Apesar do alerta que intenção de voto representa retrato do momento, imprensa, analistas e políticos seguem a considerar como variável preditiva
Publicado em 07/12/2024 às 20:23
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Recentemente, pesquisa quantitativa foi divulgada sobre a eleição presidencial de 2026. Por consequência, diversas especulações vieram à tona. E todas elas baseadas numa única limitada variável: Intenção de votos. Apesar dos institutos de pesquisas alertarem que intenção de voto representa o retrato do momento, imprensa, analistas e políticos, seguem a considerar a porcentagem sobre um candidato como variável preditiva. E ela não é!
Proponho que a variável intenção de voto venha a ser chamada de intenção provisória de voto. Dessa forma, acredito que os apegados aos números serão incentivados a reconhecerem que, volto a dizer, a intenção de voto não é variável preditiva. Isto é: Se uma pesquisa sobre a eleição presidencial ou para governador é divulgada em dezembro de 2024 e a eleição acontecerá em 2026, a sua validade é mínima, ou, sem exageros, nenhuma.
Por trás da intenção provisória de voto está a conjuntura. Esta representa o ambiente em que a eleição será disputada. Inicialmente, vamos avaliar a eleição para o governo de algum Estado. Quais as variáveis conjunturais devem ser consideradas?
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- 1) Aliança eleitoral;
- 2) Número de partidos na coligação;
- 3) Aliança com o candidato a presidente da República;
- 4) Presença ou ausência de escândalos políticos;
- 5) Força política dos adversários;
- 6) Ações do governo, dentre as quais, políticas públicas e obras. Neste último item, considerar, por exemplo: A construção de um grande hospital, melhora da oferta de água, construção de estradas, qualificação do transporte público e maior presença de policiais nas ruas.
Se a eleição é para presidente da República, as variáveis conjunturais são:
- 1) Desempenho do PIB;
- 2) Controle da inflação;
- 3) Taxa de desemprego;
- 4) Ausência ou presença de escândalos políticos;
- 5) Aliança eleitoral;
- 6) Alianças com candidatos a governador;
- 7) Força política dos adversários;
- 8) Ações do governo nos âmbitos da política pública ou econômica e obras.
Observem, portanto, que a análise da intenção provisória do voto precisa considerar a conjuntura. Mas além da conjuntura, é necessário descobrir os sentimentos dos eleitores para com a eleição em seus variados aspectos. Neste caso, a variável intenção provisória de voto passa a ser informação secundária. A informação relevante é o sentimento do eleitor que é gerado pela conjuntura.
Quais os sentimentos que importam para as eleições de governador e presidente da República? Considerem o exemplo: “Antonio tem o sentimento de que Marte (Estado) melhorou após o governo de Y. Ele se sente seguro hoje andando pela cidade, pois têm muitas viaturas policiais circulando. Ana admira muito o governador Y, o considera sério, trabalhador e dedicado. Para Ana, os adversários, Z e P, não estão preparados para assumir os desafios do Estado. E completa: ‘Y merece seguir trabalhando, pois teve pouco tempo para fazer. E se W ganhar para presidente da República, mais investimentos chegarão’”.
Um exemplo para a eleição presidencial: “Antonio considera que o atual presidente não é ruim. Com ele, o Brasil gerou empregos, teve crescimento. O problema, diz ele, é a inflação e os juros altos, mas ele tem tentado. Já Ana considera que gostaria de um outro candidato, mas não encontra. Pois os que estão colocados não expressam confiança. Ela destaca que o Brasil precisa de trabalho e não de brigas e conflitos. E frisa: ‘Estou em dúvida’. Flávio, por sua vez, não vota em nenhum, pois todos são corruptos”.
Todos os exemplos apresentados são descobertos através da pesquisa qualitativa que tem o objetivo primordial de desvendar os sentimentos dos eleitores. Esses, volto a frisar, são provenientes da conjuntura e podem ser perenes. Os sentimentos dos votantes mais a análise da conjuntura são variáveis preditivas do voto.
Não recomendo a nenhum ator político, estrategista e imprensa a considerar a intenção provisória de votos como variável preditiva da eleição. Busquem os sentimentos dos votantes mais a interpretação da conjuntura. Com eles, a previsão sobre a disputa eleitoral de 2026 ficará nítida. Todavia, alerto: Nunca desprezem os acasos. Eles fazem parte da predição, da formulação dos cenários e da construção da estratégia.
Adriano Oliveira, Cientista político, Professor da UFPE, Fundador da Cenário Inteligência: Pesquisa qualitativa e Estratégia
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