A derrubada do ditador por um grupo de rebeldes parece ter o apoio da população, mas é preciso ainda vislumbrar o que vem depois de Assad
Publicado em 09/12/2024 às 0:00
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Após mais de duas décadas no poder, exercendo o governo totalitário na Síria, o ditador Bashar al-Assad foi deposto por um grupo rebelde. Fugiu do país, enquanto parte da população comemorou, nas ruas, junto com o grupo que o tirou da presidência. O problema é que a revolta pode não significar uma transição esperada para a democracia, uma vez que o grupo HTS é uma dissidência da Al Qaeda, sendo visto como integrado por terroristas pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pela Turquia. Se a queda de um ditador é motivo de alívio e esperança em qualquer lugar do mundo, as condições da derrubada e o destino coletivo impõem cautela, no cenário aberto a partir de agora para os sírios – e para a região.
Ainda não dá para se prever as consequências políticas para os países vizinhos e para a própria Síria, por exemplo, em relação ao comportamento do Irã, que se alinhava com a ditadura de Assad. Ou da Rússia, que já impediu a derrocada de Assad antes, e pode abrigar o presidente em fuga. No entanto, Putin tem a guerra na Ucrânia para se ater, no momento em que os Estados Unidos anunciam apoio financeiro da ordem de 1 bilhão de dólares para Kiev, após encontro de Zelenski com Donald Trump. A delicada situação naquela área do planeta recomenda cautela no olhar externo que tende a celebrar a deposição do ditador, na expectativa de um recomeço para a democracia.
Os conflitos dentro do território sírio pelo poder acontecem há mais de uma década, o que torna a saída de Assad um ponto de culminância em longo processo de desgaste. Por outro lado, a natureza desses conflitos não se baseia, em princípio, na reivindicação em favor de instituições democráticas, e sim, no desejo de poder expresso por grupos armados. A família de Assad dominava o país desde os anos 1970, há mais de 50 anos exercendo a força totalitária contra o povo. A comunidade internacional pode até pressionar pelo restabelecimento institucional, mas o fato é que a reconstrução democrática na Síria pode levar tempo, sendo a queda de Assad um marco desse caminho – e não uma virada instantânea para a democracia.
A crise deflagrada pela saída do regime autocrático pode abrir uma janela de oportunidade para a democracia, mas é improvável que haja condições plenas dessa substituição no curto prazo. A disputa pelo poder em Damasco, por outro lado, amplia a incerteza e a apreensão pela expansão de conflitos internos numa nação conturbada pelo vácuo de governo. Quando elementos externos avaliam o quadro que se desenha, a posição de superpotências como os EUA e a Rússia demanda ainda mais cuidado para uma avaliação do que virá na Síria após Assad. É difícil imaginar o apoio dos russos, por exemplo, à realização de eleições nacionais para a recomposição institucional na Síria, algo sempre negado pelo presidente deposto. Além disso, será necessária uma recomposição da organização social e política, pela população síria, a fim de que as bases democráticas ganhem consistência para afastar, de vez, as tentações autoritárias e o exercício de poder que se confunde com o uso de armas e o abuso da opressão.

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