Brasil vê 17,4 milhões deixarem a pobreza e migrarem para as classes A, B e C em apenas dois anos, aponta FGV

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Brasil vê 17,4 milhões deixarem a pobreza e migrarem para as classes A, B e C em apenas dois anos, aponta FGV


Estudo mostra que avanço foi puxado principalmente pela renda do trabalho e fez a classe média atingir o maior patamar da série histórica desde 1976

Por

JC


Publicado em 12/01/2026 às 18:45



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Em apenas dois anos, 17,4 milhões de brasileiros deixaram a pobreza e passaram a integrar as classes A, B e C, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) de 1976 a 2024. Para efeito de comparação, esse contingente equivale à população inteira do Equador.

O levantamento mostra que o ritmo dessa mobilidade social entre 2022 e 2024 foi 74% mais acelerado do que o observado entre 2003 e 2014 — outro período marcado por forte ascensão social no país. Nesse intervalo recente, a parcela da população nas classes A, B e C cresceu 8,44 pontos percentuais, sendo que cerca de 13 a 14 pontos percentuais correspondem a pessoas que recebem o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Trabalho como principal motor

Para o diretor da FGV Social e autor do estudo, Marcelo Neri, o elemento central dessa transformação foi o mercado de trabalho.

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“O ganho de renda do trabalho foi o principal motor de ascensão social da chamada classe média. A regra de proteção do Bolsa Família impulsiona a geração de carteiras de trabalho, que talvez seja o principal símbolo da nova classe média vinda da base da distribuição de renda”, afirmou.

Segundo ele, o movimento observado não se resume à ampliação do consumo, mas representa uma mudança mais profunda na inserção econômica de milhões de brasileiros, com maior estabilidade e previsibilidade de renda.

O que significam as classes sociais

As classes A, B e C são categorias utilizadas em estudos socioeconômicos para classificar a população conforme a renda familiar. A classe C, associada à classe média, reúne famílias que conseguem atender às necessidades básicas e têm algum poder de consumo. Já as classes B e A correspondem às faixas de renda mais altas, com maior estabilidade financeira e capacidade de poupança.

O estudo indica que, em 2024, o Brasil alcançou o maior nível histórico de participação da classe média e das classes de maior renda desde 1976. A soma das classes A, B e C chegou a 78,18% da população. A classe C respondeu por 60,97%, enquanto as classes A e B reuniram 17,21%.

Base encolhe, topo cresce

Ao mesmo tempo, as classes D e E — que concentram os grupos de menor renda — atingiram os menores níveis já registrados na série histórica: 15,05% e 6,77%, respectivamente.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, afirmou que os dados refletem a combinação entre políticas sociais, crescimento econômico e geração de empregos.

“Os mais pobres vêm ganhando oportunidades com o crescimento econômico acima de 3% ao ano, possibilidades de emprego e pequenos e médios negócios, ampliando a renda, aumentando a capacidade de consumo, o que impulsiona o próprio crescimento contínuo da economia”, disse.

Ele também destacou o papel dos programas de transferência de renda como porta de entrada para o mercado formal:

“Como diz o presidente Lula, é o dinheiro nas mãos de milhões dentre os mais pobres, que começam com um Bolsa Família e depois as portas se abrem para um emprego ou um negócio apoiado”, completou.

Mais do que um retrato conjuntural, o estudo aponta para uma mudança estrutural no perfil socioeconômico do país, com a ampliação da classe média e a redução histórica da pobreza — um movimento que tende a influenciar o consumo, o mercado de trabalho, a demanda por serviços públicos e privados e o próprio desenho das políticas sociais nos próximos anos.





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