Bexiga atrai novidades, mas mantém tradição no samba e na comida; veja roteiro na região

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Bexiga atrai novidades, mas mantém tradição no samba e na comida; veja roteiro na região


As ruas Treze de Maio e Rui Barbosa, no Bexiga, enfileiram pequenos negócios. Padarias e cantinas italianas do século 20 dividem calçada com restaurantes recém-abertos, enquanto o samba de moradores nascidos ali divide espaço com novos bares do gênero. Nos últimos anos, a região atraiu empreendimentos, mas manteve suas tradições.

O Bexiga não é um bairro demarcado oficialmente —o território faz parte do distrito da Bela Vista—, mas se firmou assim no imaginário do paulistano. Não é difícil entender o porquê.

A sua identidade pode ser vista nas construções coloridas do início do século 20, no fervo cultural recente, no senso de comunidade dos moradores e na grafia de seu nome —além de Bexiga, também pode ser Bixiga, uma variação que pode ter surgido na comunidade italiana ali instalada.

O local começou a receber moradores por sua abundância de água. Uma das propriedades mais antigas da região é a chamada campos ou pastos do Bexiga. O território tinha início na atual praça da Bandeira, seguindo ao sul da . Dali, juntava-se a outras terras rurais banhadas pelos rios Saracura, de um lado, e Itororó, do outro, até onde hoje está a avenida Paulista.

Antes disso, no período pré-colonial, a área era território de passagem indígena. Nos séculos 18 e 19, a região foi habitada por negros escravizados, fugidos do comércio que acontecia no espaço próximo de onde fica atualmente o vale do Anhangabaú.

Com a urbanização da região, os rios Saracura e Itororó foram canalizados e, por cima, construídas as avenidas Nove de Julho e 23 de Maio, respectivamente. O trecho do meio, concentrado entre onde hoje fica a avenida Brigadeiro Luís Antônio e a rua Santo Antônio, foi loteado e ocupado por imigrantes italianos, portugueses e, depois da década de 1950, por nordestinos.

“O Bexiga foi um acolhedor de migrações. Um bairro dos ofícios, formado por sapateiros, costureiras e quituteiras, por exemplo”, afirma Eribelto Peres Castilho, historiador e pesquisador do Instituto Bixiga.

Isso formou a identidade do que hoje é o Bexiga. Toda a região, no entanto, foi registrada como o distrito de Bela Vista, nome criado via abaixo-assinado pelos grandes proprietários de terras da região. A ideia, segundo o documento, era desvincular o bairro da imagem de trabalhadores pobres e torná-lo mais palatável às elites.

Para os moradores, o nome segue sendo Bexiga, mesmo sem a delimitação de território oficial. “O Armandinho Puglisi, um dos maiores promotores do bairro, falava que Bexiga é um estado de espírito. Se você estiver em um lugar que sente que é, você está no Bexiga”, diz Nádia Garcia, 48, nascida e ainda moradora do bairro.

O estado de espírito citado pelos moradores é defendido pela comunidade, que busca reconhecimento da memória do que já aconteceu por ali.

Em 2024, por exemplo, escavações das obras da linha-6 laranja do metrô foram paralisadas após vestuários e objetos que podem pertencer ao sítio arqueológico do quilombo Saracura, de aproximadamente 280 m², serem encontrados no local.

Desde então, o grupo chamado Mobiliza Saracura/Vai-Vai reivindica que as peças sejam expostas em um museu na própria estação ou no seu entorno.

Outra movimentação recente é a da criação do parque Bixiga no cruzamento das ruas Jaceguai e Abolição, em volta do Teatro Oficina. Segundo previsões otimistas, a área verde seria aberta apenas em 2027, depois de cumpridas etapas burocráticas.

A Prefeitura de São Paulo, porém, já anunciou que o projeto será definido por meio de um concurso nacional de arquitetura coordenado pelo IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil). O formato pretende incluir a população no debate.

É justamente a mobilização da comunidade e de endereços históricos que ajuda a manter a tradição viva. A região deu origem ao bloco de Carnaval Esfarrapados, um dos mais antigos da cidade, e à escola de samba Vai-Vai. Também estão ali o Madame e o Piu Piu, clássicos pontos de encontro de roqueiros.

Além disso, o Bexiga é onde se come bem, no sentido quantitativo e qualitativo da palavra. Um dos grandes exemplos são as festividades da igreja Nossa Senhora Achiropita, que começam no sábado (2).

A seguir, veja um guia do Bexiga, com restaurantes, teatros e passeios, entre lugares tradicionais e novos fervos.

