Apesar da condenação moral quase unânime diante da imposição da fome aos palestinos por Israel, as mortes também são causadas pela omissão mundial
JC
Publicado em 23/07/2025 às 0:00
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Além dos mísseis, das bombas, dos tiros e dos drones, que já destruíram tudo o que poderiam destruir, a estratégia bélica do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, inclui deixar a população palestina na Faixa de Gaza, além de sitiada, faminta. O peso chocante das imagens de pessoas estendendo panelas vazias, implorando por um caldo ralo, e as notícias confirmadas por organismos internacionais como as Nações Unidas e as agências de notícias, faz com que o propósito de encurralar os terroristas do Hamas fique em segundo plano, diante da crueldade que barra a ajuda humanitária de atravessar a fronteira.
A situação é de fome extrema para a maioria dos palestinos em Gaza, com crianças e adultos passando mais de 24 horas sem ter o que comer, segundo os relatos. Com tal descalabro, as mortes por desnutrição começam a pipocar, como numa pandemia, às dezenas, diariamente. Nem sequer os hospitais dispõem de comida para os pacientes, os médicos e demais funcionários. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), somente em maio, cerca de 5 mil crianças precisaram ser tratadas por desnutrição em Gaza.
O compartilhamento de informações a respeito do cenário apocalíptico gera horror sincero em líderes de várias partes do mundo, até de aliados de Israel, como a Inglaterra. Os caminhões com alimentos, administrados pelas Nações Unidas, foram substituídos, desde março, por uma empresa norte-americana, cuja atuação nos últimos meses vem sendo vista como uma “armadilha mortal”. Armadilha de fome, que conta com a permissão dos governos de Israel e dos Estados Unidos, em uma mostra sinistra do que é capaz a parceria entre Netanyahu e Donald Trump.
Mas o espanto do mundo é pouco, enquanto a calamidade continua. As lideranças internacionais podem ser identificadas como omissas, se a pressão política não se juntar à opinião pública para reverter a aliança obscena que mata por inanição. Quando não é outra coisa igualmente abjeta: as filas por comida têm sido alvos frequentes de disparos israelenses, que já assassinaram centenas de palestinos dessa forma, desde que os novos responsáveis pela distribuição de alimentos assumiram a função.
Para o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o que se vê em Gaza é um show de horrores. Um show agravado, diga-se, pela incapacidade do resto do mundo intervir nas ordens de violência e humilhação sobre um povo devastado, desabrigado e dominado pelo medo. “Estamos vendo o último suspiro de um sistema de ajuda construído com base em princípios humanitários”, declarou Guterres. “A esse sistema estão sendo negadas as condições para funcionar. Negado o espaço para entregar. Negada a segurança para salvar vidas”. A armadilha da fome em Gaza, de fato, pode ser compreendida como a falência do arranjo institucional global, criado justamente para evitar esse tipo de abominação.

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