Shows de BaianaSystem e Criolo encerram agenda extensa do festival SP2B

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Shows de BaianaSystem e Criolo encerram agenda extensa do festival SP2B


A primeira edição do SP2B, evento que teve uma programação extensa ao longo de oito dias no parque Ibirapuera, em São Paulo, foi encerrada, neste final de semana, com duas apresentações carregadas na voltagem política e com críticas ao presidente americano Donald Trump.

Com atividades gratuitas e pagas, o festival teve parceria com a Folha e promoveu painéis com 2.000 palestrantes, abordando temas como inovação e empreendedorismo em atrações espalhadas por nove espaços do parque.

A banda BaianaSystem foi a grande atração do domingo. Gratuito, o show fez jus à qualidade artística pela qual o grupo é conhecido e teve a participação de cantoras da Orquestra Afrosinfônica —parceria do último álbum do grupo, “O Mundo Dá Voltas”.

A apresentação abriu com o telão exibindo cenas de protesto, censura e até imagens lúdicas como a do planeta Terra dentro de um coração humano pulsante. O vídeo ainda mostrou o rosto de Donald Trump, acompanhado da frase “eu não vou sucumbir”, além de celebrações a líderes negros e ao Carnaval baiano.

O vocalista Russo Passapusso vestia na cintura uma bandeira brasileira, de cor preta e cinza. Depois, bandeiras da Palestina também foram erguidas pelos músicos no fim da apresentação.

Carismático, Passapusso colocou seus fãs no bolso do início ao fim. Em “Balacobaco”, o músico desceu do palco para cumprimentar o público da grade e incendiar o restante da plateia ao puxar sucessos carnavalescos.

Uma das principais marcas das apresentações do grupo, as típicas rodinhas de bate-cabeça apareceram em vários momentos. O BaianaSystem levou ao palco músicas como “Sulamericano”, “Lucro” e “Saci”, além de “Navio” e “Capim Guiné”.

No dia anterior, quem lotou os arredores do palco foi Criolo. O músico levou suas duas facetas artísticas, o sambista e o rapper. No setlist, estiveram músicas como “Convoque seu Buda”, “Sistema Obtuso” e “Não Existe Amor em SP”, além de covers de “I Wanna Love You”, de Bob Marley, “Canto das Três Raças”, da Clara Nunes, e “Codinome Beija-flor”, do Cazuza.

Criolo parecia em casa. Em vários momentos, brincou com o público, os músicos da sua banda e até com a tradutora de libras, tentando aprender algumas palavras. Figurinha já conhecida em seus shows, DJ Dandan também interagiu bastante com a plateia e ficou em destaque.

Quem dividiu o palco com Criolo foi a rapper Ajulliacosta, em uma participação breve, mas o suficiente para que a artista fosse ovacionada. Ela cantou faixas como “Dahrma” e “O que a Julia Vai Ser?”. Nesta última, xingou Trump mais de uma vez. Já no fim da apresentação, a artista foi às lágrimas, enquanto abraçava o cantor.

Na sexta, a organização do SP2B anunciou que o evento tinha recebido mais de 45 mil espectadores. A projeção era de que, após os shows do fim de semana, o número subisse para 70 mil —as apresentações já estavam com ingressos esgotados. O Planetário do Ibirapuera também recebeu mais de mil pessoas por dia durante a semana, com sessões de filmes abertas ao público.

E a próxima edição do SP2B foi confirmada, prevista para agosto do ano que vem. Rafael Lazarini, fundador do evento, disse que a ideia é diversificar mais a representação regional dos palestrantes.

Nesta edição, o festival recebeu nomes como a psicoterapeuta belga Esther Perel, o médico Drauzio Varella, o influenciador Felca, além de artistas como Luísa Sonza e Maisa Silva. Do avanço da inteligência artificial à nova era da publicidade passando pelo mundo dos negócios, o evento se inspirou no sucesso do festival americano SXSW, referência no mundo da tecnologia e da cultura.



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