A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) apresentou ao Tribunal de Contas da União (TCU) um estudo técnico que comprova a viabilidade econômica e o impacto social da conclusão do trecho da Ferrovia Transnordestina entre Salgueiro e o Porto de Suape, em Pernambuco. Em reunião realizada em Brasília, o superintendente do órgão, Francisco Alexandre, entregou o documento ao ministro Jhonatan de Jesus, relator do processo que acompanha a retomada das obras no trecho pernambucano.
Elaborada com base na metodologia de Análise Custo-Benefício (ACB) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a avaliação indica um Valor Social Presente Líquido (VSPL) de R$ 4,76 bilhões e uma Taxa de Retorno Econômico (TRE) de 15,53%. As projeções da autarquia revelam ainda que a implantação do trecho ferroviário deve impulsionar o Valor Adicionado Bruto (VAB) em cerca de R$ 8,23 bilhões, além de gerar um acréscimo anual de aproximadamente R$ 910 milhões à economia regional durante a fase de operação.
Segundo o superintendente Francisco Alexandre, a análise busca fundamentar com rigor a relevância estratégica da ferrovia para o Nordeste. “Nosso objetivo é oferecer elementos técnicos, com base em dados atualizados e na perspectiva do interesse público,” destacou o gestor ao término do encontro.
Diferentemente das métricas estritamente financeiras, o cálculo do VSPL mensura o dividendo social do empreendimento. No trecho Salgueiro-Suape, a estimativa contabiliza ganhos diretos como a diminuição dos custos de transporte de cargas, o aumento da segurança nas estradas com a redução de acidentes, a diminuição da emissão de gases poluentes e a economia de recursos públicos no combate ao desgaste da malha rodoviária, além de promover a integração produtiva da região.
A entrega do estudo ocorre em um momento de avanço contido nos trâmites operacionais da ferrovia. Em julho, a Infra S.A. e o Consórcio ACA Transnordestina formalizaram um contrato de R$ 312,8 milhões para a elaboração do projeto executivo e execução das obras remanescentes do lote SPS 04 após decisão colegiada do próprio tribunal, que ainda não liberou o início de obras físicas.
O contrato, que possui prazo de vigência de 57 meses, abrange 73,32 quilômetros de extensão entre os municípios pernambucanos de Custódia e Arcoverde.












