Desastre natural causa tragédia no país sul-americano e aprofunda crise humanitária, elevando necessidade de mobilização internacional
JC
Publicado em 26/06/2026 às 0:00
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A economia encolhendo há décadas tem feito a população buscar a saída do país como solução da crise social que atormenta os venezuelanos. Faz tempo que o cotidiano na Venezuela clama por socorro humanitário, diplomático e econômico. E o que se viu foi a intervenção de uma potência militar invadindo suas fronteiras para levar o ditador Nicolás Maduro preso, deixando em seu lugar a vice, após acordo político que não mudou quase nada na realidade local. No ano passado, segundo a Organização das Nações Unidas, nada menos que um quarto da população, cerca de 8 milhões de pessoas, precisava de apoio humanitário.
Depois de dois grandes terremotos, um atrás do outro, a situação se torna ainda pior. A catástrofe natural amplia o sofrimento coletivo. O que já podia ser tratado como emergência social se transforma em urgência humanitária que o mundo não pode fazer de conta que não vê. E pelas manifestações iniciais de governos de várias partes do planeta, a crise na Venezuela ganha visibilidade, após o trauma de se ter tanta gente soterrada pela destruição causada por tremores de terra. Como a infraestrutura existente para lidar com o pós-terremoto é sabidamente insuficiente, as demandas só crescem para dar conta de necessidades imediatas sob pressão.
Neste momento de suplício, salta aos olhos a importância da colaboração entre os países na hora da tragédia – e a evidência de que estamos todos no mesmo barco humano, dependendo uns dos outros para seguir na rota da sobrevivência. Os efeitos econômicos para uma nação em crise podem ser devastadores. Por isso, além do socorro humanitário, a solidariedade com os venezuelanos deve incluir apoio financeiro para a reconstrução do que foi perdido pelos abalos, e o que vem sendo corroído há décadas, inclusive por sanções que afugentam investimentos e impedem o desenvolvimento.
Para a ONU, a Venezuela representa uma oportunidade para “um esforço em massa e coletivo” de outros países. A solidariedade diplomática foi seguida de boas intenções, como o envio de equipes especializadas em resgate em escombros, além de profissionais de saúde. Em alguns casos, a intenção não foi seguida pela definição da maneira da ajuda, como no primeiro momento da parte do governo brasileiro. É fundamental que as Nações Unidas tomem a frente, e organizem, junto com os venezuelanos, as demandas que se apresentam, e as ofertas de cada país.
São dezenas de nações solidárias que podem ser acionadas. Mas não apenas no rescaldo de movimentos sísmicos. Por debaixo da superfície da crise venezuelana, há um povo machucado pelos próprios governantes, mas também pela falta de solidariedade que agora chega em grande onda. À reconstrução dos prédios que desabaram, a população espera a continuidade da boa vontade global, através de gestos sustentados de suporte humanitário, não apenas para que a riqueza retorne ao país decadente – mas para que a dignidade seja vista novamente no olhar das pessoas, com esperança reforçada pelo compartilhamento da confiança na humanidade. Que a Venezuela seja um exemplo de que não vivemos em ilhas, e nenhum muro é capaz de nos separar.












