Com quase 2 mil quilômetros quadrados de áreas urbanizadas adicionais, em apenas três anos, a região nordestina apresenta o maior crescimento no país
JC
Publicado em 19/08/2026 às 0:00
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A concentração demográfica impulsiona as construções residenciais e comerciais, além de outros equipamentos urbanos, em todo o território brasileiro. Mas o Nordeste vem se destacando na urbanização nos últimos anos, de acordo com o mais recente estudo sobre a questão, divulgado esta semana pelo IBGE. A região ampliou a urbanização em 16%, ante 13% no Sul, 11% no Norte e no Centro-Oeste, e 9% no Sudeste, que possui mais de um terço das feições urbanizadas no país. E os números atuais podem ser maiores, já que a análise se refere à comparação entre os dados de 2019 e 2022, com a publicação da quarta edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil, que retrata “a representação espacial do fenômeno urbano no País, fundamentada nas relações do espaço vivido que caracterizam as interações de vizinhança e o modo de vida urbano, evidenciadas pela presença de edificações, pela circulação de pessoas, pela rede viária e pela distribuição e proximidade entre residências, entre outros aspectos”, segundo a agência de notícias do IBGE.
Os nordestinos ocupam uma área urbanizada equivalente a um quarto dos quase 54 mil quilômetros quadrados urbanizados no território nacional – proporcionalmente pouco em relação à área superior a 8,5 milhões de quilômetros quadrados de toda a extensão territorial. Um dado que mostra o quanto há de área não urbanizada, em praticamente 99% do solo no Brasil. A concentração demográfica urbana aumenta em todas as regiões, mesmo no Sudeste, já densamente ocupado. E para os nordestinos, significa a consolidação de um modelo de desenvolvimento que reprisa o de regiões ricas, mesmo que o grau de melhor qualidade de vida ainda esteja distante da maioria da população nordestina.
Segundo outra pesquisa do IBGE divulgada em abril, a imensa maioria dos brasileiros mora em casas, mas a moradia em apartamentos já representava, por exemplo, um quinto das residências no Sudeste no ano passado. A verticalização é uma tendência dentro da urbanização brasileira, e deve seguir crescendo em todas as regiões. Algo já visto em diversos países, especialmente na China dos últimos anos, que investiu nesse tipo de urbanização ao mesmo tempo em que fez dela um modelo de desenvolvimento sustentável. No caso brasileiro, a verticalização incorpora o desejo de um lugar seguro para habitar e viver – como tratamos no editorial de ontem, a violência é o principal problema na ótica da população.
O ritmo acelerado da urbanização nordestina impõe aos gestores públicos, nos estados e nos municípios, a necessidade de melhoria da infraestrutura e do planejamento de médio e longo prazos. Afinal, as demandas também aumentam com a maior urbanização, do esgotamento sanitário nas novas moradias ao transporte das pessoas, da oferta de educação e saúde de qualidade a equipamentos de convivência e interação social, sem falar, mais uma vez, na questão da segurança solicitada cada vez mais pela população.
Quais as propostas e a visão de candidatas e candidatos aos governos estaduais, ao Congresso e assembleias legislativas, a respeito da urbanização que dispara na região nordestina? A menos de dois meses para o encontro com as urnas, a pergunta ganha relevância.












