Confirmação do fenômeno por cientistas em todo o mundo também gera alerta sobre ondas de calor e fortes chuvas no Brasil, neste semestre
JC
Publicado em 02/07/2026 às 0:00
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O que era tendência apontada pelos pesquisadores, há poucos meses, já recebeu confirmação desde junho: a temperatura mais elevada que de costume na superfície do Oceano Pacífico caracteriza a formação do fenômeno El Niño e seus efeitos no clima da Terra, a partir do segundo semestre, e com provável duração até o ano que vem. Em primeira manifestação oficial sobre o assunto no Brasil, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) atualizou as previsões para o trimestre de julho a setembro, levando em consideração a ocorrência do fenômeno climático, que pode acarretar instabilidades de porte no ambiente natural, na vida urbana e no equilíbrio da biodiversidade em várias partes do planeta.
Com a projeção de temperaturas do mar acima de 2 graus centígrados mais altas que o normal, espera-se que o El Niño seja muito forte este ano, podendo produzir efeitos contínuos pelos menos até o início de 2027. No Brasil, os estudos com prognósticos para o fenômeno estão sendo realizados em parceria do Inmet com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), o Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec). O envolvimento de vários órgãos é importante para o compartilhamento e a análise das informações, bem como das medidas preventivas e de redução dos impactos sobre o meio ambiente e as populações dos locais afetados.
Em relação ao nível dos rios em território brasileiro, a preocupação se dirige sobretudo à extensão da seca na Amazônia no segundo semestre. Há apenas dois anos, a estiagem turbinada na região pelo El Niño deixou rios tão secos que a paisagem parecia de deserto. Mas o Rio São Francisco também preocupa, no Nordeste, com a expectativa de chuvas abaixo da média no período. O calor intenso combinado com pouca chuva pode causar, no Norte e no Nordeste, prejuízos para a agricultura e a pecuária, impactando as economias locais e o fornecimento de alimentos para os centros urbanos.
O Centro-Oeste e o sul amazônico podem registrar riscos maiores de queimadas no trimestre. Por outro lado, os temporais ligados ao El Niño são mais prováveis, no Brasil, a partir de outubro. Cada evento climático possível associado ao fenômeno deverá ser objeto de análise particular, de acordo com a sua previsibilidade e proximidade, indicam os órgãos responsáveis pelo tema no Brasil. Para a gestão pública fazer escolhas de prioridades e tomar as decisões cabíveis em tempo hábil, é essencial que o trabalho de percepção e análise dos dados aqui dentro seja compatível com a atenção que vem sendo recebida pelo El Niño em outros países. E para os cidadãos brasileiros, pelo menos dois aspectos devem ser realçados: a necessidade de se levar a sério os riscos de fenômenos climáticos que parecem de rotina, mas podem chegar muito mais intensos; e a permanente cobrança aos governos, em todos os níveis, para que a prevenção sinalize o grau da responsabilidade perante os destinos coletivos.














