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Paulo Mendes da Rocha foi um arquiteto dedicado às pessoas. Os espaços que criava eram pensados para as convivências. Seja projetando espaços públicos para milhares ou propriedades particulares para alguns, sempre deixava uma marca de generosidade.
Um exemplo notável, destacado na reportagem de João Perassolo, é a piscina do Sesc 24 de maio, que permite às pessoas se banharem em meio à selva de pedra que marca o panorama da capital paulista.
Essa e outras grandes obras estão reunidas no livro “Geografias Construídas” (Casa da Arquitectura, R$ 498, 430 págs.). A obra engloba desenhos, plantas, fotos e textos sobre 12 dos principais projetos do vencedor do prêmio Pritzker, o Oscar da arquitetura. Escrevem para o livro dezenas de intelectuais e admiradores do arquiteto, como Daniele Pisani, Guilherme Wisnik e Ruth Verde Zein.
O título faz alusão à visão de Mendes da Rocha sobre terrenos, partes intrínsecas em seus projetos. Suas obras são um retrato de como o ser humano transforma a natureza para se estabelecer nela.
Acabou de Chegar
“Um Rio sem Fim” (Alfaguara, R$ 79,90, 184 págs.) foi lançado em 1998, mas não recebeu muita atenção. Na época, a autora Verenilde Pereira encontrava em sebos as cópias que havia distribuído em jornais. Hoje, com o relançamento do livro por uma grande editora, a história é outra, como conta o jornalista João Gabriel. A obra sobre vidas às margens do rio Negro ganha destaque e a escritora esteve na Flip, neste mês, como uma das protagonistas da programação principal.
“Jacarandá” (trad. Mirella Botaro e Raquel Camargo, Editora 34, R$ 72, 240 págs.), de Gaël Faye, retrata o genocídio ruandês pela visão de migrantes que deixaram o país em busca de uma vida melhor. O protagonista é um adolescente que vive na França, filho de mãe ruandesa, que acompanha a violência pelos jornais. A obra “não é sobre os restos que a morte deixa em seu longo rastro de destruição, mas, pelo contrário, é sobre os vestígios da vida humana que sempre resiste”, escreve o crítico Luiz Mauricio Azevedo.
“Partindo o Pão” (trad. Floresta, WMF Martins Fontes, R$ 64,90, 352 págs.) reúne ensaios e diálogos entre os amigos bell hooks e Cornel West. Os dois intelectuais negros americanos creditam sua carreira ao incentivo da igreja. A instituição ganha centralidade no debate de “forma pessoal, maçante e um pouco moralista”, como aponta a crítica Thaís Regina. Para ela, o livro trata da importância da comunidade, ao mesmo tempo que cede aos envolvidos o direito à contradição.
E mais
O primeiro romance da jornalista Bianca Santana conta a história de uma avó, Apolinária, e de sua neta, inspirada na autora. Por meio de “Apolinária” (Fósforo, R$ 69,90, 112 págs.), Santana, que é colunista da Folha, traz relatos que ouviu de sua própria avó. Ela diz ao repórter Isac Godinho que muitas vezes a voz de mulheres mais velhas como ela não aparece na literatura brasileira, “ou aparece como objeto, de forma muito estereotipada”.
“Patriota” (trad. Clóvis Marques, Rocco, R$ 119,90, 464 págs.) é o título do livro póstumo de Alexei Navalni, o maior adversário do líder russo Vladimir Putin. Lançada um ano após a morte do autor, a obra reúne suas memórias desde a infância na União Soviética, com acesso a comidas fracionadas, até as várias condenações e tentativas de assassinato das quais foi alvo. Apesar de todos os reveses das incursões políticas do russo, a repórter especial Patrícia Campos Mello destaca a presença do humor nos relatos de Navalni.
A Ubu, que lançou sua tradução de “O Capital” há apenas três meses, agora vai disponibilizar o primeiro volume do clássico de Karl Marx gratuitamente em versão digital. A editora afirmou ao Painel das Letras que a iniciativa mira o livre acesso ao conhecimento, principalmente para universitários. A versão impressa continuará sendo comercializada por R$ 159.
Fuvest
Pela primeira vez a Fuvest, vestibular que dá acesso à USP, adota uma lista de leituras obrigatórias composta 100% por autoras mulheres, muitas delas estreantes na seleção. Tanta novidade pode assustar os estudantes, mas traz novos debates para a sala de aula.
“Canção para Ninar Menino Grande”, de Conceição Evaristo, evidencia um dos pontos mais fortes de sua autora: a criação de personagens negros complexos que vão além de estereótipos. Ela própria uma mulher negra, Evaristo foi criada em um lar onde ensinamentos de vida foram transmitidos através de histórias orais, as quais hoje inspiram sua obra literária.
Além dos Livros
Após ser proibida pela prefeitura de usar a praça das Artes e migrar para outros endereços, a Flipei terminou no último domingo, dia 10. A Festa Literária Pirata das Editoras Independentes lotou o Galpão Elza Soares em sua abertura. O historiador judeu israelense Ilan Pappe e o ativista brasileiro Thiago Ávila deram início ao evento com um protesto pró-Palestina. Também passou por lá a argelina Louisa Yousfi, autora de um ensaio em defesa das identidades bárbaras.
O Jabuti Acadêmico anunciou os vencedores deste ano em uma cerimônia na última semana. As mais premiadas da noite foram as editoras Edusp e Zahar, com duas vitórias cada. Pela regra que impede inscrições em mais de uma categoria, cada autor levou apenas um troféu e o prêmio de R$ 5.000. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concorria na categoria direito e saiu de mãos vazias.
Após dois anos à frente da programação principal da Flip, a curadora Ana Lima Cecilio deixa o cargo e vai para o Grupo Record. Editora há 20 anos no mercado, com passagens pela Cosac Naify, Carambaia e Globo Livros, Cecilio foi contratada por um dos maiores conglomerados da América Latina para cuidar do setor de ficção brasileira, como conta a reportagem de João Rabelo.
A editora Casa Matinas acaba de começar seus trabalhos apostando no modelo “print on demand”, ou impressão sob demanda. Sem grandes tiragens, promoção em vitrines de livrarias ou títulos inéditos, o novo empreendimento só imprime exemplares após realizar sua venda. “Traz economia de produção, de distribuição e de estocagem. São coisas que a economia contemporânea precisa. Porque este é um mundo que precisa eliminar desperdícios”, afirma o fundador Matinas Suzuki Jr. ao repórter especial Ivan Finotti.


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