Análise: Richard Burton, astro multifacetado, esperou por Oscar que nunca veio

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Análise: Richard Burton, astro multifacetado, esperou por Oscar que nunca veio


Que imagem ficou de Richard Burton? A do grande ator shakespeareano britânico? A do apaixonado Marco Antonio de “Cleópatra”? O professor George de “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?” Ou o Trotsky de Joseph Losey? Um dos vários militares que interpretou? Ou Henrique 8º? O jovem e galante oficial de “Amargo Triunfo”?

Burton, que nasceu Richard Walter Jenkins no País de Gales e cujo centenário é lembrado nesta segunda, pensava primeiro em se tornar professor, mas se encaminhou ao teatro com 17 anos. Depois de servir a Real Força Aérea na Segunda Guerra, ganhou, em pouco tempo, fama por interpretações de Shakespeare no palco.

Logo passou ao cinema. Ali começou, no fim dos anos 1940, uma carreira que cresceu nos 1950, chegou ao estrelato completo na década de 1960 e foi progressivamente definhando ao longo dos 1970. Burton foi capaz de fazer quase tudo —da comédia ao filme mais dramático, do nobre romano ao militar moderno, do espião ao aventureiro.

No entanto, a imagem mais característica de Burton sempre foi a da noite do Oscar. Ele aparecia sentado, com ar ansioso, aflito ou angustiado. Esperou sete vezes por um prêmio que nunca veio. Sabe-se até que ponto esse prêmio pode espelhar a simpatia ou antipatia de Hollywood pelas pessoas, atores sobretudo.

Ao menos por solidariedade, poderiam ter dado a ele o prêmio de atuação por “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”. Naquele ano, e pelo mesmo filme, sua então mulher, Elizabeth Taylor, ganhou. Burton ficou lá, sentado, vendo o prêmio ir para outro britânico, Paul Scoffield —com o bem meia-boca “O Homem que Não Vendeu Sua Alma”, que, por sinal, nem estava lá para levar a estatueta.

Há muitas outras imagens de Richard Burton, é verdade. Com Elizabeth Taylor sobretudo, cujas idas e vindas de um dos casamentos mais tempestuosos do século 20 começaram no também turbulento set de “Cleópatra”. Liz Taylor, seus amores e problemas de saúde atrasavam as filmagens, enquanto o orçamento crescia mais de 20 vezes além do planejado. Liz ainda era casada com o cantor Eddie Fisher, o que facilitava o escândalo.

O fato é que Burton havia notado Liz Taylor cerca de dez anos antes. Ela já era uma estrela, ele ainda era um iniciante em Hollywood. Ele ficou de queixo caído com a beleza da jovem. Ele tentou uma cantada, mas não agradou. Ela achou que Burton não passava de um tipo arrogante e vulgar. Mas bonito ele era.

Quando ele virou o Marco Antônio e ela a Cleópatra de uma superprodução planejada para ser a mais deslumbrante do cinema, as coisas mudaram muito.

No primeiro dia, Burton, bêbado, se atrapalhou todo. Ela se comoveu e o acolheu. O resto foi fácil. Consta que no início da filmagem o casal devia se beijar. E se beijava. A cada vez o beijo durava mais.

O diretor, Joseph L. Mankiewicz achou que já era hora de rodar a cena. Rodou o que precisava, mas o beijo continuou. Mankiewicz então voltou-se para eles e disse: “Vocês dois se incomodariam se eu dissesse ‘corta’?” Vamos ser francos —do filme, o que sobrou de fato foi a quase falência da Fox, o fim de uma velha Hollywood e o casamento de 1964.

Quando se reencontraram, Burton já tinha fama de conquistador. Liz já havia casado quatro vezes. Mas parecia que desta vez era para valer. O romance, entre tapas e beijos, durou até 1974, quando se separaram. Eles se casariam novamente em 1975 para se separarem em definitivo no ano seguinte.

Admita-se que, de tanto beber, Burton já havia perdido muito do seu antigo ar de galã. O homem que cativou a superestrela Liz com seu ar um pouco indefeso foi desaparecendo. Apenas o ar indefeso voltava de tempos em tempos, quando era indicado ao Oscar. Cada vez aparecia mais inchado.

O casamento com a modelo Susan Hunt, em 1976, o levou a tentar parar de beber. Com o divórcio, em 1982, consta que voltou a beber muito. Morreria aos 58 anos, em agosto de 1984, em decorrência de derrame cerebral.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *