Boicote a María Corina Machado acende debate sobre limites do diálogo cultural

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Boicote a María Corina Machado acende debate sobre limites do diálogo cultural


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A decisão de três escritores latino-americanos de recusar um convite para o Hay Festival de Cartagena, em janeiro, abriu uma fissura incômoda no discurso de pluralidade que sustenta o principal evento literário da região.

Os colombianos Laura Restrepo (que viveu muitos anos na Argentina e atuou junto aos Montoneros) e Giuseppe Caputo, além da autora dominicana Mikaelah Drullard, anunciaram que não participarão da edição de 2026, o que colocou no centro do debate não apenas a presença de uma convidada controversa, mas os limites do diálogo cultural em tempos de radicalização política.

A recusa tem como alvo a participação de María Corina Machado, figura central da oposição ao chavismo e presença anunciada na programação do festival. Os autores alegam discordância profunda com suas posições sobre temas como Israel e Gaza e, sobretudo, com declarações sobre a intervenção militar dos EUA na região. Ao optar pelo boicote, transformaram o convite em terreno de disputa ideológica.

O gesto chama atenção também pelo perfil dos que dizem não. Laura Restrepo é uma das vozes mais reconhecidas da literatura colombiana contemporânea, autora de romances marcados pela crítica política e pelo engajamento com conflitos sociais.

Giuseppe Caputo, poeta e romancista, construiu sua obra em torno da marginalidade, da identidade e da violência estrutural. Mikaelah Drullard, menos conhecida do grande público, vem se afirmando como ensaísta e escritora ligada a debates decoloniais e anticapitalistas no Caribe.

A organização do Hay Festival respondeu reafirmando sua defesa da liberdade de expressão e do diálogo plural, ressaltando que o festival não endossa as posições políticas de seus convidados.

Ainda assim, o episódio expõe uma tensão crescente: até que ponto escritores dispostos a confrontar sistemas de poder aceitam compartilhar o mesmo palco com vozes que alguns consideram inaceitáveis? E até que ponto vale a pena fechar o debate quando um possível ataque à costa caribenha, que é também colombiana, se trata de um movimento inteligente?


Mirada

A institucionalidade vai bem, obrigada, no Chile. No começo da semana, o presidente eleito José Antônio Kast se reuniu com a ex-mandatária do Chile, Michelle Bachelet (2006-2010, 2014-2018). Entre os assuntos, as responsabilidades do cargo e, ainda, a dúvida: será que Kast seguirá Boric no apoio à sua candidatura à Secretaria Geral das Nações Unidas?


Latinas

Artigo de Opinião – El País

Leila Guerriero, jornalista e escritora argentina, lê a escrita como um ofício sem garantias, feito de solidão, euforia breve e fracasso recorrente. Ao cruzar a francesa Marguerite Duras com o diário do peruano Julio Ramón Ribeyro, ela nomeia essa vida errante do escritor: um tesouro precário, vivido entre páginas que não vêm e dias em que escrever é a única forma possível de estar no mundo. (Leia aqui)

Coluna – Folha de S.Paulo

Na minha análise do domingo passado, afirmei que Kast não seria um Bolsonaro ou um Milei. A premissa era que o Chile tem instituições e um Congresso que estabelecerão pesos e contrapesos que ele dificilmente será capaz de ignorar, como o presidente da Argentina está fazendo desde o primeiro dia de seu mandato. Hoje li a muito boa coluna da colega Camila Rocha dizendo que não, de fato, mas que seria “muito pior”.

Camila e seus seguidores, apenas a história nos dirá quem acertou. Mas eu não creio que uma visita a Milei e um discurso raivoso contra imigrantes se transformem em políticas públicas. Vamos esperar que tudo isso de fato aconteça. Se tomarmos as falas de Milei como exemplo, já teríamos a economia dolarizada e o Banco Central em cinzas. Como diz um grande amigo e jornalista argentino, Ernesto Tennembaum: “É realmente impressionante o que politicos podem dizer quando embriagados pelo poder.”

A posse de Kast é dia 11 de março. Está longe. Vamos guardar as previsões catastrofistas para depois. (Leia aqui)



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