BARES

Espaço Zebra

Aberto há 13 anos, a mistura de bar e galeria de arte é pioneira na região. Na carta de drinques, destacam-se o panache do Davi (R$ 43), que leva cogumelos yanomami e mix de vermutes, e o cupu do combu (R$ 43), com licor de cacau, cupuaçu e limão. A casa recomenda reserva, feita pelo WhatsApp (11) 91653-3120.

R. Maj. Diogo, 237. Sex. e sáb., das 19h à 0h. @espacozebra


MÚSICA

Al Janiah

Misto de restaurante, bar e centro cultural palestino, tem jazz grátis às terças. Já quarta-feira, com a entrada a R$ 10, é dia de roda de samba. O fim de semana é reservado para baladas com bandas e DJs (R$ 10 a R$ 20). Para beber, há drinques como o mar vermelho (R$ 39), feito à base de rum, morango, infusão de hibisco e pimenta-rosa.

R. Rui Barbosa, 269. Ter a qui., das 18h às 2h. Sex. e sáb., 18h às 4h. Dom., 18h às 2h. @aljaniah_oficial


Café Piu Piu

O bar de rock recebe bandas autorais, covers e que fazem tributos a grandes nomes do gênero. Neste sábado (2), a casa tem show do grupo Garagem, com entrada a R$ 45. Para beber, há gim-tônica Tanqueray (R$ 45), negroni (R$ 53) e Aperol spritz (R$ 33).

R. 13 de Maio, 134. Sáb., a partir das 21h. Ingr.: R$ 45 na porta. @cafepiupiu


Funilaria

A casa funciona em um antigo galpão de conserto de carros, local onde recebe rodas de samba às segundas e eventos com DJs de ritmos variados em outros dias da semana. No sábado (2), acontece a festa de house e brasilidades, Ferve na Funilaria, por R$ 20.

R. Rui Barbosa, 572. Sáb. (2), às 22h30. @funilariabixiga

Madame Underground Club

Antes chamado Madame Satã, existe há mais de 40 anos. Ícone da música alternativa da capital nos anos 1980, tem no repertório gêneros como o post-punk, darkwave, industrial e gótico. Neste sábado (2), às 22h, tem show em tributo ao grupo The Sisters Of Mercy.

R. Conselheiro Ramalho, 873. Sáb. (2), às 22h. Ingr.: R$ 40. @madameclub


Mundo Pensante

O espaço é dedicado a apresentações e festas. Dá destaque para música brasileira em eventos que tocam piseiro, MPB, afrobeats e samba. Neste sábado, recebe a festa Calefação Tropicaos —ingressos a partir de R$ 15. Se quiser beber, o menu traz caipirinha e mojito a partir de R$ 25.

R. Treze de Maio, 830, @mundopensante. Sáb. (2), às 21h. Ingr.: a partir de R$ 15 em shotgun.live


Toca da Capivara

O bar de samba, que completa dez anos em setembro, funciona de terça a sábado com música ao vivo. O preço da entrada varia de acordo com quem toca, mas na quarta-feira é grátis. Neste sábado (2), recebe o grupo Samba do Aguida (R$ 20). Entre uma música e outra, dá para pedir caipirinha (R$ 26) e negroni (R$ 25).

R. Major Diogo, 865. Ter. a qui., 21h às 3h. Sex. e sáb., das 22h às 4h. @atocadacapivara


Samba da Treze

A iniciativa teve início em 2009. Já chegou a reunir milhares de pessoas no Bexiga. O grupo toca todos os sábados, às 20h, na rua Rui Barbosa, em frente à casa de shows Império dos Artistas. A apresentação é grátis.

R. Rui Barbosa, 97. Sáb., às 20h. Grátis. @sambadatrezebixiga


Umbabarauma

Aberto em 2024, o espaço recebe rodas de samba às sextas e sábados. Nas quintas e domingos, as atrações musicais são DJs de brasilidades, hip hop e funk. Nesta sexta (1º), é dia de Batucada das Pretas, a partir das 21h.

R. Treze de Maio, 90. Grátis. @casaumbabarauma


PASSEIOS

Casa de Capoeira Mestre Ananias

Fundada em 2007 por Ananias Ferreira (1924-2016), baiano referência na capoeira em São Paulo, e Rodrigo Minhoca, oferece oficinas artísticas para crianças (7 a 11 anos), de segunda a quinta, e adolescentes (12 a 17 anos), de segunda a quarta. Elas acontecem das 17h às 19h, basta se inscrever no local. As rodas de capoeira são sempre às terças, às 20h.

R. Conselheiro Ramalho, 939. Ter., às 20h. Grátis. @mestreananias


Feira de Antiguidades do Bixiga

Acontece na esquina das ruas Treze de Maio e Rui Barbosa desde 1984. Entre os itens vendidos estão discos de vinil, livros, móveis, roupas, louças, câmeras fotográficas, brinquedos e pratarias.

Pça. Dom Orione. Dom., das 9h às 16h. @feiradobixiga


Livraria Na Nuvem

Existe há três anos, mas chegou ao Bexiga em janeiro. O acervo selecionado pela livreira Renata Costa dá destaque a obras sobre povos originários e cultura africana.

R. Treze de Maio, 744. Qui. a sáb., das 14h às 20h. Dom., das 12h às 18h. @livrariananuvem


Livraria Simples

Criada em 2016, tem duas lojas na mesma rua: uma com acervo novo de livros infantis e ficções contemporâneas; outra com títulos usados focados em poesia e ficção. Também recebe debates, palestras e eventos —caso da Feira do Livro da Rocha, realizada pela primeira vez neste ano.

R. Rocha, 259, @livraria_simples. Seg. a sáb., das 10h às 18h


Museu dos Óculos Gioconda Giannini

Desde 1996, conta a história das lentes de correção da visão por meio de 700 exemplares dos séculos 17 e 20. O acervo inclui originais brasileiros, de outros países e réplicas. No museu, há área dedicada aos acessórios de celebridades como Rita Lee e Jô Soares.

R. dos Ingleses, 108, tel. (11) 3149-4000, @museudosoculos. Seg. a sex., das 9h às 18h. Sáb., das 9h às 13h. Grátis

Vila Itororó

É um centro cultural com agenda de shows, cinema, rodas de conversa e feiras de artesanato. Ocupa construções de uma antiga vila residencial tombada como patrimônio histórico em 2002. A partir de agosto, o projeto Saudosa Maloca acontece no espaço: no segundo domingo do mês, promove roda de samba na vila, uma homenagem ao sambista Adoniran Barbosa, antigo morador do Bexiga. A estreia, no dia 9, terá a presença do cantor Luiz Ayrão.

R. Maestro Cardim, 60. Ter. a dom., das 10h às 19h. Grátis. @vila_itororo


RESTAURANTES

Cannoleria do Bixiga

Tem decoração inspirada no filme “O Poderoso Chefão”, com estátua de Don Corleone na porta. Hoje está sob comando do ator e padeiro Milhem Cortaz. O cannolo tradicional, com recheio de ricota, sai por R$ 14,50. Sucesso em pedidos são o pistache e limão-siciliano (R$ 17,50).

R. Treze de Maio, 718. @cannoleriadobixiga


Cantina Conchetta

Filho de sicilianos, Walter Taverna nasceu no Bexiga e ali abriu sua cantina há 60 anos. Os pratos da casa servem duas pessoas e, entre os mais pedidos, estão o rondelli ao molho branco (R$ 175) e o cappelletti à bolonhesa (R$ 165). O festival sai por R$ 161 (também para duas pessoas) e inclui seis tipos de massas, além de frango a passarinho, polenta e porpeta.

R. Treze de Maio, 560. @cantinadaconchetta


Empório Roperto

Aberto em 1941 no Bexiga, produz massas e molhos no local. O carro-chefe da casa é a perna de cabrito (R$ 423 para três pessoas), assada inteira e acompanhada por brócolis e batata. Também faz sucesso a lasanha à bolonhesa (R$ 176 para duas pessoas).

R. Treze de Maio, 634, @emporioroperto


Petit Pain

É o bistrô do chef Jacky Caillier, nascido na França. O carro-chefe é um clássico fracês: o bouef bourguignon (R$ 52), com carne bovina marinada em vinho tinto e ervas, que depois é cozida com cenoura, bacon, cogumelos e cebola. Para arrematar, há musse de chocolate e crème brûlée (R$ 17).

R. Rocha, 287, Bela Vista, região central. @petit_pain_cia

Rancho Nordestino

Serve comida típica dos estados do Nordeste desde 1980. Clássico da casa, o baião de dois aparece em dois tamanhos: R$ 71,90, meia porção, e R$ 91,90, inteira. Também vale pedir a paçoca de carne de sol por a partir de R$ 71,90.

R. Manoel Dutra, 498, @ranchonordestino


Sobrado Tucupi

A chef Amanda Vasconcelos prepara pratos típicos da cozinha do Acre, estado onde nasceu. O menu muda toda semana, mas pratos como o tacacá (R$ 42) e a costelinha de tambaqui (R$ 52) são constantes no cardápio.

