Legado de Dolly Parton, onipresente em Nashville, mostra glamour do country

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
Legado de Dolly Parton, onipresente em Nashville, mostra glamour do country


“Jolene, Jolene, Jolene, Joleeeene.” Esse, que é um dos refrões mais famosos da música country, só vingou porque Dolly Parton, morta nesta terça-feira, queria memorizar o nome esquisito de uma certa fã ruivinha que lhe pedira autógrafo. Na volta para casa, contava a cantora em entrevistas, ela ficou repetindo a alcunha na cabeça para não esquecer a sonoridade.

Mas as coincidências paravam aí. A verdadeira Jolene da letra, aquela de “beleza além de qualquer comparação”, “cachos flamejantes” e “olhos cor de esmeralda”, era outra —funcionária de um banco com quem o marido de Parton andava flertando. “Eu sabia que ele estava passando mais tempo na agência do que o dinheiro que a gente tinha permitia”, disse a compositora à versão australiana do programa 60 Minutes.

Nascia uma música antológica sobre a esposa enciumada que implorava “por favor, não roube meu homem”. Parton conta que não gostava de cantá-la em shows porque era muito pessoal. Não que adiantasse muito, já que “Jolene”, lançada em 1974, se tornou hit instantâneo e vem sendo regravada por nomes tão díspares como Olivia Newton-John, Miley Cyrus e a banda indie The White Stripes.

No ano retrasado, ao fazer seu aceno ao country com o disco “Cowboy Carter”, Beyoncé se viu obrigada a regravar a canção que havia décadas já era sinônimo desse gênero musical.

Em Nashville, a meca desse estilo nos Estados Unidos, Dolly Parton está em todo lugar —na trilha sonora dos bares, pintada em murais, em capas de livro de autoajuda e estampando camisetas que fazem sátiras àquelas de partido político e pedem que ela seja eleita presidente em 2028.

No imenso Country Music Hall of Fame and Museum, bem na região central, há uma exibição permanente de alguns dos vestidos extravagantes que ela usava nas apresentações, todos com muito brilho, muito dourado, muito strass, cores berrantes. Vêm com adereços de borboletas coloridas, laços gigantescos, rendinhas românticas, decotões. Glamour bem “camp”, como parece ser regra na cidade onde é comum ver meninas com chapelão, minissaia e botinhas caipiras.

No museu, ficamos sabendo que “Islands in the Stream” só entrou no repertório da artista por acaso. Fazia quatro dias que o cantor Kenny Rogers vinha tentando gravá-la sem se empolgar com nenhuma versão. Até que alguém sugeriu: “E se chamássemos Dolly Parton para um dueto?”. Foram buscá-la às pressas. A música se tornou um hit global em 1983.

Durante os shows, lembra a viúva de Rogers, Parton costumava sussurrar piadas sujíssimas nos ouvidos do parceiro de palco para desconsertá-lo e ver se ele caía na gargalhada.

Fica em Nashville também o estúdio da RCA em que cantora “I Will Always Love You”, em 1973. Assim como “Jolene”, a música também tinha um quê autobiográfico. Após anos de colaboração com Porter Wagoner, que havia sido seu mentor, Parton almejava voo solo, mas sentia uma melancolia diante do rompimento. Escreveu uma letra sobre alguém que se despede do parceiro em meio a “lembranças agridoces” e deseja que a vida o trate bem.

Em 1992, Whitney Houston regravou a música para a trilha de “O Guarda-Costas”, com Kevin Costner, e ela estourou de vez, a ponto de se tornar o single mais vendido por uma cantora mulher. Até hoje há quem ache que é de sua autoria.

Parton, entretanto, nunca se mostrou ressentida. Conta que ouviu pela primeira vez a versão no rádio enquanto dirigia na estrada e teve de parar o seu Cadillac no acostamento. “Meu coração começou a bater mais rápido. Foi a coisa mais avassaladora”, disse.



Source link

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp

Nunca perca uma notícia importante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *