mesma pergunta de como permanecer relevante. Para Pezzoni, a resposta está na conexão humana e o distanciamento da lógica da inteligência artificial. “A tecnologia pode ajudar, mas nada substitui a conexão emocional e coletiva do Carnaval. É isso que mantém o Eva vivo até hoje.”



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