Adriano Oliveira: A inocência da centro-direita

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Adriano Oliveira: A inocência da centro-direita


OPINIÃO
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Notícia

Se a centro-direita já estiver com a narrativa posta, nem Lula e nem Bolsonaro, o seu candidato poderá ser competitivo

Por

ADRIANO OLIVEIRA


Publicado em 07/06/2025 às 18:45
| Atualizado em 07/06/2025 às 18:46



A cada pesquisa parece que o mundo mudou há 100 anos. Mas, se você verificar bem, com atenção, nada mudou. Não é de hoje que aconselho os apaixonados por política, os analistas de pesquisas e os estrategistas, que a intenção de voto, tão amada pelos políticos, não prediz o futuro, apesar de tumultuar o presente. Faz um bom tempo que alerto que a conjuntura de 2026 poderá ser diferente da de 2022 se os atores assim desejarem.

Pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência têm mostrado desde o ano passado que a configuração emocional de parte do eleitorado é de rejeição ao presidente Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Pesquisa Quaest divulgada (06/06/2025) revela que 45% têm medo da volta do ex-presidente Jair Bolsonaro e 40% do presidente Lula continuar.

Numa disputa entre o presidente Lula e um candidato bolsonarizado, o líder do PT é favorito para vencer a eleição em razão da alta rejeição do bolsonarismo.
Pesquisa da Quaest (05/06/2025) revela que 66% dos eleitores não querem que o presidente Lula seja candidato à reeleição e 65% não desejam que o ex-presidente Bolsonaro seja candidato novamente. Estes dados corroboram com as pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência que revelam que os dois principais líderes populares são fortemente rejeitados.

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Se os grandes líderes despertam emoções negativas e polarizam o ambiente eleitoral, vislumbro, ao contrário de 2022, que a conjuntura eleitoral de 2026, a depender das ações dos atores, pode ser marcada pelo pós-Lula e pós-Bolsonaro. Deste modo, existe espaço para um competidor da terceira via, caso este vem a se apresentar como um candidato além de Bolsonaro e Lula.

Mas a simples presença de Lula e de um candidato bolsonarizado, já não polariza obrigatoriamente a eleição? Não. Se o candidato da centro-direita optar por se afastar de Bolsonaro sem falar mal dele, o resultado pode ser outro, isto é: o candidato nem Lula e nem Bolsonaro crescer nas pesquisas. O problema é que grandes partidos e lideranças da centro-direita insistem no bolsonarismo e estão à espera da benção de Jair Bolsonaro.

Por que o ex-presidente Bolsonaro escolheria Tarcísio de Freitas? Não existe razão. Pois o governador de São Paulo na presidência da República não será garantia do retorno do bolsonarismo ao poder através da anistia ou da desistência de concorrer à reeleição em 2030. Michele Bolsonaro ou um dos filhos de Bolsonaro, aparentemente, são garantias para o ex-presidente.

Enquanto a centro-direita espera por Bolsonaro, o qual esticará a corda até o prazo eleitoral limite de 2026, o presidente Lula poderá recuperar popularidade, não necessariamente de maneira intensa, e arregimentar grandes partidos do centro, como o MDB e PSD. Ressalto que o escândalo do INSS ameaça a reeleição do Lula já que associa o lulismo à corrupção.

Se a centro-direita tivesse sabedoria, se afastaria do lulismo e do bolsonarismo, e tentaria, o quanto antes, narrar para a opinião pública que o Brasil merece futuro sem Lula e Bolsonaro. Mas ela insiste em não trazer esta narrativa estratégica por acreditar, equivocadamente, que sem o bolsonarismo, ela não tem vida. A polarização política, desconsiderem o ambiente eleitoral, é por consequência da escolha dos atores.

Lembro ainda que o aparente cisne negro poderá surgir: Lula desiste de disputar a reeleição. Se isto acontecer, e a centro-direita ainda estiver à espera de Bolsonaro, Michele Bolsonaro ou um dos seus filhos, terá todas as condições de vencer a eleição de 2026.

Por outro lado, se a centro-direita já estiver com a narrativa posta, nem Lula e nem Bolsonaro, o seu candidato poderá ser competitivo. Reafirmo: com Lula ou sem Lula, o lulismo estará no segundo turno. Quanto ao bolsonarismo, isto vai depender, em parte, da escolha dos atores da centro-direita.

Por Adriano Oliveira – Cientista político. Professor da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência.




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