Maior preocupação da população brasileira é a insegurança diante de bandidos e da falta de confiança nas autoridades para proteger os cidadãos
JC
Publicado em 18/08/2026 às 0:00
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A realidade assusta quem sai de casa, e quem volta. Basta pôr os pés na rua. E basta estar na própria residência, também, para desconfiar de qualquer ruído ou sombra. Nem na escola a proteção é garantida, e a agressão pode ser cometida por colegas de turma. No Cabo de Santo Agostinho, um grupo de meninos é suspeito de estuprar duas meninas. Ex-companheiros partem pra cima de mulheres com brutalidade e sede de sangue. Nas comunidades dominadas pelo tráfico, o cotidiano é manchado pelo vermelho de vidas perdidas, a maioria na flor da idade, vítimas da roubada em que se meteram. No simulacro das redes sociais, o ódio é o que há de mais verdadeiro, e se compartilha com entusiasmo e indisfarçado cinismo. Nos estádios de futebol, e no entorno de onde são realizadas as partidas, o esporte mais popular se transforma em gatilho de insultos e pancadaria. E nos dias de futebol, os crimes domésticos contra mulheres, não por acaso, disparam.
Pesquisa da Quaest cujos resultados foram divulgados na última sexta, revelaram que a violência é a maior preocupação das brasileiras e dos brasileiros – citada por um terço dos entrevistados (33%), com quase o dobro de percentual da segunda, a economia (15%), quase o mesmo percentual de saúde e corrupção (14%). Os problemas sociais aparecem como o principal problema para apenas 7% dos entrevistados. Os dados traduzem a ansiedade coletiva, expondo o grau de dominação do crime organizado em vários locais do território nacional, e a incapacidade dos governos de conter a criminalidade e reduzir a insegurança que estressa, assalta, agride e mata cidadãs e cidadãos, todos os dias.
Em entrevista à Rádio Jornal, o consultor e especialista em segurança pública, Armando Nascimento, disse esperar que os números da pesquisa influenciem os rumos da campanha eleitoral. O problema, na ótica do consultor, é que o problema está de tal forma enraizado no cotidiano brasileiro, que as pessoas podem não discernir as melhores propostas para combater o medo que as afligem. “A população já está se acostumando com essa violência, ou seja, já está fazendo parte do dia a dia. E não consegue realmente avaliar se aquele candidato realmente tem um projeto que vai responder à percepção de insegurança”, avalia.
Uma sugestão há muito discutida é defendida pelo especialista: a participação efetiva dos governos municipais no enfrentamento da violência. Faz sentido. O poder municipal conhece bem a realidade local, e dispõe de mecanismos institucionais e agentes públicos capazes de se aproximar da população, bem como de coibir a ação dos bandidos, em articulação com os governos estaduais e o federal. O Sistema Único de Segurança que espera implementação desde 2018 é um dos caminhos, além da integração entre os municípios, com o objetivo de impedir que os crimes apenas se desloquem de uma cidade a outra.
Assim como o crime acontece na cidade, o medo também. A população certamente irá compreender e colaborar para que a integração da segurança obtenha os efeitos aguardados de apaziguamento e redução da criminalidade.












