Intercâmbio cultural tem sido uma das apostas da agremiação, apesar da complexidade logística envolvida: ‘Desdobramentos estão sendo revigorantes’
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Tradição iniciada na zona rural de Correntes, no Agreste de Pernambuco, em 1989, o Boi da Macuca alça seus primeiros voos rumo ao Sudeste, com cortejos no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Os desfiles, realizados nos dias 24 e 25 de janeiro, respectivamente, levarão a experiência em sua totalidade: alegoria gigante do boi, estandarte, abre-alas, clarins e a orquestra do maestro Oséas em formação completa. Ao todo, serão mais de 70 integrantes.
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O público carioca e paulista poderá assistir ao cortejo no mesmo formato apresentado há cerca de dez anos em Olinda, quando o Boi se consolidou oficialmente como um bloco de frevo.
O repertório reúne frevos tradicionais, composições autorais e versões em frevo de músicas do cancioneiro nordestino, a exemplo de clássicos do forró. Em Olinda, a agremiação tem se destacado por incorporar ao repertório canções como “Lamento Sertanejo”, de Dominguinhos, ou “Ciranda de Maluco”, de Otto.
Neste ano, o grupo também lançou o álbum “Frevo Macuca”, em parceria com o músico Henrique Albino, pesquisador da música instrumental experimental. O disco reúne interpretações de nomes como Lenine, Jorge Du Peixe, Siba, entre outros.
‘Intercâmbio tem desdobramentos revigorantes’
Ao JC, Rudá Rocha, conselheiro de arte e cultura do Boi da Macuca, afirmou que o intercâmbio cultural é um desejo da agremiação, apesar da complexidade logística envolvida.
“São muitos integrantes, alegorias gigantes. Por conta disso, muitas vezes, o frevo, quando sai de Pernambuco, acaba sendo apresentado em uma versão reduzida. Não era esse o nosso intuito”, diz Rudá, que é filho do fundador José Oliveira Rocha, o Zé da Macuca, falecido aos 67 anos.

Boi da Macuca em cortejo em Olinda – NICOLE RODRIGUES/DIVULGAÇÃO
Para Rudá, quando o intercâmbio consegue ser realizado, os desdobramentos são revigorantes. Ele cita, por exemplo, a histórica viagem do Clube Vassourinhas a Salvador, na década de 1950, em um navio abarrotado de pessoas. Aquela aventura acabou estimulando o surgimento dos trios elétricos, a partir das experiências de Dodô e Osmar.
“A gente entende que são iniciativas potentes da cultura tradicional, quando ela consegue viajar com um corpo brincante completo para outra cidade, mostrando a realidade como ela é nas ruas de suas casas”, afirmou.
Articulação e financiamento são complexos
As primeiras viagens do Boi da Macuca ocorreram ainda em 2025, com passagens por Salvador (BA), Maceió (AL) e João Pessoa (PB). A agremiação avaliou positivamente a repercussão entre foliões, imprensa e influenciadores digitais.
“É uma articulação grandíssima. Contamos com apoios institucionais, agremiações parceiras e órgãos públicos, além de anfitriões em cada cidade. Não queremos parecer que estamos ‘invadindo’ a casa dos outros. Gostamos de entender como é cada cidade”, disse Rudá.
Após essas articulações, vem a etapa de financiamento do aporte necessário para viabilizar a turnê. “Para isso, temos projetos de incentivo, patrocínio direto e a venda de produtos da Macuca, que ajudam a tornar tudo possível”, completou.
Confira os desfiles do Boi da Macuca em 2026
Rio de Janeiro
24 de janeiro
Museu do Amanhã – Praça Mauá, 1 – Centro
Concentração: 14h
São Paulo
25 de janeiro
Casa de Francisca – Rua Quintino Bocaiúva, 22 – Sé
Concentração: 14h
Recife / Olinda
Desfile Oficial
Segunda-feira, 16 de fevereiro, às 19h
Largo do Amparo
Desfile Especial de Aniversário
Quarta-feira, 18 de fevereiro, às 18h
Largo do Guadalupe
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