Artistas criticam retirada de obras de museu de arte contemporânea na Bélgica

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Artistas criticam retirada de obras de museu de arte contemporânea na Bélgica


Artistas, curadores e funcionários do setor cultural reagiram com indignação ao plano do governo de Flandres, na Bélgica, de desmantelar o Museu de Arte Contemporânea da Antuérpia, conhecido como M HKA, e transferir todo o seu acervo para o Museu Municipal de Arte Contemporânea de Ghent.

A controvérsia ganhou força após a direção do M HKA denunciar o que chamou de “ilegalidades flagrantes” e falta de consulta às instituições envolvidas na decisão do governo. O plano deve ser debatido no parlamento belga nesta sexta-feira (9).

Em outubro, a ministra da Cultura de Flandres, Caroline Gennez, cancelou o projeto de um novo edifício para o museu –uma torre planejada há quase uma década, com custo estimado inicialmente em 80 milhões e posteriormente em 130 milhões de euros, cerca de R$ 504 milhões e R$ 819 milhões, respectivamente.

Na ocasião, ela ainda anunciou que as mais de 7.700 obras do M HKA seriam incorporadas ao Museu Municipal de Arte Contemporânea de Ghent, a 57 quilômetros de distância. A segunda instituição, porém, não tem espaço para receber todas as obras.

“Os museus flamengos podem se orgulhar de suas coleções”, disse Gennez, à agência Belga News. “Mas, para aproveitar melhor essas coleções e concretizar as ambições de expansão e internacionalização, é necessária mais cooperação.”

Na prática, a decisão retira da Antuérpia o status de cidade-sede de um museu de arte contemporânea com acervo próprio.

“Antuérpia é a maior cidade de Flandres, com um legado como casa da vanguarda na Bélgica“, disse o pintor Luc Tuymans, considerado o artista belga vivo mais influente, ao criticar a decisão. Para ele, a transferência representa “uma perda de prestígio” e ignora o papel histórico do museu e de seu entorno urbano.

Fundado em 1985, o M HKA é o mais antigo museu dedicado à arte contemporânea na Bélgica e se tornou alvo de uma reforma mais ampla da política museológica regional, apresentada como medida de racionalização de gastos e reorganização institucional.

Segundo o governo, a reforma visa criar uma “distribuição mais lógica” das coleções públicas e ampliar a cooperação entre instituições. A partir de 2026, a instituição em Ghent passará a se chamar Museu Flamengo de Arte Contemporânea e Atual. O M HKA, por sua vez, será transformado em um centro de artes sem coleção própria, com exposições temporárias, residências artísticas e programas educativos.

A reação interna foi imediata. Um dia após o anúncio oficial, o presidente do conselho do M HKA, Herman De Bode, renunciou ao cargo após oito anos. “Decapitar o M HKA sem qualquer participação de quem está aqui é criminoso”, disse à revista Art Dependence. “Você pode mudar obras de lugar, mas não exporta a vanguarda. Ela é da Antuérpia.”



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