Guilherme Russo, diretor de Inteligência da Quaest, afirma que imagem forte de João Campos é barreira para a governadora obter votos
JC
Publicado em 22/08/2025 às 9:43
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A mais recente pesquisa da Quaest mostrou que a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), mantém índices de aprovação positivos em áreas do governo, mas enfrenta dificuldades quando o eleitor é questionado se ela merece a reeleição em 2026.
Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, explica que o cenário é contraditório: “A governadora tem uma aprovação mais alta do que a desaprovação. A educação é a melhor área de avaliação, mas quando a gente olha para segurança e infraestrutura, já cai bastante”, declarou em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal.
Mesmo assim, o problema maior surge quando o eleitor é confrontado com a questão da reeleição. “Não é que a governadora tá fazendo um mau trabalho, mas, para a pesquisa, ela não tá entregando o que a gente esperava, ela não tá merecendo continuar pensando nas eleições de 2026″.
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Para Russo, essa percepção funciona como um teste de confiança. “É quase uma entrevista de emprego. A gente deve manter essa pessoa ou não? Ela merece continuar? E aí que a governadora tá sofrendo um pouco mais”, disse, acrescentando que o quadro se torna mais adverso quando surge o nome do prefeito do Recife, João Campos (PSB), como potencial concorrente.
“Ele tem todo o legado político da família e uma avaliação muito positiva, tanto no estado, mas especialmente na capital”, apontou.
O fator ideológico também pesa contra Raquel Lyra. Pernambuco é um dos estados mais identificados com a esquerda, junto com a Bahia. A pesquisa mostra 44% dos eleitores alinhados à esquerda contra 25% de direita.
“O Lula, de certa forma, vai ajudar o João Campos. A governadora poderia captar alguns votos da esquerda e da direita, mas como a esquerda já está muito preenchida por Lula e João Campos, sobra para ela mais esse centro e a direita. E o PL deve lançar candidato, o que complica ainda mais”, analisou.
Além da correlação de forças políticas, outro obstáculo é o fenômeno do desgaste de imagem provocado pelas redes sociais.
“Hoje os governantes são obrigados a produzir muito material e explicar o que estão fazendo. Ao mesmo tempo, sofrem críticas constantes. Isso cansa o eleitor. Há dez, quinze anos, a lógica era outra. A polarização e a nova lógica da informação dificultam a vida da governadora”, disse Russo, apontando o que chama de “fadiga de material”.
Para tentar reverter esse cenário, Raquel Lyra precisaria apresentar entregas concretas em áreas consideradas prioritárias pelo eleitor. “Ela tem mais um ano para mostrar essas entregas. Educação é o lado positivo para ela, mas saúde e segurança são as áreas que a população mais olha”, ressaltou o diretor da Quaest.
Ele observa ainda que a governadora pode ampliar presença em regiões fora da capital. “No Agreste e no interior, a governadora pode crescer. Já na capital e na região metropolitana, onde o prefeito vai muito bem, ela precisa criar quase um plano específico”.
A dificuldade, segundo o diretor da Quaest, é que o desafio eleitoral da governadora envolve não apenas a construção de uma imagem positiva, mas a capacidade de neutralizar a força de um adversário competitivo. “Eleição não é só sobre você, é sobre o seu concorrente. E o cenário fica cada vez pior para a governadora hoje”, concluiu Russo.


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