Alfred Brendel (1931 – 2025) – Morre Alfred Brendel, pianista dedicado aos clássicos, aos 94 anos

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Alfred Brendel (1931 – 2025) – Morre Alfred Brendel, pianista dedicado aos clássicos, aos 94 anos


Alfred Brendel, pianista clássico que foi da obscuridade ao estrelato internacional, ganhando seguidores fiéis apesar de críticos influentes que questionavam suas interpretações dos mestres, morreu nesta terça-feira (17), em sua casa em Londres, aos 94 anos. Sua morte foi anunciada por sua família em um comunicado à imprensa americana.

Brendel não era o músico de concerto convencional. Não foi um prodígio infantil, não tinha a memória fenomenal necessária para manter um vasto repertório com facilidade e teve pouca educação formal. Mas era um trabalhador árduo, paciente e alegre. Em grande parte, foi autodidata, aprendeu a música ouvindo gravações e se concentrando em um grupo seleto de compositores, como Beethoven, Mozart, Haydn, Schubert, Liszt e Schoenberg.

“Eu nunca tive um professor de piano depois dos 16 anos”, disse ele ao crítico Bernard Holland do The New York Times em 1981, embora tenha participado de aulas na Áustria, seu país, com o pianista suíço Edwin Fischer e o austríaco Eduard Steuermann. “A autodescoberta é um processo mais lento, mas mais natural.”

Ao longo dos anos, Brendel desenvolveu suas próprias ideias sobre como usar o piano moderno para fazer a música soar nova sem ir contra as intenções dos compositores. Seu método dividiu opiniões, atraindo especialmente intelectuais e escritores. Que ele fosse um escritor erudito sobre história, teoria e prática da música também contribuía.

Seus fãs lotavam apresentações em Nova York, Londres e outras grandes cidades, como em seu ciclo memorável das sonatas completas de Beethoven no Carnegie Hall em 1983. Entre seus defensores estava Susan Sontag, que contribuiu com um elogio para um de seus livros, “Alfred Brendel on Music”, afirmando que ele havia “mudado a maneira como queremos ouvir as grandes obras do repertório pianístico”.

Apesar do sucesso, sua abordagem também foi alvo de críticas. Alguns o consideravam excessivamente meticuloso e técnico, como o crítico Donal Henahan, que escreveu que suas interpretações poderiam parecer frias e clínicas. Outros admiravam sua capacidade de desvendar camadas complexas das obras que tocava, mesmo que seu estilo não fosse amado por todos.

Alfred Brendel nasceu em 5 de janeiro de 1931, em Wiesenberg, Morávia, região que hoje pertence à República Tcheca. Estudou piano na Croácia, no Conservatório de Graz e na Academia de Viena, concluindo seus estudos formais em 1947. Sua carreira começou a decolar após sua participação no concurso Busoni, na Itália, em 1949.

Brendel gravou todas as sonatas de Beethoven três vezes, contribuindo significativamente para a redescoberta da música para piano de Schubert e Liszt. Deixou os palcos em 2008, com um concerto de despedida em Viena.

Além de músico, Brendel teve uma “segunda vida” literária. Escreveu ensaios e poemas, como a coleção “Playing the Human Game”. Entre suas obras mais conhecidas está o poema “The Coughers of Cologne”, que reflete sua visão bem-humorada sobre as interrupções que enfrentou durante sua carreira.

Alfred Brendel deixa sua parceira Maria Majno, sua filha Doris, três filhos —Adrian, Sophie e Katharina— e quatro netos.



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