Esse compromisso é assumido solenemente, por ocasião da formatura de todos os esculápios, em seu tradicional juramento de Hipócrates
Publicado em 29/12/2024 às 18:23
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Um dos princípios mais nobres da prática médica é o da segurança em primeiro lugar, já preconizado desde os tempos hipocráticos pela máxima “Primum non nocere, et in dubio abstine” (em primeiro lugar, não cause danos, e se em dúvida, abstenha-se).
Esse compromisso é assumido solenemente, por ocasião da formatura de todos os esculápios, em seu tradicional juramento de Hipócrates, no qual se comprometem a praticar a Medicina honestamente, conforme documento escrito originalmente no século V a.C. e que vem se atualizando para se tornar, socialmente e cientificamente, mais próximo da realidade atual.
Vale ressaltar, todavia, que a essência do referido juramento vai muito além de não lesar propositalmente um paciente. Questões tais como, a comunicação adequada sobre riscos e benefícios dos tratamentos, o embasamento científico da utilização de uma determinada droga, a avaliação criteriosa do contexto do paciente e o compartilhamento de decisões, elevam as discussões sobre segurança, a um patamar mais amplo e profundo.
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Em março de 2020, em meio ao aturdimento geral provocado pelo alastramento da desconhecida covid-19, a comunidade científica internacional foi surpreendida pela publicação, no Journal of Antimicrobial Agents (DOI: 10.1016/j.ijantimicag.2020.105949), de um artigo afirmando que o tratamento com hidroxicloroquina, um medicamento antimalárico, reduziu os níveis de vírus em amostras de pacientes com covid-19, e que a droga era ainda mais eficaz se usado junto com o antibiótico azitromicina.
O então diretor do Hospital Institute of Marseille Mediterranean Infection, Didier Raoult, autor sênior do artigo, entusiasmado com o desempenho das drogas “salvadoras”, passou a divulgar os seus supostos benefícios, tanto nas redes sociais, como na TV, levando a uma onda de adeptos, inclusive de alguns chefes de Estado, que abraçaram, imediatamente, as drogas milagrosas, e passaram a não recomendar, de forma ostensiva, as comprovadas medidas protetoras contra viroses, como o uso de máscaras, a higienização das mãos e o isolamento dos contaminados.
A euforia de muitos contrastava com a preocupação de vários cientistas, que logo chamaram atenção para a precariedade do referido artigo, observando, dentre outras falhas, o tempo invulgarmente curto de revisão por pares, de apenas quatro dias, entre a submissão e a publicação da pesquisa.
Em crônica publicada neste jornal (edição de 10 a 13/4/2020) e republicada no livro “CEM COVID – Em busca da luz na longa noite brasileira” (p. 31), eu tive a oportunidade de me manifestar a respeito do infame artigo: “trata-se de um estudo clínico envolvendo um número pequeno de participantes (apenas 36), no qual foram testados desfechos pouco relevantes e que apresenta, também, falhas metodológicas grosseiras, como o fato de que seis pacientes tratados com hidroxicloroquina, foram retirados do estudo – um dos quais morreu e três foram transferidos para cuidados intensivos – o que potencialmente distorceu os resultados da investigação, em favor da droga”.
Apesar de o estudo RECOVERY, realizado com todo o rigor científico recomentado e publicado no mesmo ano de 2020, no respeitado periódico N Engl J Med (DOI: DOI: 10.1056/NEJMoa2022926), não ter demonstrado benefícios da hidroxicloroquina, em portadores de covid-19, o antimalárico continuou a ser utilizado, indiscriminadamente, em nosso país.
Finalmente, na semana passada, após intensa luta da comunidade científica, o sórdido artigo francês recebeu o carimbo de “RETRACTED” (retirado), pela editora holandesa Elsevier e a Sociedade Internacional de Quimioterapia Antimicrobiana, coproprietária da revista, alegando questões éticas e problemas metotológicos.
O nefasto estudo, agora retirado, talvez constitui o pilar de um dos maiores escândalos da Medicina, possibilitando que milhões de pessoas tomassem, desnecessariamente, uma droga que não é isenta de efeitos colaterais graves, sacrificando, com consequências dramáticas o nobre princípio, oriundo da civilização helênica, Primum non nocere!
Antônio Carlos Sobral Sousa, Professor Titular da UFS e Membro das Academias Sergipanas de Medicina, de Letras, de Educação, Estanciana de Letras e Riachuelense de Letras, Ciências e Artes
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