Há 51 anos, Moçambique conquistava sua independência – Mundo Negro

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Há 51 anos, Moçambique conquistava sua independência – Mundo Negro


Foto: José Chasin/Wikimedia

Em 25 de junho de 1975, Samora Machel proclamou a independência de Moçambique após quase 11 anos de luta armada contra o colonialismo português.

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No dia 25 de junho de 1975, Samora Machel, líder da Frente de Libertação de Moçambique e primeiro presidente da República Popular de Moçambique, proclamou no Estádio da Machava, em Maputo, a independência total e completa do país, encerrando mais de quatro séculos de presença colonial portuguesa em território africano e quase 11 anos de luta armada de libertação nacional. Na mensagem de proclamação dirigida ao povo moçambicano reunido no estádio, Machel declarou, conforme registrado na Declaração de Independência de Moçambique:

“A República que nasce é a concretização das aspirações de todos os moçambicanos, é o produto do sacrifício dos combatentes nacionalistas, de todo o povo moçambicano.”

O processo que tornou possível aquela proclamação teve início 13 anos antes, também em 25 de junho, quando a FRELIMO foi fundada em Dar-es-Salaam, na Tanzânia, a partir da fusão de três organizações nacionalistas de base regional: a União Democrática Nacional de Moçambique, a Mozambique African National Union e a União Nacional Africana de Moçambique Independente, reunidas sob os auspícios do presidente tanzaniano Julius Nyerere, conforme registrado pela Wikipédia em seu verbete sobre a Frente de Libertação de Moçambique. Eduardo Chivambo Mondlane, antropólogo e um dos fundadores do movimento, assumiu a presidência da FRELIMO e conduziu as primeiras etapas da luta política e armada, que teve início em 25 de setembro de 1964 no posto administrativo de Chai, na província de Cabo Delgado, segundo o Portal do Governo de Moçambique.

A guerrilha avançou gradualmente pelo território nacional, estabelecendo zonas libertadas no norte do país que escapavam ao controle colonial e funcionavam como embrião do futuro Estado moçambicano, enquanto Portugal mantinha no terreno uma força militar de aproximadamente 60 mil soldados para conter o avanço da FRELIMO, cujo contingente guerrilheiro havia chegado a 7 mil combatentes no início da década de 1970. Em 3 de fevereiro de 1969, Mondlane foi assassinado em Dar-es-Salaam pela explosão de uma encomenda armadilhada atribuída a agentes do colonialismo português, e a liderança da FRELIMO passou para Samora Machel, que conduziu o movimento até a proclamação da independência seis anos depois.

A virada política decisiva veio de fora de Moçambique, com a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974 em Lisboa, que derrubou o regime do Estado Novo e abriu caminho para negociações entre o governo provisório português e a FRELIMO, resultando na assinatura dos Acordos de Lusaka em 7 de setembro de 1974, que fixaram a data da independência para 25 de junho de 1975, conforme registrado pela Bancada Parlamentar da FRELIMO em seu arquivo histórico sobre Samora Machel. Na sessão do Comité Central realizada na praia do Tofo, em Inhambane, foi aprovada a Constituição da República Popular de Moçambique e decidido que Machel seria o primeiro presidente, assumindo o cargo no dia da proclamação.

Foto: Reprodução

O período imediatamente posterior à independência foi marcado por tensões internas severas e por um conflito armado que se estendeu por quase duas décadas, com a Guerra Civil Moçambicana travada contra os rebeldes da RENAMO, movimento apoiado pela Rodésia e pela África do Sul, que destruiu infraestruturas econômicas e ceifou um número ainda impreciso de vidas antes de chegar ao fim com a assinatura dos Acordos Gerais de Paz em 1992, segundo o Portal do Governo de Moçambique. Samora Machel não viveu para ver o encerramento desse conflito: morreu em 19 de outubro de 1986 num acidente aéreo em M’buzini, na vizinha África do Sul, sendo sucedido na presidência por Joaquim Alberto Chissano. Em 1981, ainda em vida, Machel havia deixado registrada na Praça da Independência uma declaração sobre as ameaças externas ao seu governo:

“Quando alguém vai com uma lata de petróleo pegar o fogo à casa do vizinho deixa sempre rasto. Este rasto é o rastilho que trará fogo à sua própria casa.”

Neste 25 de junho de 2026, Moçambique marca 51 anos daquela proclamação em um contexto em que o país ainda enfrenta desigualdade na distribuição de recursos naturais, precariedade de infraestrutura e tensões políticas que remontam ao período pós-guerra civil, enquanto a data permanece, para a população negra moçambicana e para os povos africanos de língua portuguesa, como referência central da luta anticolonial no continente africano.

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