Art Basel consolida Paris como novo centro da arte contemporânea no mundo

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Art Basel consolida Paris como novo centro da arte contemporânea no mundo


Deitado na sofisticada praça Vendôme, em frente ao hotel Ritz, ao obelisco de Napoleão e às joalherias de luxo, um imenso e incongruente boneco inflável do sapo Caco, dos Muppets, avisava na semana passada que a Art Basel está em Paris —cidade vista cada vez mais como a atual capital da arte contemporânea, desbancando Londres.

“Eu moro em Londres. Não devia dizer isso, mas quando vejo a qualidade das exibições, ela é melhor em Paris”, disse durante uma palestra na Art Basel Jean Gazançon, presidente da Arte Generali, uma das maiores seguradoras de obras de arte do mundo.

O sapo inflável causou uma previsível polêmica nas redes sociais e ajudou, claro, a promover a Art Basel, em seu quarto ano em Paris e segundo ano com o nome atual. Provocação do artista venezuelano-americano Alex Da Corte, faz parte da tradição de espalhar obras efêmeras por Paris durante a Art Basel.

Embora o relatório anual UBS/Art Basel aponte que o mercado de arte global encolheu 12% em 2024, queda atribuída à conjuntura geopolítica instável, o clima na feira parisiense era de otimismo. Ela deve movimentar 442 milhões de euros, cerca de R$ 2,8 bilhões, e receber 65 mil visitantes.

Na semana da Art Basel, a galeria Hauser & Wirth anunciou a venda de uma tela do alemão Gerhard Richter, de 93 anos, por 23 milhões de euros, R$ 144 milhões. A Christie’s negociou uma obra monocromática azul do francês Yves Klein por R$ 115 milhões, recorde para um artista francês.

“O fato de que ‘Paris voltou’, que voltou a ser um ímã para o mundo da arte, já virou lugar-comum. Mas por trás desse lugar-comum, há uma realidade que todos pudemos observar nesta semana”, disse em uma palestra durante a Art Basel o jornalista Martin Bethenod, ex-comissário-geral da Fiac, antiga feira sucedida pela Art Basel Paris.

O Reino Unido ainda é o segundo maior mercado de arte do mundo, movimentando US$ 10,4 bilhões, atrás apenas dos EUA. Porém, segundo um relatório da empresa Arts Economics, a fatia britânica caiu de 34% em 2008 para 18% em 2022.

A França ainda fica atrás – cerca de 8% do mercado global, mas “está numa dinâmica positiva”, disse Cécile Verdier, diretora na França da casa leiloeira Christie’s, à revista do Conseil des Maisons de Vente, entidade que reúne as empresas do setor.

Em parte isso é atribuído à saída do Reino Unido da União Europeia, o famigerado brexit, em 2020. “As formalidades administrativas, mais simples e menos dispendiosas, contribuíram provavelmente para reforçar a atração de Paris”, analisa Verdier.

Entre os motivos para o sucesso parisiense, Martin Bethenod cita o que chama de xenofilia, a abertura dos franceses aos artistas de fora. “Há uma forte tradição de acolher artistas do mundo inteiro.”

Outro motivo apontado por ele, mais recente, é o equilíbrio entre apoio público e privado. “Você precisa de ambos. Historicamente, na França, sempre houve um abismo entre a importância das instituições públicas e a timidez das particulares. As coisas mudaram drasticamente: a força dos leiloeiros, o número e a vitalidade das galerias, sem falar no papel das feiras.”

Um exemplo dessa pujança foi a abertura, no último fim de semana, da nova sede da Fundação Cartier para a Arte Contemporânea, em um prédio haussmanniano vizinho ao Museu do Louvre. Duas das principais exposições da temporada são em instituições privadas: “Minimale”, sobre a arte minimalista, na Coleção Pinault; e uma retrospectiva de Gerhard Richter na Fundação Louis Vuitton.

“Francamente, não conheço nenhuma cidade com esse número de instituições. E o bacana é que você pode ir de bicicleta de uma para outra”, brincou Emmanuel Perrotin, galerista francês que representa o japonês Takashi Murakami, uma das principais atrações do Grand Palais, sede da Art Basel Paris, com suas obras multicoloridas.



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