Emocionado, o neto de Benedito Ruy Barbosa, Bruno Luperi, disse ao chegar no velório de seu avô que, com suas novelas, o autor foi capaz de “trazer dignidade para o brasileiro e estar do lado certo da história”.
“A obra dele vai permanecer imortal. Ele fala do Brasil, das mãos que fizeram este país, não dos interesses que trouxeram a gente até aqui”, afirmou Luperi, com lágrimas nos olhos, acrescentando que seu avô conseguiu representar muitas culturas do país.
Morto nesta terça-feira, aos 95 anos, Ruy Barbosa é velado na Funeral Home, uma funerária privada na rua São Carlos do Pinhal, na região central de São Paulo, até as 21h. A imprensa não pôde entrar para acompanhar a cerimônia, que recebeu diversas coroas de flores —inclusive uma com uma faixa assinada pela atriz Glória Menezes, de 91 anos, e Tarcísio Meira, morto em 2021.
Luperi também disse que pôde homenagear seu avô em vida ao roteirizar os remakes de “Pantanal” e “Renascer”, duas das novelas clássicas do dramaturgo, e que não há previsão para novas recriações de obras de Ruy Barbosa.
Ele afirmou ainda que o dramaturgo era “um grande contador de histórias” antes de ser um autor de novelas. “Fica a saudade e ficam as coisas boas, também.”
Cristiana Oliveira, que interpretou Juma em “Pantanal”, afirmou estar muito triste mas grata por tudo o que Ruy Barbosa fez por ela. Juma foi “um presente eterno”, ela disse, adicionando que a personagem foi uma divisora de águas em sua carreira e que as novelas do autor são atemporais por falarem “de um Brasil raiz que talvez o Brasil não conheça”.
Leopoldo Pacheco, ator que interpretou personagens em diferentes novelas do autor, disse que o Ruy Barbosa retratava “homens íntegros de histórias simples e uma profundidade imensa”.
Edilene Barbosa, uma das filhas do autor, disse estar agradecida por seu pai ter vivido bastante e que “é muito triste saber que acabou”. Segundo ela, ele estava lúcido e entrou e saiu diversas vezes do hospital nos últimos meses de vida, mas não suportaria um transplante.
“Além de um grande autor, foi um grande pai, um grande avô”, disse.
Neta, a atriz Paula Barbosa disse que só tem boas lembranças de seu avô e que foi a realização de um sonho trabalhar com ele —ela atuou nos remakes de “Paraíso”, de 2009, “Meu Pedacinho de Chão”, de 2014, e “Pantanal”, de 2022, no qual interpretou a personagem Zefa.
O jornalista e crítico televisivo Flávio Ricco disse que Ruy Barbosa “deixou ideias guardadas que certamente serão aproveitadas” e que o público seguirá vendo as suas novelas.













