No País em que as concessões rodoviárias – também conhecidas popularmente como rodovias pedagiadas ou com cobrança de pedágio – estão completando três décadas de operação, regiões como o Nordeste e o Norte brasileiros seguem à margem do processo. Ou, pelo menos, quase à margem dele.
São 30 anos desde a primeira rodovia brasileira concedida à operação privada – a Ponte Rio-Niterói (Ponte Presidente Costa e Silva – BR-101/RJ) – e, mesmo assim, o Nordeste segue com uma participação ainda ínfima do pacote de concessões rodoviárias. Algo próximo de 8% da malha concedida no País.
São pouquíssimos projetos até hoje, três décadas depois. E, mesmo assim, predominantemente no estado da Bahia. Pernambuco tem uma participação muito pequena, assim como o Piauí. São concessões concentradas em áreas litorâneas e hubs logísticos como a BR-116 que corta a Bahia e Pernambuco.
Subindo para a região Norte, o abismo aumenta ainda mais e chega a 4%. A presença de projetos é menor devido à baixa densidade demográfica e os que existem estão focados em eixos específicos de exportação, como a BR-163 no Pará, corredor logístico estratégico que conecta o estado ao Rio Grande do Sul.
Enquanto isso, o Sudeste e o Sul do Brasil avançam cada vez mais, tanto na ampliação das concessões das malhas rodoviárias federal e estadual, quanto nas inovações tecnológicas, como os sistemas de free flow e do pedágio dinâmico. Mas, por que as concessões rodoviárias não avançam nessas regiões, especialmente no Nordeste? Mesmo sendo estados onde a degradação da malha rodoviária – federal e estadual – faz vítimas fatais, deixa milhares de mutilados e atrasa o desenvolvimento num País economicamente rodoviário?
Para entrar nessa discussão, a Coluna Mobilidade do Jornal do Commercio publica a série de reportagens Nordeste Sem Pedágio, construída a partir de dados e da ouvida de especialistas, operadores e a população em geral numa tentativa de entender se esse atraso regional é resultado apenas da dificuldade econômica ou se aspectos culturais e políticos se sobrepõem.












