O Recife se integra à aliança global de cidades litorâneas que podem ser afetadas pelo aumento do nível mar, possível efeito das mudanças climáticas
Publicado em 26/10/2024 às 0:00
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Uma das consequências mais devastadoras sobre as populações locais, o aumento do nível dos oceanos é tema recorrente entre os cientistas, quando se cogitam os efeitos das mudanças climáticas em curso. Até porque o aumento da temperatura na superfície terrestre também tem afetado as águas dos mares, com o derretimento de geleiras gigantes e alterações imprevisíveis nas correntes marítimas – que são determinantes para o equilíbrio climático e a biodiversidade.
E as cidades costeiras precisam se preparar, com planejamento e medidas preventivas para o que pode acontecer num futuro que já foi mais distante, de acordo com os ambientalistas. Desde a última quarta-feira, o Recife faz oficialmente parte da Ocean Rise & Coastal Resilience Coalition, organização que reúne representantes de cidades possivelmente na rota do aumento do nível do mar cogitado para as próximas décadas – e não mais séculos. Para se ter uma ideia do compartilhamento da preocupação, Nova York, Xangai e Jacarta estão entre as localidades integrantes da aliança. A capital pernambucana entra no grupo quase por dever: recentes estudos mostram que aqui seria um dos principais pontos de impacto de níveis mais elevados dos oceanos.
Para o prefeito João Campos, que assume a responsabilidade de dar início a programas que garantam a segurança de recifenses desta e das próximas gerações, a resiliência climática passa pela proteção das áreas costeiras e da população, através de projetos voltados para um modo de vida sustentável, assim como para a segurança das pessoas diante das mudanças ambientais. O prefeito revelou, na ocasião, que esse é uma das justificativas para a solicitação de empréstimos junto ao BID, por parte da gestão municipal.
A participação do Recife nesse debate é essencial, para que a população vislumbre condições para adaptação em qualquer cenário. Poucos centímetros de elevação do nível do mar seriam suficientes para mudar a configuração urbana da capital, gerando alagamentos que inviabilizariam a ocupação de certas áreas, empurrando a Região Metropolitana para longe do litoral. O mesmo tipo de deslocamento pode ocorrer em várias partes do mundo, daí a importância para se discutir soluções em ações de adaptação em conjunto.
As mudanças na temperatura dos oceanos, que preenchem mais de dois terços da superfície da Terra, podem levar a uma aceleração nas mudanças climáticas. Estudos científicos avaliam que uma das principais correntes em águas profundas do Atlântico pode influenciar o clima global, alterando a frequência e a intensidade das chuvas. Entre as previsões estão a intensificação das secas na Amazônia, no Centro-Oeste e no Nordeste do Brasil, derrubando a produtividade agrícola, além de perturbar a vida de milhões de pessoas.
A incorporação da agenda global às agendas locais aparece como indispensável, numa época em que a instabilidade climática demanda articulação de toda a humanidade.






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