Carla Boregas e Anelena Toku misturam eletrônica a sons da natureza em disco

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Carla Boregas e Anelena Toku misturam eletrônica a sons da natureza em disco


É difícil não associar um dos sons que se ouve na primeira faixa do novo disco da dupla Carla Boregas e Anelena Toku ao barulho de asas de pássaros batendo. Embora não haja, na música, o registro sonoro de qualquer animal alado, a impressão do ouvinte parece estar de acordo com a intenção das criadoras.

“A gente está tentando trazer a presença dessas entidades, dos bichos, das plantas, para junto da gente”, afirma Toku, ao comentar a sua relação e de Boregas com a Mata Atlântica. Da praia paulista de Massaguaçu, localizada em meio ao bioma, vieram pedrinhas, galhos de árvores e vidros jogados na areia que fizeram as vezes de instrumentos em algumas faixas do disco.

“Fronte Violeta”, o terceiro álbum da dupla de artistas conhecidas na cena de música independente de São Paulo, chega nesta sexta-feira aos serviços de streaming e também ganha lançamento em vinil —parte da tiragem será acompanhada por incensos produzidos por Toku. A ideia é que eles sejam queimados enquanto as faixas rolam no som.

São dez composições em 29 minutos que misturam sintetizadores com sons da natureza, celebrando a união de opostos —a tecnologia feita pelo homem e os elementos da flora e da fauna. Mais do que uma obra de eletrônica não dançante, “Fronte Violeta” é uma exploração de paisagens sonoras, porque suas faixas, instrumentais, não têm a estrutura convencional de músicas, mas ainda assim formam uma narrativa coesa se ouvidas da primeira à última.

“Sempre tive interesse muito mais pela propriedade e pelos timbres do som do que pelo instrumento em si. Nunca me vi como instrumentista, mas como artista que usa o som como linguagem. Gosto muito da ideia de como o som afeta o corpo, essa sensação que você cria através do ritmo, da repetição, da intensidade “, afirma Boregas, ex-baixista da banda Rakta, sensação no underground paulistano, e metade da dupla com o baterista Maurício Takara em outro projeto.

“Fronte Violeta” foi praticamente todo composto durante a pandemia, período em que Boregas morou em Massaguaçu. Ela explorava os sons do meio ambiente —e aprendia a ouvir o silêncio— antes de trocar seus rascunhos sonoros com Toku, que trabalhava com sintetizadores em cima do material para, em seguida, viajar de São Paulo até o litoral, onde juntas elas criavam as peças sonoras.

Passado o isolamento social, Boregas se mudou para Berlim. Lá, conheceu o músico e DJ Nicolas Jaar, uma importante figura da cena eletrônica de vanguarda, que topou mixar as faixas com ela e lançar o disco pelo seu selo, Other People. Neste meio tempo, Toku, que também trabalha como artista visual, trocou São Paulo por Londres.

O novo álbum resulta de uma parceria musical de dez anos que começou no tapete do apartamento que as artistas dividiram em São Paulo, momento no qual começaram a exploração sonora de sintetizadores e do baixo, instrumento de Boregas na sua então banda Rakta. A dupla lançou uma fita cassete formada por uma longa peça de 27 minutos e depois um disco, “Flama”, em 2018, pelo selo japonês Depth of Decay.

Elas salientam que seu projeto é multissensorial, não apenas musical —daí a ideia do vídeo de “Clarão”, faixa que se completa visualmente ao ser ilustrada com imagens da natureza em movimento e dos incensos criados para o disco. “O som e o cheiro são os sentidos das coisas invisíveis”, afirma Toku. “Eles nos afetam de maneira muito forte emocionalmente.”



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