Seca em Pernambuco atinge 91% do estado e supera toda a região Nordeste, aponta ANA

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Seca em Pernambuco atinge 91% do estado e supera toda a região Nordeste, aponta ANA


Levantamento divulgado nesta quarta-feira (19) mostra que o estado teve a maior área afetada pela seca entre os nove estados nordestinos em julho


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A área atingida pela seca em Pernambuco subiu de 81% para 91% do território estadual entre junho e julho, segundo o Monitor de Secas, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgado nesta quarta-feira (19). O percentual é o maior registrado entre os nove estados do Nordeste no período.

A intensidade do fenômeno também avançou no estado. A área com seca moderada, categoria mais severa registrada em Pernambuco no levantamento, passou de 69% para 77% do território entre os dois meses. Com esse avanço, Pernambuco teve a condição de seca mais grave entre os estados nordestinos em julho, à frente de Bahia, Paraíba e Alagoas, que também registraram piora no período.


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Decreto vigente

O Governo de Pernambuco decretou situação de emergência em 75 municípios do estado em 30 de junho, por meio do Decreto nº 60.960. A medida aponta a estiagem como causa da seca hidrológica nos reservatórios administrados pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e tem validade de 180 dias, seguuindo em vigor.

Todas as cidades listadas ficam no Sertão e no Agreste, regiões mais atingidas pela falta de chuva. O decreto reconhece que os municípios “não têm condições satisfatórias de superar os danos e prejuízos provocados pelo evento adverso”, em razão da situação socioeconômica desfavorável da região. O novo decreto substitui um anterior, de 31 de dezembro de 2025, que havia declarado emergência em 107 municípios pernambucanos, número maior que o atual.

Além do decreto estadual, o governo federal reconheceu emergência em municípios pernambucanos de forma pontual ao longo do ano. Cumaru e São Caetano entraram na lista em julho, enquanto Jucati recebeu o reconhecimento em outra portaria do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

Nível crítico

A situação da Barragem de Jucazinho, em Surubim, ilustra a gravidade do quadro no Agreste. O reservatório é o principal manancial de água humana do Agreste Setentrional e abastece 13 municípios da região.

Segundo o Boletim do Monitoramento dos Reservatórios nº 151, divulgado pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) nesta quarta-feira (19), Jucazinho opera com 3,88% de sua capacidade total, volume que classifica o reservatório em situação de colapso pelos critérios da agência.

O manancial não está sozinho nesse quadro. O mesmo boletim registra 22 reservatórios em colapso espalhados por seis das doze bacias hidrográficas do estado, a maioria concentrada no Sertão.

O boletim da Apac mostra que os colapsos se concentram no Sertão. A bacia do Pajeú soma sete reservatórios nessa situação, o maior número entre as doze bacias hidrográficas monitoradas pela agência. Em seguida aparece a bacia do Brígida, com seis mananciais colapsados, e as bacias do Ipojuca e do Terra Nova, com três cada.

Cinco reservatórios operam com volume zerado. Três ficam na bacia do Brígida, os açudes de Parnamirim, Chapéu e Rancharia. Os outros dois são Arrodeio, na bacia do Pajeú, e Abóboras, na bacia do Terra Nova.

O quadro contrasta com o litoral do estado. Bacias como GL1, GL2, Goiana, Mundaú e Sirinhaém não registram nenhum reservatório em colapso, a maioria deles vertendo depois das chuvas mais recentes.

Perdas agrícolas

O impacto da seca no bolso do produtor pernambucano tem histórico recente. Levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que analisou o período entre 2013 e 2022, mostra que Pernambuco perdeu 20,1% da área média de cultivo do estado por causa de eventos climáticos. É a segunda maior perda proporcional entre os estados nordestinos, atrás apenas de Sergipe, com 16,4%.

Na seca histórica que atingiu o Nordeste entre 2012 e 2015, os prejuízos somaram R$ 104 bilhões na região, dos quais R$ 1,5 bilhão só na pecuária pernambucana.

Dados mais recentes, divulgados nesta quarta-feira (19) pelo Ministério da Agricultura, mostram que a pecuária nordestina cresceu 2,1% em julho, puxada pelos bovinos. Pernambuco, no entanto, foi o único estado da região em que o setor não acompanhou a alta, com retração de 0,3%, enquanto vizinhos como Paraíba e Bahia registraram crescimento de dois dígitos.

No Nordeste

A Bahia teve a segunda maior área atingida da região, com 90% do território em situação de seca, ante 79% em junho. A seca moderada avançou de 58% para 72% do estado baiano, a condição mais severa desde fevereiro deste ano.

A Paraíba passou de 74% para 85% de área atingida, maior patamar desde março, quando o estado chegou a 100%. A seca moderada avançou de 40% para 45% do território paraibano.

Sergipe registrou o salto mais expressivo da região. A área com seca saltou de 12% para 49% entre junho e julho, maior percentual desde os 78% de março. A seca moderada também avançou, de 1% para 11% do estado.

O Rio Grande do Norte teve alta de 69% para 79% de área atingida, maior índice desde março. A severidade, porém, ficou estável, com seca moderada em 15% do território.

Alagoas somou 66% de área com seca em julho, ante 37% em junho. A seca moderada avançou de 19% para 30% do estado, a condição mais severa desde março.

O Piauí teve leve alta, de 85% para 88% de área atingida, com severidade estável e seca moderada em 65% do território.

Nem todos os estados da região registraram piora. O Ceará manteve estabilidade, com 30% de área atingida e seca moderada em 3%, a condição mais branda desde maio de 2025, o menor índice entre os estados nordestinos em julho. O Maranhão teve leve alta, de 40% para 45%, mas seguiu apenas com seca fraca, a categoria mais branda da escala, sendo o único estado da região nessa condição no mês.

O monitor das Secas

O Monitor de Secas é uma ferramenta de acompanhamento contínuo da severidade das secas no país, mantida pela ANA em parceria com instituições estaduais. O programa cobre os 26 estados e o Distrito Federal desde 2014, quando começou pelo Nordeste, e tem cobertura nacional completa desde 2023.






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