Quem são os fantasmas que habitam os cinemas? Esta é uma das reflexões instigadas pela exposição de Manoela Cezar, no Cine Paissandu, que integrou a Cinelândia paulista no centro de São Paulo e hoje abriga um estacionamento. A artista apresenta duas videoinstalações, “Caverna Fantasma” e “Drive In Paissandu”, que podem ser visitadas gratuitamente até 7 de setembro.
A primeira é exibida em uma sala do Paissandu que ficou fechada ao público por 20 anos. O cinema encerrou suas atividades no início dos anos 2000, com a exibição de um dos filmes da saga ‘Senhor dos Anéis’.
Ao percorrer escadarias, halls e instalações vazios e escuros do que foi o cinema, logo vêm à mente fantasmas do público, dos lanterninhas, dos bilheteiros, dos projecionistas, mas não só.
“As imagens projetadas ali vibram através do tempo, assim como as pessoas que frequentaram o Paissandu. O cinema também é um fantasma de um sonho que ruiu, o da Cinelândia, quando São Paulo queria ser moderna, se espelhar nas experiências dos EUA e da Europa”, diz a artista. Agora, a videoinstalação de Manoela leva à tela o próprio cinema, por meio de imagens captadas no Paissandu, em uma espécie de arqueologia local.
O nome da instalação suscita várias interpretações. “A caverna é um dos lugares onde nasce a relação do homem com a imagem. O título também vem da sensação de que os cinemas de rua são uma fissura no tecido da cidade, onde você entra e encontra esse lugar escuro, de sonho e de medo”, afirma.
A outra videoinstalação é apresentada em uma sala utilizada pelo estacionamento. Entre os carros, o visitante assiste a ‘Drive-In Paissandu’, uma colagem de imagens de estradas. Para o trabalho, Manoela usou três vídeos diferentes. “Um foi captado para esta finalidade, há um filme caseiro americano e uma colagem de cenas de estradas de obras brasileiras dos anos 1950 a 2000, de nomes como Humberto Mauro, Walter Salles e Karim Aïnouz.”
Processo de criação
A exposição no Paissandu reflete o caminho artístico trilhado por Manoela. “Minha formação é no cinema, sou montadora, e meu processo de trabalho como artista segue a lógica da montagem”, analisa.
“Em 2019, iniciei um movimento em direção às artes plásticas. Comecei a pensar no ‘cinema sem filme’, na ideia de uma experiência cinematográfica não ligada ao filme, ora como instalação, ora hospedado em site, até chegar no ‘Caverna Fantasma’”, completa.
O objetivo de Manoela era ir além das galerias e do circuito de artes. Propôs o projeto centrado em um cinema de rua, aprovado em edital da Lei Paulo Gustavo.
“Não sabia qual seria a sala, pretendia fazer na Cinelândia paulista. Fui a vários cinemas da região, e cada um tinha suas particularidades”, conta. Escolheu o Paissandu. “Ele trouxe a oportunidade de falar de dois tempos: do presente, da ocupação atual, e do espaço que ficou parado no tempo”, relata.
A artista negociou com a empresa que administra o estacionamento instalado no cinema e visitou o Paissandu por um semestre. “O projeto foi desenvolvido a partir do local. Foram seis meses para produzir imagens, entender o que era estar lá. Os dois trabalhos surgiram neste período.”
‘Caverna Fantasma’ e ‘Paissandu Drive In’, de Manoela Cezar
Cine Paissandu – largo do Paissandu, 62
Até 7 de setembro, em data prorrogada (inicialmente, a exposição terminaria no dia 31)
De quarta a domingo, das 13h às 17h
Entrada gratuita
Maratonar
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