Artistas criam geometria de ares tropicais e movimentos swingantes em exposição

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Artistas criam geometria de ares tropicais e movimentos swingantes em exposição


As tiras de ferro que brotam da base de duas placas arredondadas presas na parede parecem jorrar sobre o público tal como uma cachoeira. As faixas carregam o verde e o amarelo da bandeira nacional, emprestando calor à frieza do ferro.

Intitulada “Amazoninos”, a obra de Lygia Pape sintetiza as mudanças que a abstração geométrica sofreu ao sair da Europa e desembarcar no Brasil. No lugar da rigidez racional, essa vanguarda ganhou a cor, as curvas e a temperatura da sociedade brasileira.

São justamente essas características que permeiam a exposição “Lá e Cá: Deslocamentos Construtivos”, em cartaz na galeria Flexa, na zona sul do Rio de Janeiro. Além de Pape, nomes como Hélio Oiticica, Emmanuel Nassar e José Damasceno compõem o projeto.

“Esses artistas foram responsáveis por pegar a herança geométrica e colocá-la em torção, fazendo uma espécie de fusão desse estilo com o mundo da vida e do corpo”, diz Luisa Duarte, que assina a curadoria da mostra.

Essa geometria efervescente pode ser vista na série “Metaesquemas”, de Oiticica. Nesse trabalho, o artista reproduziu trapézios, retângulos, quadrados e losangos. No entanto, ele tirou essas figuras do imobilismo e conferiu movimento a elas, concebendo uma geometria cheia de gingado.

“Nesses trabalhos, Hélio faz com que a geometria comece a dançar”, diz a curadora. “Ao longo da trajetória dele, isso vai ganhar contornos mais radicais, fazendo com que as formas ganhem corpo”, afirma Duarte.

Na exposição, essa corporalidade pode ser vista na escultura geométrica “Relevo Espacial”. Ao olhar para a obra, a impressão é a de que os metaesquemas se libertaram da tela e ganharam tridimensionalidade.

“Esse é um trabalho exemplar da tentativa do Hélio de trazer a pintura e a cor para o espaço, envolvendo o nosso corpo na experiência de contemplar a escultura.”

Emmanuel Nassar foi outro artista que concebeu uma geometria alicerçada na cultura brasileira. Na mostra, uma evidência disso pode ser vista em uma tela dividida em dois quadrados e um retângulo por divisórias feitas de madeira. Embaixo de uma das divisões, é possível ver um arame que lembra um fio de energia precário.

Assim como outros trabalhos de Nassar, a obra tematiza a gambiarra —engenhocas improvisadas que buscam resolver problemas emergenciais.

“Esse termo faz justamente alusão à capacidade do brasileiro de achar uma solução criativa e inventiva para fazer algo funcionar na adversidade”, diz Duarte. “É uma ideia muito importante na obra dele.”

Já para Damasceno, o importante é monumentalizar objetos cotidianos. Por isso, ele esculpiu em mármore um apito e uma borracha, dando perenidade em sua poética a peças que são descartáveis no cotidiano.

“Damasceno faz com que o nosso olhar, tão anestesiado pelo hábito, que vê, mas não enxerga, seja surpreendido novamente”, diz Duarte. “Ele está sempre tratando de deslocamentos e fazendo com que a gente olhe esses objetos triviais de maneira diferente.”



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