A ‘politização de tudo’ enfraqueceu o combate ao crime e ajudou facção

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A ‘politização de tudo’ enfraqueceu o combate ao crime e ajudou facção


Entre o oportunismo da oposição e o medo de impopularidade no governo, a fiscalização ficou bloqueada e o crime organizado celebrou.



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A antecipação da campanha eleitoral virou regra em Pernambuco e também no Brasil. E uso de bancos digitais brasileiros por facções criminosas, que gerou a operação da PF e da Receita Federal esta semana, tem a ver com isso.

A disputa de 2026 começou ainda em 2024 e, desde então, a vida dos brasileiros tem sido atravessada por palanques que jamais se desmontam.

Esse vício de priorizar a política antes do tempo certo tem custado caro ao desenvolvimento e, no caso recente, abriu espaço para que o crime organizado se fortalecesse.

A operação contra o PCC

A Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram uma operação em 10 estados, com mais de 350 alvos, para desarticular a movimentação financeira do PCC. O que se descobriu foi um esquema de lavagem de dinheiro sofisticado, apoiado em fintechs, os bancos digitais que se popularizaram pelos aplicativos.

Não se trata de demonizar essas instituições, mas de tratá-las pelo que são: bancos, que movimentam recursos e precisam estar submetidos a regras de fiscalização semelhantes às do sistema financeiro tradicional.

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A norma suspensa

Em setembro de 2024, a Receita Federal editou a instrução normativa nº 2219, que determinava que movimentações acima de determinado valor — discutia-se se seria R$ 2 mil ou R$ 5 mil — deveriam ser comunicadas.

A regra passaria a valer em janeiro de 2025. Seria um passo importante para trazer transparência ao setor. No entanto, em meio ao ambiente de disputa política, a norma se transformou em munição para palanques.

O vídeo de Nikolas Ferreira

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) aproveitou-se da antecipação eleitoral e gravou um vídeo em que afirmava que o governo Lula queria criar imposto sobre o Pix. Era mentira. A normativa não tratava de taxar o Pix, mas o discurso inflamado viralizou e alcançou centenas de milhões de visualizações.

O resultado imediato foi o desgaste do governo, a redução do uso do Pix e uma queda nos índices de popularidade de Lula.

O recuo do governo

Preocupado com aprovação e desaprovação, o governo Lula recuou e suspendeu a instrução normativa. Ou seja, em vez de bancar uma decisão técnica para combater o crime financeiro, agiu também com foco eleitoral futuro.

O resultado foi deixar o país sem instrumentos de controle sobre as movimentações feitas por fintechs.

O discurso de Nikolas Ferreira serviu ao seu projeto político, mas o recuo do governo também foi fruto de cálculo eleitoral. Erraram os dois lados.

O preço do palanque

Sem fiscalização, o PCC encontrou terreno fértil. Estruturas de postos de combustíveis, conveniências e fundos de investimento foram usados para movimentar recursos.

Apenas nessa operação, em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Maranhão, Piauí e Tocantins, a facção criminosa lavou cerca de R$ 30 bilhões.

O crime comemorou a incapacidade do Estado de agir por razões políticas.

O risco que permanece

O episódio mostra como a política feita de olho nas eleições, e não em soluções técnicas, pode gerar efeitos graves.

Nikolas Ferreira fortaleceu sua base com fake news. O governo Lula tentou preservar sua imagem ao custo de enfraquecer o combate ao crime.

No fim, quem perdeu foi o país, que se viu à mercê de facções. Agora, a operação tenta corrigir a falha, mas permanece a incerteza sobre quando o interesse público voltará a ter prioridade sobre o palanque. Talvez, em 2027.





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