Carnaval 2026: conheça a história dos Caiporas de Pesqueira e seu legado cultural

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Carnaval 2026: conheça a história dos Caiporas de Pesqueira e seu legado cultural


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Estatura pequena, máscaras de cabeção, roupas marcantes e o som forte de zabumba, sanfona e percussão anunciam a chegada deles pelas ladeiras de Pesqueira. Entre o susto e o encantamento, os Caiporas transformam as ruas em um espetáculo de cultura popular e memória coletiva.

Presente há mais de seis décadas no Carnaval do Agreste pernambucano, o bloco se consolidou como um dos mais emblemáticos da região e se tornou símbolo da identidade cultural de Pernambuco.

Nesta matéria, você vai conhecer a origem dos Caiporas de Pesqueira, as transformações ao longo dos anos e a importância desse legado para a cultura pernambucana.

História do bloco

O que começou como uma brincadeira entre amigos nas ladeiras de Pesqueira, se transformou em um dos maiores símbolos culturais do município e também em Patrimônio Vivo de Pernambuco.

Criado em 1962, o bloco carnavalesco e cultural “Os Caiporas de Pesqueira” carrega mais de seis décadas de história e identidade popular.

O atual presidente do bloco, Aristóteles Rodrigo de Melo, conta que a ideia surgiu quando um grupo de amigos, operários da antiga indústria alimentícia Carlos de Brito S.A., queria sair da “mesmice” das fantasias inspiradas nos filmes de faroeste americano, uma das poucas referências que se tinha na época. Foi à partir da inovação que surgiu o bloco.

Aristóteles também explicou que entre os operários da indústria também havia caçadores, acostumados com as histórias da mata. Segundo a tradição popular, para entrar no mato sem se perder, era preciso oferecer cachaça e fumo aos caiporas, figuras míticas protetoras das florestas. À partir daí, o nome foi escolhido em conjunto.

No dia 3 de março de 1962, o grupo saiu pelas ruas e ladeiras de Pesqueira pela primeira vez. Vestidos de preto, acompanhados por zabumba, sanfona, triângulo e reco-reco, surgiam oficialmente os Caiporas.

Ao lado deles, desfilavam também as chamadas “Gatas Magas”, homens e mulheres igualmente caracterizados que acompanhavam a brincadeira.

Tradição passada de geração para geração

A tradição foi mantida de forma quase familiar. Um dos pioneiros foi João Justino de Melo, conhecido como Gilette, pai de Aristóteles.

“Eu tinha medo dos Caiporas, como toda criança. Hoje em dia, as crianças são quem fazem medo aos Caiporas. Nos anos 80, a segunda geração, que é o meu caso, já assumiu. Nós saímos pelas ruas de Pesqueira, já como troça”, explicou Aristóteles.

A troça passou a envolver crianças e moradores das redondezas, fortalecendo o vínculo comunitário.

Atualmente, o bloco reúne brincantes de 4 a 80 anos de todos os gêneros e já alcança a quinta geração da mesma família.

“Hoje, os Caiporas de Pesqueira são patrimônio. Nós preservamos os saberes indo às escolas, indo a festivais e sempre mostrando que se você for forte na cultura, você vai ser lembrado. Quando se fala de Pesqueira, as pessoas já associam a imagem, que é a cidade dos Caiporas. Então, temos que levar esse legado para as gerações futuras! Fazer com que esses saberes não fiquem restritos à cidade, e sim ao Brasil todo, porque isso é cultura popular. E cultura popular, ao meu ver, significa identidade”, finalizou.

Em 2024, o bloco foi reconhecido como Patrimônio Vivo do Estado – Reprodução: Redes Sociais/@oscaiporasdepesqueira

Representatividade para Pernambuco

“Falar de o que os Caiporas representam para Pesqueira e Pernambuco, hoje é só alegria”, afirmou Aristóteles.

O reconhecimento oficial veio em duas etapas. Em 2017, os Caiporas receberam o título de Patrimônio Imaterial de Pernambuco. Em 2024, o grupo foi reconhecido como Patrimônio Vivo do Estado, uma das maiores honrarias da cultura pernambucana.

“A representatividade dos Caiporas de Pesqueira na cultura pesqueirense e pernambucana é muito grande. E muitas pessoas, quando veem os caiporas, ficam admiradas, querendo entender como é que uma pessoa daquele tamanho fica tão pequenininha (por causa das fantasias). Só em pensar e fazer parte desse grupo seleto de Patrimônios Vivos de Pernambuco… foi o momento mais edificante de um fazedor de cultura.”

Para Aristóteles, os Caiporas de Pesqueira vão muito além do Carnaval. Tornaram-se a marca registrada da cidade.

Impacto visual

Um dos aspectos que mais chamam atenção é a estética do bloco. O “cabeção” e a estrutura das fantasias criam a ilusão de figuras pequenas e enigmáticas, provocando surpresa no público.

As fantasias são renovadas periodicamente. Neste ano, passaram a ser dupla face. O artista responsável pela pintura buscou inspiração no Mirante de Pesqueira, ponto mais alto da cidade, para pintar cerca de 80 fantasias baseadas na paisagem e na cultura local.

Principal desafio

O principal desafio, segundo Aristóteles, é despertar o interesse dos mais jovens em meio às transformações trazidas pela internet e pelas novas formas de entretenimento.

“O grande desafio é passar esse saber, fazer com que os jovens que estão chegando se inteirem e se interessem para preservar essa cultura. Hoje em dia a cultura está muito diversificada com a internet e com meios mais fáceis de se conseguir as coisas. Então, a nossa grande luta é essa: manter, preservar e avançar”, afirmou.

Entre as máscaras, estopas, ombreiras e instrumentos que ecoam pelas ladeiras, os Caiporas de Pesqueira seguem reafirmando um legado, uma tradição que nasceu de uma intenção simples de se divertir e se transformou em símbolo cultural de Pernambuco.

Assista aos Maestros do Frevo:



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