Nutricionista especialista em bariátrica alerta para negligência no cuidado pós-cirurgia e cobra políticas de apoio contínuo para evitar complicações
Cinthya Leite
Publicado em 25/10/2025 às 11:04
| Atualizado em 25/10/2025 às 11:05
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FOZ DO IGUAÇU – A cirurgia bariátrica não é a solução definitiva para a obesidade; é apenas o primeiro passo de uma jornada complexa, que exige acompanhamento constante de vários especialistas. Durante o 25º Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, que terminou na sexta-feira (24), em Foz do Iguaçu (PR), profissionais de diversas áreas da saúde alertaram que a falta de adesão ao tratamento nutricional e psicológico pós-operatório é uma realidade preocupante e que pode levar a consequências sérias, incluindo a recidiva de peso (condição popularmente conhecida como ‘reganho de peso’ – expressão usada ao longo desta matéria), que atinge taxas entre 30% e 40%.
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A nutricionista Uyara Lima, que participou do congresso, enfatiza que o cuidado vai muito além da simples restrição calórica. O evento contou com uma sala exclusiva dedicada à saúde alimentar, a fim de dar força ao debate de pontos críticos no acompanhamento do paciente que passou pela bariátrica para tratar a obesidade.
O cuidado invisível: nutrientes e compulsão
Um dos principais focos foi o impacto da saúde intestinal e das deficiências nutricionais sobre o comportamento e a qualidade de vida do paciente. De acordo com Uyara Lima, muitos já chegam ao pré-operatório com carências importantes, e a cirurgia potencializa a necessidade de suplementação.
A falta de vitaminas e minerais não causa apenas cansaço, fadiga, dores nos membros ou queda intensa de cabelo. Ela está intimamente ligada ao desenvolvimento da compulsão alimentar, um dos pontos mais debatidos no congresso e relacionado a neurotransmissores. “A serotonina e a dopamina são os neurotransmissores que terão uma desregulação associada a esse quadro”, explica Uyara Lima.
Essa desregulação está frequentemente associada à deficiência de nutrientes, que são cofatores essenciais para o funcionamento adequado do cérebro.
A deficiência nutricional pode ainda levar a quadros graves, como alterações no sistema nervoso central (devido à falta de vitamina B1) e, principalmente, à sarcopenia, caracterizada pela perda de massa e força muscular decorrente da baixa ingestão de proteínas.
Nesse contexto, Uyara alerta que a sarcopenia pode ocorrer mesmo em pacientes que não aparentam desnutrição metabólica. Por isso, o acompanhamento de perto do paciente se faz extremamente necessário.

“Muitos dos pacientes, após a bariátrica, acham que conseguem seguir sozinhos, infelizmente”, afirma Uyara Lima – CINTHYA LEITE/JC
Álcool: o risco subestimado
Outro tema que chamou atenção, na programação do congresso, foi o consumo de álcool após a cirurgia bariátrica. Segundo Uyara, o paciente operado, especialmente as mulheres, apresenta maior sensibilidade e tendência ao consumo.
O risco não está apenas no vício, mas no desenvolvimento de uma nova compulsão. “A mulher, de fato, tem uma tendência e uma sensibilidade maior ao consumo do álcool. E o paciente, após a cirurgia, vai ter mais essa possibilidade de desencadear algum tipo de compulsão por álcool”, explica a nutricionista. O consumo excessivo de álcool, além de aumentar as calorias ingeridas, compromete a absorção de nutrientes e favorece o reganho de peso.
Consequências negativas do abandono
Apesar de todos os riscos conhecidos, uma dura realidade persiste: o abandono do acompanhamento médico e nutricional. “Muitos dos pacientes, após a bariátrica, acham que conseguem seguir sozinhos, infelizmente”, afirma Uyara Lima.
O abandono costuma ocorrer quando o paciente chega à fase em que volta a se alimentar normalmente: a chamada ‘fase de dieta habitual’, quando já é possível consumir alimentos sólidos e variados.
Entre os fatores que mais impactam a adesão, além da crença equivocada de que a cirurgia ‘curou’ a obesidade (doença crônica e multifatorial, sem cura definitiva), está o custo financeiro.
A suplementação é de uso contínuo, e produtos de qualidade, específicos para pacientes que passaram pela bariátrica (como polivitamínicos e proteínas), têm custo elevado.
“Então, a falta de adesão não é só por enjoar ou cansar de tomar. A questão financeira também impacta muito”, observa Uyara.
A nutricionista reforça que, sem a adesão ao básico (ingestão adequada de proteína e uso de polivitamínicos), o paciente não consegue manter a saúde e a qualidade de vida.
O acompanhamento psicológico também é indispensável, já que apenas a alimentação não resolve os conflitos emocionais do paciente.
Consciência e compromisso: o verdadeiro sucesso da bariátrica
A lição final é clara: o sucesso da cirurgia bariátrica não depende apenas da técnica, mas da mudança de consciência. É fundamental compreender que o acompanhamento é uma necessidade contínua, não apenas uma etapa obrigatória para obter o laudo cirúrgico.
Sem esse compromisso, o procedimento que salva vidas pode se tornar apenas um ponto de partida para um novo ciclo de frustrações, deficiências e reganho de peso.
*A jornalista acompanhou a programação do congresso a convite da SBCBM.


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