R. Rocha, 370, @sobradotucupi


Speranza

No Bexiga fica a matriz da pizzaria, fundada em 1958 pela família italiana Tarallo. As pizzas contemplam sabores clássicos como a pepperoni (R$ 130 oito pedaços), que leva o embutido, molho de tomate, gorgonzola, cream cheese, tomate-cereja e manjericão.

R. Treze de Maio, 1.004, Bela Vista, região central. @pizzariasperanza


Templo

Aberto nos anos 1970, serve carnes feitas na brasa de terça a domingo. A costelinha de porco (R$ 68) é opção de entrada. Também oferece cortes nobres, como bife ancho (R$ 178, 400 g) e assado de tira (R$ 158, 350 g). As guarnições, entre batatas, arrozes e legumes, custam a partir de R$ 18.

R. Treze de Maio, 668.

@templodacarnemarcosbassi


Vino e Cinema

O restaurante do italiano Alessandro de Blasi abriu em 2024. A fogaça da casa leva patê de alcachofra, parma, muçarela de búfala, agrião e azeite trufado (R$ 69). Outras opções de risotos, peixes e carnes harmonizam com as mais de mil garrafas de vinho da adega.

R. Treze de Maio, 686. @vinoecinema


TEATROS

Teatro do Incêndio

Em um casarão de fachada tombada onde funcionou a boate Igrejinha, está sob a gestão da Colmeia Produções. O espaço abriga espetáculos da companhia de mesmo nome. No sábado (2), estreia ali a peça “São Paulo Surrealista – Corpo Antifascista”, cuja trama mergulha no surreal para homenagear a capital paulista e seus personagens.

R. Treze de Maio, 48. 18 anos. Estreia: sáb. (2). Até 31/8. Sáb. e dom., às 20h. Ingr.: R$ 40 em Sympla. @teatrodoincendiooficial


Teatro Manás Laboratório

Inaugurado neste ano, o espaço é focado na dramaturgia contemporânea. No sábado (2), entra em cartaz a peça “O que Meu Corpo Nu te Conta?”, que mescla encenação e jogo. No palco, quadrados delimitam onde cada ator ficará, como em um tabuleiro, e o público escolhe qual nicho vai assistir a cada rodada.

R. Treze de Maio, 222. 16 anos. Estreia: sáb. (2). Até 31/8. Sáb., às 18h e às 21h. Dom., às 20h. Ingr.: R$ 80 em Sympla. @teatromanaslaboratorio.

Teatro Oficina

Criado em 1961 pelo dramaturgo Zé Celso (1937-2023), é um teatro experimental que recebeu obras como “Roda Viva” e “Rei da Vela”, textos de Chico Buarque e Oswald de Andrade. O espaço foi projetado por Lina Bo Bardi —por lá, não há palco, mas uma passarela. O público senta entre arquibancadas, bancos e cadeiras de madeira distribuídos por três andares de andaimes. Há duas peças em cartaz, ambas com texto de Nelson Rodrigues. “Senhora dos Afogados” tem apresentações de sexta a segunda até 1º/9. Já “7 Gatinhos” tem sessões às terças e quartas até 20/8.

R. Jaceguai, 520. 16 anos. Seg. a sáb., às 20h. Dom., às 18h. Ingr.: a partir de R$ 70 em Sympla. @oficinauzynauzona


Teatro Ruth Escobar

Criado em 1963 pela artista que dá nome ao espaço, recebeu peças de cunho político marcadas pela censura pela e repressão da ditadura militar. A programação atual tem comédias e obras infantis. A peça “De Onde Vem o Dinheiro?” entra em cartaz neste sábado (2). Narra a relação de dois amigos que vivem distantes.

R. dos Ingleses, 209. Livre. Estreia: sáb. (2). Até 31/8. Sáb. e dom., às 15h. Ingr.: R$ 80 em teatroruthescobar.com.br. @teatroruthescobar.oficial


Teatro Sérgio Cardoso

O endereço já foi ocupado pelo Cine Teatro Espéria e pelo Teatro Bela Vista, do ator e diretor Sérgio Cardoso e sua mulher, Nydia Licia. Recebe peças e espetáculos de dança, a exemplo de “Entre a Pele e a Alma”, da Focus Cia de Dança.

R. Rui Barbosa, 153. 14 anos. Até 3/8. Qui. a sáb., às 20h. Dom., às 19h. Ingr.: a partir de R$ 40 em Sympla. @teatrosergiocardoso



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