Ministro Wellington Dias, coordenador da campanha no Nordeste, afirma em entrevista que Lula apoiará João Campos e Raquel Lyra pelo governo de PE.
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Pela primeira vez, um nome de peso da coordenação da campanha de Lula no Nordeste afirmou diretamente que o presidente terá dois candidatos em Pernambuco. A declaração é de Wellington Dias (PT), ministro do Desenvolvimento Social e ex-governador do Piauí, em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta segunda-feira (8). Senador licenciado, Dias foi escalado pelo próprio Lula para articular a estratégia eleitoral na região e deve se afastar do ministério a partir de julho, durante o período das convenções.
Confirmação
A afirmação de Dias não deixa margem para ambiguidade. “Lá temos o João Campos e a Raquel Lyra”, disse ao Globo, listando Pernambuco ao lado de Maranhão e Paraíba como estados onde a estratégia do duplo palanque está em curso. O ministro ainda contextualizou a relação do PT com a governadora: Lyra se colocou como oposição em 2022, adotou neutralidade no segundo turno, mas parte considerável do campo petista permaneceu ao seu lado. O enquadramento é de cooptação progressiva, não de aliança consolidada.
A declaração tem peso político específico porque vem de quem vai coordenar a campanha. Não é mais leitura de bastidores nem sinalização difusa. É posição oficial de quem responde pela estratégia eleitoral de Lula no Nordeste.
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Contexto
A confirmação chega em momento particular da disputa pelo Governo de Pernambuco. A pesquisa Datafolha divulgada em 28 de maio mostrou Raquel Lyra (PSD) com 48% das intenções de voto no primeiro turno, contra 43% de João Campos (PSB). É a primeira vez que a governadora aparece numericamente à frente do ex-prefeito do Recife em levantamento do instituto.
O dado é relevante porque antecede justamente o período em que o PSB apostava numa virada de cenário. As principais apostas estratégicas do campo socialista não produziram os resultados esperados. A migração em massa de prefeitos para o palanque de Campos nunca aconteceu. A governadora mantém influência sobre a esmagadora maioria dos gestores municipais do estado. O desgaste da máquina estadual, alvo de ofensiva parlamentar e discursiva do PSB nos últimos meses, também não apareceu nas pesquisas. Pelo contrário: a aprovação da gestão Lyra avançou de 60% para 67% no mesmo levantamento.
Variável
Restava, então, a terceira frente. O apoio exclusivo de Lula era tratado internamente no PSB como a única carta com potencial real de alterar o equilíbrio da disputa. Era a variável capaz de compensar as demais, de dar ao ex-prefeito do Recife o impulso necessário para superar uma governadora sentada na cadeira, com aprovação crescente e cobertura de prefeitos. A viagem de Campos a Brasília, em 28 de maio, foi lida nos bastidores exatamente como uma tentativa de pressionar Lula a definir posição.
O que circulou depois foi que nada havia mudado. E agora, com a declaração de Wellington Dias ao Globo, o cenário está formalmente posto: Lula manterá os dois palanques. A lógica do presidente é clara. Pernambuco é estado relevante para a disputa presidencial, Lyra administra um governo bem avaliado, e o PT não tem interesse em escolher entre dois aliados quando pode tentar abraçar os dois.
Pressão
A sequência dos últimos dias ajuda a entender o timing da declaração. Na semana passada, a Coluna do Estadão revelou que dirigentes do PSB, irritados com o que chamam de fogo amigo do PT, já descartam apoiar um nome petista à Presidência em 2030. A nota citou diretamente o cenário indefinido em Pernambuco como um dos motivos do mal-estar. Segundo o Estadão, após a reunião de Campos com Lula no Planalto, o presidente teria se comprometido a declarar palanque único no estado. O anúncio nunca veio.
A declaração de Wellington Dias ao Globo, publicada dias depois, é a resposta que chegou, mas não era a que o PSB esperava.
Afunilamento
A eleição em Pernambuco ainda está longe de ser decidida. O estado tem histórico de campanhas que mudam de direção com velocidade. João Campos é um político com capital eleitoral real, construído na Prefeitura do Recife, e tende a fazer uma disputa acirrada contra Lyra.
Mas o quadro atual é de estreitamento de opções para o ex-prefeito. Os prefeitos não migraram. O desgaste da gestão estadual não apareceu nas pesquisas. O apoio exclusivo de Lula não vai acontecer. As dificuldades, hoje, são maiores para ele do que para a governadora.














