A exposição “QUILOMBOLAS: Tecendo Territórios de Liberdade”, com curadoria de Cícera Barbosa e Joseli Cordeiro, segue em cartaz até o próximo dia 26 de julho de 2026, no Museu da Cultura Cearense (MCC) do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. A mostra vem marcando a reabertura do espaço cultural após pouco mais de dois meses de manutenção. O propósito é trazer à tona a ideia do quilombo como um território de experiências históricas e presentes; com modos próprios de organizar a vida, cultivar a terra, educar as crianças, celebrar o sagrado e defender a coletividade.
A exibição “QUILOMBOLAS” contrapõe-se à ideia de quilombo apenas como espaço de refúgio do passado; apresentando-o como um projeto de mundo vivo, pulsante e em constante construção coletiva, narrado por 137 agrupamentos espalhados por todas as regiões do Ceará. “Mais que uma mostra, a exposição se afirma como ato político e pedagógico, uma inscrição pública da presença quilombola no imaginário coletivo e uma devolutiva da pesquisa para o território – do museu para o povo”, é o que declara a curadora Cícera Barbosa.
Dessa forma, conta com um acervo de mais de 150 itens, entre objetos, fotografias, sons e frases que se entrelaçam como fios de “Transfluências” – conceito proposto pelo filósofo, poeta, escritor, professor, líder quilombola e ativista político Nêgo Bispo (1959-2023) –, entendido como passagem e paisagem de mundo: não apenas a troca de informações, muito além: a circulação de modos de vida, saberes e tecnologias de cuidado que se sustentam no coletivo.

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A mostra traz também um caráter inédito não apenas pela forma, mas pelo gesto; conforme afirma a curadora Joseli Cordeiro. Isso porque, pela primeira vez, o Ceará, tantas vezes proclamado “Terra da Luz” por ter antecipado a abolição formal, reconhece que a verdadeira luz vem dos territórios que nunca deixaram de existir, dos corpos que sempre lutaram por dignidade e de uma ancestralidade que ilumina caminhos.
“Ao reunir histórias, imagens e presenças quilombolas, a exposição inaugura uma outra narrativa de modernidade: aquela que não nega a tradição, mas a reinscreve como força criadora, convocando o público a ver os quilombos não como vestígios do passado, mas como laboratórios de futuro. O quilombo não é refúgio de passado, é projeto de mundo”, destaca a curadora Joseli Cordeiro.
Veja detalhes!
Exposição “QUILOMBOLAS: Tecendo Territórios de Liberdade”
Visitação até: 26 de julho de 2026 (domingo)
Horário: de quarta a sábado (9h às 19h), e domingos e feriados (10h às 20h)
Local: Museu da Cultura Cearense – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Endereço: Rua Dragão do Mar, s/n, Praia de Iracema, Fortaleza (CE) – CEP: 60060-390
Acesso gratuito
Foto de capa: Nayra Maria.
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